A produção do filme "Bruna Surfistinha - O doce veneno de escorpião" divulgou o primeiro teaser oficial do longa dirigido por Marcus Baldini, com previsão de estreia em janeiro de 2011. No vídeo de pouco mais de um minuto, Deborah Secco, que interpreta a garota de programa que dá título ao filme, aparece em nua, protagonizando cenas de sexo e beijando outra mulher em uma festa. Deborah ainda contracena com Cássio Gabus Mendes, no papel de um cliente, e Drica Moraes, como uma cafetina.
"Em nenhum lugar do mundo se dá tanta importância à
poesia: é somente em nosso país (a extinta União Soviética) que se fuzila por
causa de um verso", escreveu o escritor judeuDurante anos, na União
Soviética, dizer o nome de Óssip Mandelstam (1891-1938) publicamente era uma
ofensa grave ao “guia genial dos povos”, Stálin. Aquele que o citasse podia ser
preso ou, mesmo, assassinado. A polícia política fez uma varredura cultural e
limpou o nome do escritor russo Mandelstam (nascido em Varsóvia) — que o
político Nicolai Ivânovitch Bukhárin amava e, enquanto pôde, protegia — dos
livros de história de literatura russa ou qualquer outra. Na União Soviética,
“ninguém” sabia, ou podia saber, sobre o escritor Mandelstam. Era
terminantemente proibido. Seus livros, como os de Boris Pasternak, não eram
editados.
Mandelstam era um poeta de formação clássica, não
engajado politicamente. Num dos melhores estudos da Revolução Russa de 1917, “A
Tragédia de um Povo: A Revolução Russa — 1891-1924” (Record, 1106 páginas), o
historiador inglês Orlando Figes diz que Maksimilian Voloshin, Mandelstam e
Andréi Biéli (ou Belyi) “mostravam-se ambivalentes quanto à violência
revolucionária; entendiam-na como uma força justa e primitiva, mas revelavam
horror diante de tamanha crueza selvagem” (página 503). Figes conta, na página
746, que Máximo Górki ajudou Mandelstam.
Há um belo livro no mercado, que poderia ter sido chamado
de “O Livro Negro do Comunismo — Cultura”, mas o autor Boris Schnaiderman (um
dos mais qualificados tradutores do russo), ucraniano nascido em 1917 e que mora
no Brasil desde os 8 anos, não o permitiria. Por isso, o título é outro: “Os
Escombros e o Mito — A Cultura e o Fim da Soviética” (Companhia das Letras, 306
páginas).
Depois de contar a história do desespero do artista
russo, sobretudo daquele que não se adequava ao realismo socialista de
Stálin-Jdanov, Schnaiderman escreve: “É bem conhecido o caso do grande poeta
Óssip Mandelstam, que não desenvolvia nenhuma atividade política mais foi
retirado em 1934 de uma casa de repouso (sofria de crises nervosas) e preso por
causa de um poema sobre Stálin, em que este aparece com enormes bigodões de
barata [leia o poema nesta edição, em duas versões]. O poema evidentemente não
pôde ser publicado, mas o poeta leu-o para os amigos mais chegados e parece que
nem chegou a anotá-lo, o que não impediu sua circulação. Depois de preso, ele
teve residência forçada em Vorôniej, antes de ser mais uma vez encarcerado e
morrer na enfermaria de um campo de trabalho. Pois bem, em meio às condições
terríveis de sua vida em Vorôniej, sujeito a privações extremas, quando sua
mulher, Nadiejda, muito doente e debilitada, decorava os versos que ele
escrevia, para que não se perdessem, ele criou um poema ‘positivo’, em que fala
de um tempo em que Stálin faria despertar a vida e a razão. Parece muito claro
tratar-se de uma tentativa de se salvar. Mas depois, também nos ‘Cadernos de
Verôniej’, aparece um poema nada canônico e bem sensual, dirigido a uma mulher
morena (que não era Nadiejda; esta, aliás, em sua faina desesperada de conservar
tudo o que ele escrevera, fazia questão de guardar os poemas e cartas que
dirigia a outras mulheres), que profere com carinho e suavidade o ‘nome
tonitruante de Stálin’. Ora, é claro que o nome neste contexto não se destinava
a manifestar subserviência. Seria ‘identificação com o agressor’, numa escala
desmedida? Talvez”.
No início de sua guerra contra os escritores, Stálin
adotou a política de não matar, mas de isolar. Se não tinha tanto medo dos
principais líderes bolcheviques, que foi matando um a um, até submeter toda a
elite política e militar, Stálin tinha pânico de ver-se “mal” descrito pelos
escritores, sobretudo pelos poetas. Tanto que, ao saber que Mandelstam o havia
caricaturizado num poema, entrou em contato com Boris Pasternak, que admirava
(sem conseguir controlar; pouco depois da perseguição a Mandelstam, chegou a vez
de Pasternak, que, proibido de publicar, passou a traduzir, especialmente
Shakespeare), para saber da importância do poeta. Stálin telefonou para o poeta,
mais conhecido como autor do romance “Doutor Jivago”.
O diálogo entre Pasternak e Stálin é, embora também
trágico, hilário. A conversa está registrada no prefácio (do tradutor e crítico
literário Paulo Bezerra) do livro “O Rumor do Tempo” (Editora 34), de
Mandelstam:
Stálin — Mas ele [Mandelstam] é um mestre, não é? Não é
um mestre?
Pasternak — Sim, mas esse não é o
problema.
Stálin — E qual é então?
Pasternak — Gostaria que tivéssemos uma entrevista. Para
conversar.
Stálin — Sobre o quê?
Pasternak — Sobre a vida e a morte.
Stálin não gostou do que
considerou petulância de Pasternak, um “simples” poeta, e bateu o telefone.
Paulo Bezerra escreve: “Era muita petulância de um poeta grande porém mortal
querer conversar sobre semelhante tema com o senhor da vida e da morte de
milhões, principalmente da morte. Mas Stálin não telefonou a Pasternak por
acaso: queria saber de fonte autorizada o real valor de Mandelstam na bolsa da
poesia. Estava repetindo uma tradição que Marcel Detienne estudou em ‘Os Mestres
da Verdade na Grécia Arcaica’: o poeta é um mestre da verdade, sua palavra
perpetua na memória das gerações futura os feitos dos reis, podendo projetar
deles uma imagem positiva ou negativa. E Stálin sabia que a opinião que as
gerações futuras teriam dele dependia muito do que os poetas viessem a dizer
dele. Mas tinham de ser poetas que se destacassem por aquela qualidade estética
que assegura vida longa à sua obra. Por isso ele insistiu com Pasternak: ‘É um
mestre’? E mestre é aquele capaz de exaltar com o mesmo virtuosismo com que
desmascara, e então os versos que exaltam superam e apagam os que desmascaram.
Portanto, em vez de fuzilar logo Mandelstam, era mais inteligente levá-lo a usar
o seu grande talento para engrandecer a ele, Stálin. Manter o poeta vivo e não
mandá-lo para um campo de trabalhos forçados, mas para um lugarejo isolado e
depois para a cidade de Vorôniej, era preservá-lo na condição de
‘devedor’”.
Mandelstam entendeu o recado de Stálin: não tendo sido
assassinado, deveria agradecer a gentileza. Escreveu uma “Ode” a Stálin, mas sem
muita qualidade. “Nome glorioso... para a honra e o amor, o ar e o aço”, mentiu
Mandelstam. “Mais verdadeiro que a verdade”, acrescentou. “Talvez Mandelstam
esperasse com isso salvar a própria vida. Mas em vão: acabou novamente preso e
morrendo na enfermaria de um campo de trabalhos forçados, vítima da fúria de um
período funesto da história do seu ‘século-fera’”, relata Paulo Bezerra. Na
introdução de “Guarda Minha Fala Para Sempre”, Nina Guerra diz que Mandelstam
“morreu de fome [em dezembro de 1948, aos 47 anos], de distrofia. Não existe o
túmulo dele”.
Poeta, prosador e crítico
Mandelstam escreveu “600 poesias, ensaios autobiográficos
e filosóficos, artigos de crítica literária e traduções poéticas (Mallarmé,
Racine, Barbier, G. Duhamel, Jules Romain, a “Chanson de Roland”, Petrarca,
entre outros)”. (Paulo Bezerra conta que Mandelstam lia intensamente a poesia de
Dante, François Villon e André Chénier.) Mandelstam é um poeta à parte,
autônomo, por isso é difícil filiá-lo a uma corrente. “Em 1911 foi criado um
grupo literário em que entraram, entre outros, Nikolai Gumiliov, Anna Akhmátova,
Serguei Gorodetski e Óssip Mandelstam. Um ano depois, a nova corrente literária
foi batizada de ‘acmeísmo’ (do grego acme — ponta aguda). A nova corrente
tornou-se uma superação lógica do simbolismo. Voltar à terra: da eternidade para
a história, da feminidade eterna para o princípio masculino, dos espíritos
incorpóreos, sejam anjos ou diabos, para a força animal, do além para o
quotidiano, da idéia para as manifestações concretas”. A crítica de Mandelstam
ao simbolismo: “O simbolismo russo gritou tanto e tão alto sobre o indizível,
que o indizível começou a circular como papel-moeda”. O primeiro livro de
Mandelstam, “Kamen” (Pedra), foi editado em 1913. “É muito marcante a imagem da
pedra na poesia mandelstiana”, avalia Nina Guerra.
Em 1918, escreve a ode “Trevas da Liberdade”, na qual,
segundo Nina Guerra, “introduz um novo elemento na poesia russa: uma atitude
ativa para com o mundo independente da posição política, um imperativo ético de
ter a ‘coragem do homem’, que para ele é maior que a ‘coragem do cidadão’”.
“Glorifiquemos, irmãos, as trevas da liberdade —/O grande ano das
trevas./Glorifiquemos o fardo sombrio do poder,/Seu jugo insuportável”, escreveu
Mandelstam. Era uma forma, conforme nota Nina Guerra, de glorificar o inglório.
“Mandelstam, como poeta e como pessoa, era contra qualquer derramamento de
sangue. E não em teoria: em 1918, em Moscou, o socialista-revolucionário
Bliumkin gabava-se-lhe de que tinha nas mãos a vida de muitas pessoas;
Mandelstam, indignado, arrebatou-lhe das mãos as listas dos condenados ao
fuzilamento e rasgou-as ali mesmo.”
Quase tudo do que se preservou de Mandelstam deve-se à
sua mulher, Nadiejda. Ela guardou o que foi possível, até poemas de amor para
outras mulheres. Deve-se a essa mulher sagaz e desprendida a “salvação”, em
grande parte, da poética de Mandelstam. Certa vez, o poeta escreveu para sua
mulher: “Baralharam-me, sinto-me como na prisão, não há luz. Quero limpar-me das
mentiras e não sou capaz, quero lavar-me da sujidade e não posso”. É o que as
ditaduras fazem aos inocentes, mesmo com aqueles que, poetas, têm o dom da
palavra. Os ditadores não perdoam a rebeldia da palavra — encarceram, humilham e
matam.
O gigante Stálin, no enfrentamento com o julgamento
histórico, hoje é anão. Mandelstam, que era pequeno (até no físico), agora é um
gigante. E, quanto mais passa o tempo, Stálin vai ficando ainda menor e
Mandelstam, cada vez maior. Os ditadores, que devoram os homens que resistem,
acabam por serem devorados pela história.
Falta, agora, traduzir a poética de Mandelstam. Parte da
prosa foi decentemente traduzida por Paulo Bezerra. Os irmãos Campos traduziram
quatro poemas e cometeram um erro: dizem que Mandelstam nasceu em 1892. O livro
“Guarda Minha Fala para Sempre” foi editado em Portugal. É uma edição
caprichada, mas muita cara.
O armário de livros
ÓSSIP MANDELSTAM
Como um nadinha de almíscar enche uma casa inteira, a
mínima influência do judaísmo enche uma vida inteira. Oh, como esse cheiro é
forte! Acaso eu podia não notar que em casas judias de verdade o cheiro é
diferente do das arianas? E não é só a cozinha, mas as pessoas, as coisas e as
roupas que têm esse cheiro. Até hoje eu me lembro de como esse cheiro judeu
adocicado me envolvia na casa de madeira dos meus avós na rua Kliutchevaya, na
Riga alemã. O gabinete doméstico do meu pai já não parecia o paraíso de granito
dos meus passeios regulares, ele já conduzia para outro mundo, mas a mistura do
seu ambiente e a seleção dos objetos ficavam ligadas a minha consciência por um
ponto forte. Antes de mais nada, a poltrona rústica de carvalho com uma
balalaica e uma luva e as inscrições no braço “Devagar se vai ao longe” são um
tributo ao estilo pseudo-russo de Alexandre III; depois vem o divã turco,
apinhado de livros de contabilidade, com suas filhas de papel de seda escritas
em letras góticas miúdas de cartas comerciais alemãs. Primeiro eu pensei que o
trabalho do meu pai fosse imprimir suas cartas em papel de seda, apertando a
prensa da máquina de copiar. Até hoje me parece cheiro de jugo e de trabalho o
odor de couro curtido que penetra todo o ambiente, as películas palmípedes da
pelica espalhadas pelo chão e as tiras de camurça roliça, vivas como dedos —
tudo isso junto e mais uma escrivaninha de estilo pequeno-burguês com um
calendário em mármore flutuam na fumaça do fumo e impregnados do cheiro dos
couros. E, no clima árido da sala de comércio, um envidraçado armário de livros
fechado por uma cortina de tafetá verde. É desse depósito de livros que quero
falar. Um armário de livros em tenra infância é companheiro do homem para toda a
vida. A disposição das suas prateleiras, a seleção dos livros e a cor das
lombadas são consideradas a cor, a altura e a disposição da própria literatura
universal. Aliás, os livros que não estavam no primeiro armário nunca iriam
abrir caminho à literatura universal como ao universo. Querendo ou não, no
primeiro armário todo livro é clássico e não se bota fora nenhuma
lombada.
Como uma estratificação geológica, essa biblioteca
pequena e estranha não por acaso foi encadernada durante decênios. Nela o que
era do meu pai e da minha mãe não se misturava, mas existia separadamente, e
esse pequeno armário era, em uma seção, a história da tensão intelectual de todo
um clã inoculado com sangue estranho.
Lembro-me da prateleira inferior sempre caótica: os
livros não ficavam com suas lombadas enfileiradas, mas espalhados como ruínas:
os ruivos penteteucos com as capas em frangalhos, a história russa dos judeus,
escrita na linguagem desajeitada e tímida de um talmudista que falava russo. Era
o caos judeu rolando na poeira. Aqui mesmo logo veio parar a minha cartilha do
hebraico antigo, que eu acabei não aprendendo. Num acesso de arrependimento
nacional contrataram para mim um professor judeu autêntico. Ele veio diretamente
da sua rua do Comércio e me dava aula sem tirar o barrete, o que me deixava sem
jeito. Seu russo correto soava falso. O alfabeto hebraico com ilustrações
representava de todos as formas — com um gato, um livro, um balde, ou um regador
— o mesmo menino de quepe e com um rosto muito triste e adulto. Nesse menino eu
não me reconheci e com todo o meu ser eu me rebelei contra esse livro e a
ciência. Uma coisa surpreendia nesse professor, embora soasse artificialmente: o
sentimento do orgulho nacional judeu. Ela falava dos judeus como a francesinha
falava de Victor Hugo e Napoleão. Mas eu sabia que ele escondia o orgulho quando
saía à rua e por isso não acreditava nele.
Sobre as ruínas judaicas começava a ordem de distribuição
dos livros, encabeçada pelos alemães Schiller, Goethe, Kerner e Shakespeare em
alemão, em velhas edições de Leipzig e Tubingen, curtas e espessas com
encadernações vinho estampadas, com caracteres miúdos destinados à vista aguda
dos jovens, com gravuras leves, um pouco ao gosto inglês: mulheres de cabelos
soltos torcendo os braços para trás, um candeeiro desenhado como uma luminária,
cavaleiros de frontes altas e cachos de uvas nas vinhetas. Era meu pai que dos
labirintos talmúdicos abria caminho para o mundo alemão como
autodidata.
Mais acima ficavam os livros russos de minha mãe: um
Púchkin em edição Issakov de 1876. Até hoje acho magnífica essa edição, que me
agrada mais que a edição da Academia. Nela não há nada supérfluo: a disposição
dos caracteres é harmoniosa, as colunas de versos fluem livremente como soldados
de batalhões volantes e, como chefes militares, anos racionais, precisos os
conduzem até o ano de 1837 (1). A cor em Púchkin? Toda cor é fortuita: que cor
escolher para o murmúrio dos rios? Ah, esse idiota alfabeto das cores em
Rimbaud!
Meu Púchkin de Issakov vinha com uma sobrecapa reticulada
de uma cor imprestável, numa encadernação ginasiana de percalina, e aquela
sobrecapa castanho-escura, com um matiz arenoso tirante a terroso, não temia nem
manchas, nem tinta, nem fogo, nem querosene. Durante um quarto de século, a
sotaina de som arenoso escuro absorveu tudo com amor: tamanha é a nitidez com
que sinto a singela beleza espiritual, o encanto quase físico do meu Púchkin
materno. Sobre ele as inscrições: “À aluna da terceira série, pela aplicação”.
Com o Púchkin de Issakov combina-se a história dos mestres e mestras ideais com
seu rubor tísico e seus sapatos furados: os anos oitenta em Vilno. Minha mãe e
especialmente minha avó pronunciavam com orgulho a palavra “intelectual”. A
encadernação de Liérmontov era em amarelo-dourado e com um matiz militar: ele
não era hussardo por acaso. Ele nunca me pareceu irmão ou parente de Púchkin. Já
Goethe e Schiller eu considerava gêmeos. Neste caso eu reconhecia o estranho e
fazia uma distinção consciente. Porque depois de 1837 até os versos murmuraram
diferente.
O que significam Turguêniev e Dostoiévski? São
suplementos de ‘Campo’. São de aparência idêntica, como irmãos. Capas de
papelão, revestidas de película. Sobre Dostoiévski recaía o veto como uma lápide
de sepultura, e dele se dizia que era “pesado”; Turguêniev era todo permitido e
aberto, com sua Baden-Baden, suas ‘Águas primaveris’ e as conversas indolentes.
Mas eu sabia que em nenhum lugar havia ou poderia haver uma vida tão tranquila
como a de Turguêniev.
Não quereis a chave da época, o livro incandescido de
tanto contato, o livro que não queria morrer por nada nesse mundo e jazia como
se estivesse vivo na sepultura estreita dos anos noventa, o livro cujas folhas
amarelaram antes do tempo não se sabe se de tanta leitura, se do sol dos bancos
das casas de campo, livro cuja primeira página revela os traços de um jovem com
um penteado inspirado, traços que se tornaram ícone? Olhando para o rosto do
eternamente jovem Nádson (2) fico maravilhado ao mesmo tempo com a verdadeira
incandescência desses traços e com sua absoluta inexpressividade, com sua
simplicidade quase campônia. Todo o livro não é assim? Toda a época não é assim?
Se o mandassem a Nice, se lhe mostrassem o Mediterrâneo, ele continuaria do
mesmo jeito a cantar o seu ideal e a geração sofredora, talvez acrescentando uma
gaivota e a crista de uma onda. Não riais do nadsonismo; é um enigma da cultura
russa e, no fundo, é incompreensível a sua sonoridade porque nós não entendemos
e nem ouvimos como entendiam e ouviam eles. Quem é ele — esse monge campônio com
traços inexpressivos de um eterno jovem, esse ídolo inspirado da juventude
estudantil, precisamente da juventude estudantil, isto é, de uma gente escolhida
em determinados séculos, esse profeta dos saraus colegiais? Quantas vezes, já
sabendo que Nádson era ruim, ainda assim eu reli o seu livro e procurei ouvir a
sua sonoridade como ouvia a geração depois de abandonar a presunção do presente
e a ofensa pela ignorância desse jovem no passado! Neste caso, como me ajudaram
os diários e as cartas de Nádson — a mesinha do leitor com um copo d’água. Como
insetos de verão sob o vidro de uma lâmpada quente, toda essa geração se
queimava e se consumia no fogo das festas literárias com guirlandas de rosas
ilustrativas, e as reuniões tinham o caráter de culto e sacrifício expiatório
pela geração. Ali acorriam aqueles que desejavam partilhar o destino da geração
até à morte, os presunçosos ficavam de fora com Tiúttchev e Fet (3). No fundo,
toda a grande literatura russa deu as costas a essa geração tísica com seu ideal
e Baal (4). O que ainda restava? As rosas de papel, as velas dos saraus
colegiais e as barcarolas de Rubinstein. Os anos oitenta em Vilno, como minha
mãe os exprime. Em toda a parte era a mesma coisa: mocinhas de dezesseis anos
tentando ler Stuart Mill, viam-se personalidades radiantes com traços
inexpressivos e apertando o grosso pedal, morrendo num arpeggio (5) e tocando em
festas públicas novas composições do leonino Anton (6). No fundo, acontecia o
seguinte: com Buckle (7) e Rubinstein e conduzida por belas almas, a
intelectualidade, em sua sagrada idiotice e sem distinguir o caminho, guinou
decididamente para a auto-imolação pelo fogo. Com altas tochas alcatroadas, os
populistas da “Vontade do Povo” (8) ardiam publicamente com Sófia Pieróvskaya e
Jeliábov e todos os outros, toda a Rússia provinciana e a “juventude estudantil”
consumiam-se lenta e solidariamente: não deveria restar uma só folha
verde.
Que vida de escassez, que cartas pobres, que brincadeiras
e paródias sem graça! No álbum de família me mostraram uma foto daguerreótipa do
tio Micha (9), melancólico com traços rechonchudos e doentios, e explicaram que
ele não só havia enlouquecido como “ardido”: era assim que falava a linguagem da
geração. Era assim que falavam de Gárchin (10), e muitas mortes se constituíam
em um ritual.
Semión Afanássievitch Venguérov (11), meu parente pelo
lado materno (família de Vilno e lembranças de colégio), não entendia nada de
literatura russa e por questão de trabalho estudava Púchkin, mas “isso” ele
entendia. Para ele, “isso” era o caráter heroico da literatura russa. Ele era
bom nesse seu caráter heroico, quando batia pernas pelos subúrbios de
apartamento em apartamento, pendurado no braço da esposa que envelhecia, dando
risinhos com sua espessa barba de formiga.
Notas
1 - Púchkin é morto em duelo em janeiro de 1837. (Nota do
tradutor Paulo Bezerra)
2 - Nádson, Semión Yákovilievitch (1862-1887), poeta
contraditório, cuja poesia foi marcada por um intenso dramatismo e pela
oscilação entre o sonho com um ideal e a constatação da sua impossibilidade. (N.
do T.)
3 - Tiúttchev, F.O. (1803-1876), poeta russo clássico e
romântico. A. A. Fet (1820-1892), poeta de forte expressão na literatura russa.
(N. do T.)
4 - Alusão aos versos de Nádson: “crede: chegará o
momento, e Baal morrerá!. (N. do T.)
5 - Em italiano, no original russo. (N. do
T.)
6 - Anton Rubinstein com seus cabelos meio fulvos. (N. do
T.)
7 - Buckle, Henry Thomas (1821-1862), historiador e
social-positivista inglês, autor de “History of Civilization in England”, obra
em dois volumes traduzida para o russo e publicada pela revista “Otiéchestvennie
zapíski” (Anais pátrios) em 1861. Buckle foi muito popular entre os intelectuais
liberais e os populistas russos no decênio 1860-1870. (N. do
T.)
8 - Vontade do Povo (em russo “Naródnaia Vólia”):
organização política secreta, fundada em 1879 na Rússia por A. Jeliábov, Sófia
Pieróvskaya e outros, que substituiu a luta política de massas contra a
autocracia pela conspiração política e o terror individual, e decretou a morte
do czar Alexandre II. No dia 1º de março de 1881 o czar foi morto em um atentado
a bomba, e no dia 1º de abril do mesmo ano Jeliábov, Sófia e outros membros da
Vontade do Povo foram enforcados. (N. do T.)
9 - Diminutivo de Mikhail. (N. do T.)
10 - Gárchin, Vsievolód Mikhailovitch (1855-1888).
Escritor russo de grande talento, especialmente no conto, gênero em que se
destaca pela narrativa breve de tom emocional, conteúdo filosófico e tensão
dramática. (N. do T.)
11 - Venguérov, Semión Afanássievitch (1855-1920).
Historiador e estudioso da literatura, especialista em Púchkin, bibliófilo,
fundador e primeiro diretor da câmara russa do livro.
[A história “O Armário dos Livros” foi retirada do livro
“O Rumor do Tempo e Viagem à Armênia”, de Óssip Mandelstam, traduzido do russo
por Paulo Bezerra, Editora 34, 159 páginas.]
POEMA DE ÓSSIP MANDELSTAM
A Era
Minha era, minha fera, quem ousa, Olhando nos teus
olhos, com sangue, colar a coluna de tuas vértebras? Com cimento de sangue
— dois séculos — Que jorra da garganta das coisas? Treme o parasita,
espinha langue, Filipenso ao umbral de horas novas.
Todo ser enquanto a vida avança Deve suportar esta
cadeia Oculta de vértebras. Em torno Jubila uma onda. E a vida
como Frágil cartilagem de criança Parte seu ápex: morte da ovelha, A
idade da terra em sua infância.
Junta as partes nodosas dos dias: Soa a flauta, e o
mundo está liberto, Soa a flauta, e a vida se recria. Angústia! A onda do
tempo oscila Batida pelo vento do século. E a víbora na relva respira O
outro da idade, áurea medida.
Vergônteas de nova primavera! Mas a espinha partiu-se
da fera, Bela era lastimável. Era, Ex-pantera flexível, que volve Para
trás, riso absurdo, e descobre Dura e dócil, na meada dos rastros, As
pegadas de seus próprios passos.
[Tradução de Haroldo de Campos. Do livro “Poesia Russa
Moderna”, com traduções de Augusto e Haroldo de Campos, com revisões de Boris
Schnaiderman. Editora Brasiliense. O poema é de 1923.)
POEMAS DE ÓSSIP MANDELSTAM
Ainda não morreste, inda não estás sozinho: A
companheirinha-mendiga No vale magnânimo e com a bruma, o frio, A
tempestade — estás contigo.
Na pobreza opulenta, miséria poderosa, Vive tranquilo
e consolado. Benditas são as noites e os dias, e o labor Do belo-verbo é
sem pecado.
Desgraçado é quem de si mesmo é a sombra, A quem
assusta o ladrido, O vento ceifa. É pobre quem pede esmola à sombra Meio
morto e ferido.
[A “sombra” era uma das obsessões poéticas de Mandelstam.
O poema é de janeiro de 1937. A tradução, de Nina Guerra e Filipe Guerra, está
no livro “Guarda Minha Fala para Sempre”, de Óssip Mandelstam. Editora Assírio
& Alvim, 237 páginas. A obra contém poemas e pequenos textos em
prosa.]
Inseparável do medo é a queda, Medo é mesmo do vazio o
sentimento. Quem das alturas nos atira a pedra, Rejeitando ela o jugo do
momento?
E tu, com teus passos hirtos de monge, Mediste em
tempos a nave empedrada: Calhaus e sonhos rudes — não está longe A sede de
morte, a grandeza ansiada!
Maldito sejas, gótico abrigo, Quem entra é pelo tecto
enganado, Na ladeira não arde o lenho amigo.
Vivendo eternidade poucos haja, Mas, viver ao momento
subjugado — Que terrível sorte e que frágil casa!
[Poema de 1912, cinco anos antes da Revolução Russa. A
tradução é de Nina Guerra e Filipe Guerra. A “Revista Bula” mantém a palavra
“tecto”, como está na tradução, e não teto, como se usa no Brasil. A tradução é
anterior à reforma ortográfica.]
O poema de Óssip Mandelstam que provocou sua prisão em
1934 (A “Revista Bula” publica duas
traduções — a brasileira e a portuguesa)
Vivemos sem sentir o país sob os pés, Nem a dez passos
ouvimos o que se diz, E quando chegamos enfim à meia fala O montanheiro do
Krémlin lá vem à baila. Dedos gordurosos como vérmina gorda. Riem-se-lhe
os bigodes de barata, Reluzem-lhe os canos da bota alta.
À volta a escumalha — guias de fino pescoço — Nas
vênias da semigente ele brinca com gozo. Um assobia, o outro geme, aquele
mia, Só ele trata por tu, escolhe companhia. Como ferraduras, lei ‘trás de
lei ele oferta, Em cheio na virilha, olho e sobrolho e testa. Cada morte
que faz — crime malino E o peitaço tem amplo, o ossetino.
[Tradução de Nina Guerra e Filipe
Guerra]
Nós vivemos sem perceber o país sob nós, nossos
discursos não são ouvidos a 10 passos de distância, Mas onde há apenas uma
meia-conversa sempre nos recordamos do montanhês do Kremlin. Seus grossos
dedos são gordos como vermes, e suas palavras seguras como fios de
mundo. Riem seus bigodes de escaravelho, e brilham suas
polainas. Rodeia-o um bando de chefetes submissos E ele se diverte com a
servidão dos semi-homens. Há quem assovia, quem geme, quem choraminga se
somente ele fala ou aponta o dedo. Como ferraduras ele forja um ukaz após
outro com os quais de um ele ferra a virilha, de outro a testa, de mais
outro as sobrancelhas, de outro ainda os olhos. Não há execução que não
seja para ele uma festa.
[Tradução de Luís Mário Gazzaneo]
Ditador dos bigodes de barata não
gostou
A tradução de Nina Guerra e
Filipe Guerra, feita a partir do original russo, está no livro “Guarda Minha
Fala para Sempre”, de Óssip Mandelstam, publicado pela editora portuguesa
Assírio & Alvim. A “Revista Bula” mantém a acentuação portuguesa (Krémlin,
vénia ) e a estrutura da versão.
A tradução de Luís Mário Gazzaneo está no livro “Os
Últimos Anos de Bukhárin”, de Roy Medvedev, Editora Civilização Brasileira
(página 73). Ela foi feita a partir do italiano.
O poema é de 1933, quando Stálin já era senhor absoluto
da União Soviética. Mas as matanças dos “inimigos” pessoais do ditador começaram
no ano seguinte. Esses adversários eram tratados (e apresentados à população)
como inimigos do socialismo, da revolução, da União Soviética. Eram
“terroristas” e “trotskistas”. Mandelstam teve coragem de desafiar Stálin quando
os políticos e muitos escritores já buscavam a conciliação com o objetivo de
sobreviver política e, sobretudo, fisicamente. Mandelstam fez o desafio supremo
ao dizer que o bigode de Stálin era de barata e seus dedos gordos foram
comparados a vermes. É um retrato sem retoque do ditador georgiano, Stálin, dos
ditadores em geral e da submissão que os regimes de exceção produzem. Segundo
Roy Medvedev, Mandelstam não escreveu os versos. Ele limitava-se a recitá-los
“em várias ocasiões a alguns amigos”. A transcrição teria sido feita por um
stalinista com o objetivo de indispor Mandelstam com Stálin. Como era recitado
em vários lugares, com entonações e palavras diferentes, há outras versões do
poema.
A noite já tinha virado madrugada, e os Rolling Stones trabalhavam no sombrio porão feito de estúdio em seu casarão numa praia da Riviera Francesa.
Era 1971, e a maior banda de rock do planeta, à beira da falência, abrigara-se num vilarejo francês para não pagar impostos exorbitantes na Inglaterra. O plano era gravar um disco e fazer uma turnê salvadora pelos EUA. Naquela quase manhã de junho, o engenheiro de som Andy Johns, então com 21 anos, subiu correndo as escadas em busca de um equipamento e viu, num hall de mármore azul, uma porção de suásticas desenhadas no detalhe de uma das janelas.
—Fiquei assustado. Já estava na casa havia dois meses, mas tinha tanta coisa acontecendo que eu nem tinha visto os símbolos nazistas na janela.
Fui falar com o Keith (Richards, guitarrista), e ele disse: “Ah, não mencionei... Esta casa foi um quartel-general da Gestapo na Segunda Guerra.
Mas tudo bem, nós estamos aqui agora” — conta Andy, por telefone, às gargalhadas. Essa é só uma página do diário de gravações de “Exile on Main Street”, um dos discos mais influentes e polêmicos do rock, que está sendo relançado pela Universal. O álbum voltou às prateleiras do Reino Unido ontem e, hoje, aterrissa nos Estados Unidos e no Brasil. O disco de 18 faixas (incluindo hinos como “Tumbling dice” e “Shine a light”), considerado por muitos o melhor da banda, foi remasterizado, e a versão deluxe traz ainda um CD com dez músicas inéditas, encontradas no baú do vocalista Mick Jagger. A versão superdeluxe, importada, vem ainda com o documentário “Stones in exile”. As músicas “novas”, entre elas “Plundered my soul” e “Pass the wine”, são do período que cerca “Exile” e foram recalibradas para ganhar a atmosfera densa do álbum.
— “Exile” marcou o auge da forma dos Stones. É um disco profundo e caótico. Tão difícil de ser absorvido que, em 1972, foi muito criticado. E o relançamento vai causar impacto porque não se faz mais música desse jeito. O rock atual não inspira perigo — opina o jornalista e cineasta José Emilio Rondeau, autor do livro “Sexo, drogas e Rolling Stones”. — Os Stones são vistos como avôs, mas “Exile” vai mostrar às pessoas com quem elas estão falando. Na época da gravação, a banda estava em apuros, afogada em dívidas milionárias, e era alvo de retaliação da polícia inglesa devido ao envolvimento dos músicos com heroína. Em abril de 1971, para evitar as taxas fiscais inglesas, lá foram Mick, Keith, Charlie Watts, Bill Wyman e Mick Taylor fixar residência no Sul da França. Na falta de um estúdio, eles adaptaram o subsolo do palacete do século XIX alugado por Richards, e o imóvel, chamado Villa Nellcote, virou uma república do caos.
— O mais difícil era juntar todos de bom humor no estúdio.
Eles ficavam espalhados por cômodos anexos, sem se ver. Passavam-se dias sem que gravássemos algo bom, mas aí Keith se levantava, todos se acendiam, e a qualidade do som saía de imprestável para sensacional — recorda-se Andy Jonhs, testemunha do intenso tráfego de drogas. — Havia pessoas doidonas o tempo todo na casa. Numa noite gravamos vocais na cozinha, e o Gram Parsons (guitarrista amigo de Keith) pressionava os pedais da guitarra contra os ouvidos, achando que eram fones. Várias faixas foram registradas antes de Villa Nellcote e depois, em Los Angeles. Mas o clima na casa permeia o trabalho. No livro “Uma temporada no inferno com os Rolling Stones”, o jornalista Robert Greenfield conta que a densidade blueseira de “Exile” se deve à ascensão de Richards. Mick havia acabado de se casar, e, como as gravações rolaram na casa do guitarrista, ele assumiu o volante. Só que Keith era incontrolável.
— Richards era imprevisível e sumia por dias. Qualquer um que chegasse à casa jamais diria que um disco estava sendo gravado — diz o autor. Informações de O Globo
O Brasil ficou de fora da lista de nove finalistas ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010. Em setembro, “Salve geral”, de Sérgio Rezende, foi escolhido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura para representar o país na disputa por uma vaga na competição pelo prêmio. Mas o longa-metragem de Rezende não figura entre a seleção de potenciais concorrentes divulgada ontem pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
Foram selecionados: “A teta assustada” (Peru), de Claudia Llosa; “O segredo de seus olhos” (Argentina), de Juan Jose Campanella; “Samson & Delilah” (Austrália), de Warwick Thornton; “The world is big and salvation lurks around the corner” (Bulgária), de Stephan Komandarev; “O profeta” (França), de Jacques Audiard; “A fita branca” (Alemanha), de Michael Haneke; “Ajami” (Israel), de Scandar Copti e Yaron Shani; “Kelin” (Cazaquistão), de Ermek Tursunov; e “Winter in wartime” (Holanda), de Martin Koolhoven.
A lista definitiva, com cinco concorrentes, será conhecida no dia 2 de fevereiro, assim como os demais filmes, atores, diretores e técnicos considerados nas demais categorias da Academia.
A última vez em que o Brasil chegou a figurar como finalista nessa fase eliminatória foi em 2008, com “O ano em que meus pais saíram de férias”, de Cao Hamburger. O último longa-metragem nacional indicado à estatueta voltada para produções estrangeiras foi “Central do Brasil”, de Walter Salles, em 1999. Informações de O Globo.
"Lua Nova", a segunda parte da saga "Crepúsculo", se manteve em sua segunda semana em cartaz liderando as bilheterias norte-americanas, arrecadando US$ 43 milhões, com um total acumulado de US$ 231 milhões.
"The Blind Side", comédia dramática com Sandra Bullock, ficou em segundo, com US$ 100,2 milhões em duas semanas, enquanto o filme-catástrofe "2012", de Roland Emmerich, se manteve firme e forme em terceiro lugar, com US$ 138,7 milhões de em três semanas em cartaz.
O estreante "Pappy-sitter", com John Travolta e Robin Williams, ficou em quarto lugar, com apenas US$ 24 milhões. Em quinto, "Os fantasmas de Scrooge", com Jim Carrey, ganhou US$ 22,5 milhões e já acumula US$ 105,3 milhões desde a estreia.
É impossível não se impressionar com as imagens poderosas, o
sofrimento das pessoas, a ruína, enfim, de tudo o que conhecemos como
civilização. Difícil também não imaginar, a despeito do sensacionalismo
infalível de 2012, novo filme do diretor Roland Emmerich, que
estreia hoje em todo o planeta, se, de fato, as dezenas
de profecias que anunciam o fim do mundo para daqui a pouco mais de
dois anos não terão um fundo qualquer de verdade.
Talvez a sensação seja parte do plano megalomaníaco de
Emmerich, o maior representante do cinema catástrofe da atualidade,
diretor de Independence Day (1996), Godzilla (1998) e O dia depois de
amanhã (2004). Fazer com que seus espectadores viajem na virtual
concretização de premonições que remontam aos alicerces da cultura maia
e deixem para lá o mar de clichês que o cineasta utiliza ao longo das
quase três horas de exibição (absolutamente, todos os que Hollywood já
fabricou).
Dessa vez, ele mostra o fim real do mundo inteiro (sem áreas
preservadas, como aconteceu em O dia depois de amanhã, o melhor de sua
filmografia), desencadeado por uma série de alterações súbitas no
clima, que resultam na inversão das polaridades do globo, derretimento
maciço de gelo e deslocamento de placas oceânicas. Resultado: tsunamis
imensos vindo de tudo quanto é lado, erupções vulcânicas de proporções
nunca vistas e terremotos colossais.
Dramalhão 2012, que custou U$ 200 milhões,
é uma obra típica de Emmerich. E não só pelos efeitos arrasadores que
ele costuma usar para ilustrar suas histórias. O tom acima está também
na trama simplória que destaca um homem tentando superar as
adversidades para recuperar o amor da família.
Separado da mulher (Amanda Peet), que se casou novamente, e dos dois
filhos, Jackson Curtis (John Cusack, cada vez mais careteiro) é autor
de um livro sobre a civilização perdida de Atlântida, que
(coincidência!) também afundou e sumiu do mapa. A graça está no fato de
ter que virar herói para conseguir de volta a autoconfiança e o amor
dos filhos e da ex-mulher.
Não fossem escritos com a intenção de reforçar o drama embutido no
roteiro, os diálogos de 2012 tenderiam naturalmente para a comédia. São
rasos, piores que os de Independence Day, ganhador do Oscar de efeitos
especiais, categoria que esse novo produto da grife Emmerich deve ser
forte candidato. O roteiro é nitidamente inspirado no livro do
Apocalipse e no trecho bíblico que narra a saga de Noé, construtor da
arca que salvou os seus familiares do grande dilúvio.
O diretor reproduz essa ideia semomenor pudor de parecer piegas. A
diferença é que seus passageiros não foram escolhidos por Deus: pagaram
um milhão de euros por cabeça para entrar numa das cinco arcas que o
governo americano construiu. Aí fica claro o tom de crítica: nem mesmo
à beira da morte o homem deixa de lado o poder de fogo do dinheiro.
Na trilha de Obama Ninguém pode ter certeza,
afinal Emmerich garante que não foi influenciado por Barack Obama. Mas
o fato é que o presidente (Danny Glover) dos EUA em 2012 é negro, sábio
e altruísta. E, queridíssimo pelos membros do G8 (após o comportamento
desastroso de Bush), honra esse respeito sacrificando a si próprio em
nome da honra e da verdade. Curiosamente, outro personagem fundamental
na trama também é negro: o cientista Adrian Helmsley (Chiwetel
Ejiofor).
Gênero muito popular, o filme-catástrofe nasce da mistura de três
elementos principais: enredo apocalíptico, apelo melodramático e cenas
de ação, de preferência com efeitos especiais que enfatizem o clima de
tensão. Nisso, não há como negar: 2012 é uma beleza. E, justamente por
este aspecto, provavelmente vai arrebentar nas bilheterias.
Livro destaca várias teorias sobre o caos Guarde
essa data: 12 de dezembro de 2012. É o dia em que o mundo vai acabar.
Isso porque, segundo uma antiga previsão maia, um cataclismo global há
de destruir o planeta como conhecemos. A previsão, que tem atravessado
as últimas décadas embalada em diversas teorias conspiratórias, ganha
diferentes interpretações no livro.
O mistério 2012 - Predições, profecias e possibilidades (Geração
Editorial, R$36 386 páginas), no qual diversos estudiosos opinam sobre
o assunto. Na primeira parte, a obra procura chegar à raiz do
significado da data, apresentando a civilização maia e a elaboração de
seu calendário, que se encerra em 24 de dezembro de 2011.
Em seguida, o livro destaca as profundas transformações de ordem
social, econômica e política aguardadas para o ano misterioso. O
destaque vai para a argumentação de Ervin Laszlo, que vê 2012 como o
desfecho das mudanças que a sociedade passou do século XVII para cá.
Para encerrar, a corrente espiritualista dá sua opinião sobre os
simbolismos da data.
Depois de " Cidade de Deus" (2002), filmes de temática policial produzidos no Brasil inevitavelmente suscitam polêmica social. Foi assim com "Tropa de Elite" (2007) e, agora, com "Salve Geral", que chega hoje aos cinemas. A produção se utiliza da história dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) em 2006 para contar um drama familiar e é pré-candidata ao Oscar de filme estrangeiro.
Fernando Meirelles foi acusado de glamorizar a bandidagem do Rio de décadas passadas. José Padilha teve de responder inúmeras vezes que não foi maniqueísta ao retratar o dia-a-dia do esquadrão de elite da polícia carioca, o Bope. Com Sérgio Rezende, diretor do lançamento, não tem sido diferente. A principal crítica foi a de que o carioca teria se posicionado ao lado dos bandidos e, consequentemente, se esquecido de revelar o olhar do cidadão comum diante do horror daquele fim de semana de Dia das Mães.
Rezende nega que tenha se apegado a esses dilemas. "A questão do filme é dar um pouco do panorama da vida de classe média, não só dos paulistanos, mas de quase todas as grandes cidades. Os ataques foram pano de fundo", explica. O envolvimento crescente das mulheres no crime organizado também lhe saltou aos olhos durante a pesquisa. Mas com tantas tramas paralelas, mesmo o drama acaba prejudicado. Somada ao bom desempenho geral do elenco secundário - a maior parte pinçada nos palcos de São Paulo - a presença das atrizes Andréa Beltrão e Denise Weinberg salva o filme.
Andréa vive Lúcia, uma professora de piano viúva que acaba de se mudar para a periferia. Numa das primeiras noites no novo bairro, o único filho, Rafa (o estreante Lee Thalor) se envolve na morte de uma moça. A partir do momento em que o jovem é condenado, Lúcia dá início à luta para mantê-lo vivo dentro da penitenciária. Conhece Ruiva (Denise), advogada de ética duvidosa que trabalha para o PCC e passa a usar a nova amiga para pequenos serviços. Sem questionar nada, Lúcia mergulha no submundo e até inicia romance com chefão do ‘partido‘‘. Enquanto Andréa consegue passar toda a fragilidade da personagem, Denise, veterana do teatro, provoca risos, raiva e até empatia, por mais incorreta que sua Ruiva seja.
Um lançamento imperdível para quem está com saudades do grande Dorival Caymmi (1914-2008) chega às lojas pelo selo Biscoito Fino. O DVD ‘MPB Especial 1972’, o primeiro da carreira do cantor e compositor baiano, recupera o programa gravado pelo mestre e exibido pela TV Cultura.
São 45 minutos de muita música e papo com o criador de algumas das maiores canções da história da música popular brasileira como ‘O que é que a baiana tem?’, ‘Samba da minha terra’, ‘É doce morrer no mar’ e ‘Marina’ (todas presentes no DVD), entre outras.
Caymmi estava com 58 anos na época do especial e relembra momentos marcantes da vida desde a infância, passando pela tarde em que ficou noivo de Stella Caymmi (1922- 2008) num vatapá promovido por Jorge Amado (1912- 2001). O DVD custa R$ 47,90.
O romance ‘‘Memórias de minhas putas tristes‘‘, do escritor
colombiano Gabriel García Márquez, será levado aos cinemas em uma
produção de US$ 8 milhões. O longa será rodado na cidade mexicana de
Puebla, informou um funcionário do governo local.
O filme é uma co-produção entre os governos da Dinamarca e da
Espanha, além do estado mexicano de Puebla, e das empresas Femsa e
Televisa.
- O projeto será anunciado em breve. Mas é um livro de Gabriel
García Márquez - adiantou o secretário de Finanças de Puebla, Gerardo
María Pérez Salazar a uma rádio local, que completou entre risos. - Não
posso dizer o nome, mas vamos dizer que seja "Memórias de minhas...
companheiras... tristes".
Puebla, capital do estado de mesmo nome, fica a algumas horas
da Cidade do México, e já serviu para locações de filmes famosos, como
"Arranca-me a vida", de Roberto Sneider (em cartaz no Festival do Rio
2009); "Chamas da vingança", com Denzel Washington; ‘‘Frida‘‘ com Salma
Hayek; e ‘‘Ponto de vista‘‘ com Dennis Quaid e Forest Whitaker.
- Os governos, tanto da Espanha como da Dinamarca, colocaram
uma quantia importante e entraram como sócios da produção - disse Pérez
Salazar.
Neste livro, o Nobel de Literatura narra o nonagésimo
aniversário de um jornalista que resolve lhe dar de presente uma noite
de amor com uma virgem. O site do "IMDB" aponta o ator mexicano Damián
Alcázar como protagonista.
Alguns de seus textos já foram adaptados para o cinema. O mais
recente foi "O amor nos tempos do cólera", de 2007, dirigido pelo
inglês Mike Newell, e com a participação de Fernanda Montenegro.O Globo.
O novo documentário do norte-americano Michael Moore, no qual denuncia o capitalismo perverso e desumano, sacudiu neste domingo o Festival de Veneza e arrancou aplausos da crítica.
Os rostos desesperados das vítimas da recente hecatombe financeira, que perderam suas casas ou o trabalho de uma vida, são a parte mais impactante da denúncia apresentada por Moore em "Capitalism: a Love Story", que concorre ao Leão de Ouro.
Para o diretor de "Tiros em Columbine" e "Fahrenheit 11/9", "o capitalismo é ruim e não pode ser reformado" e o livre mercado na realidade é um sistema para roubar os trabalhadores e garantir que 1% da população dos Estados Unidos mantenha sua riqueza, enquanto 99% se empobrecem dia a dia.
O documentário, que tem duas horas e vai estrear nos Estados Unidos no dia 2 de outubro, acusa os poderosos bancos de Wall Street (Goldman Sachs, Citybank, Morgan Stanley) de terem organizado um verdadeiro "golpe de Estado financeiro" pouco antes das eleições presidenciais americana.
Os poderosos banqueiros, muitos deles membros da administração do ex-presidente George W. Bush, inventaram o mecanismo para ficar com os US$ 700 milhões que o Estado aprovou para salvar as empresas da crise econômica, enquanto a classe média perde suas propriedades e garantias, afirma.
"Precisamos de um controle maior do mundo das finanças e do capitalismo", pede Moore. "Para eles a única coisa importante é estar no poder", completa.
O cineasta termina por isolar a sede de Wall Street com a clássica fita amarela com a frase "cena de crime, não passe".
Montado com ritmo veloz, alimentado por comentários divertidos e cenas de filmes e propagandas antigas, Moore entrevista idosos que perderam as casas, a maioria resignados com o destino, famílias que vivem em trailers, pessoas desempregadas, pilotos de avião mal remunerados, entre outros.
"Nos Estados Unidos a cada sete segundos e meio uma família é desalojada de sua casa e 14 mil perdem o emprego por dia", afirmou o cineasta em um encontro com o público um dia antes da exibição do longa.
"O capitalismo é injusto", declarou o irreverente documentarista, que há 20 anos denuncia os grandes males do país, começando por "Roger e Eu", sobre o fechamento de uma fábrica da General Motors, onde seu pai trabalhou por mais de 30 anos, passando pela guerra no Iraque e do sistema de saúde norte-americano.
Com seu estilo implacável e a cara de bonachão, Moore revela com lições irônicas um sistema econômico que legalizou a fraude e permitiu que as empresas faturem quantias milionárias com os seguros de vida que estipulam secretamente no caso de morte de seus funcionários mais jovens, sem dar cobertura aos familiares.
A prudência parece ser a posição, no entanto, a respeito do novo presidente democrata Barack Obama.
O filme chega ao fim com as notas da Internacional em versão jazz, para pedir uma "verdadeira democracia" contra o "capitalismo obsceno e imoral", que até a Igreja Católica norte-americana condena no documentário.
A banda irlandesa The Cranberries se reunirá para uma turnê em solo americano ainda em 2009, após quase quase sete anos sem se apresentar. Dolores O‘Riordan (vocal), Noel Hogan (guitarra), Mike Hogan (baixo) e Fergal Lawler (bateria) farão uma série de apresentações pela Europa em 2010.
De acordo com o site Folha Online, além dos sucessos como ‘Dreams‘, ‘Ode to My Family‘ e ‘Salvation‘, o repertório do grupo ainda incluirá canções da carreira solo da vocalista Dolores O‘Riordan, que lançou um novo trabalho nesta terça-feira (25). Em 2007, Dolores se apresentou no Brasil com a turnê do álbum ‘Are You Listening.
O site The Internet Movie Database (IMDb), especializado em cinema e televisão, divulgou uma lista nesta semana com os dez melhores filmes do milênio, de 2000 até hoje. Entre os três primeiros está o filme ‘Cidade de Deus‘, do diretor Fernando Meirelles.
Quando o filme foi lançado, há sete anos, Meirelles e o diretor de fotografia, César Charlone, foram criticados por estarem transformando a estética do Cinema Novo e uma grande polêmica foi criada. A verdade é que a obra se tornou a referência do cinema brasileiro em todo o mundo. Alguns podem dizer que o olhar de Meirelles e Charlone são para gringos mas, no fundo, sabem que existe uma discussão muito mais profunda.
A lista do IMDb é encabeçada por ‘Batman - O Cavaleiro das Trevas‘, dirigido por Christopher Nolan, que, juntamente com o compositor Hans Zimmer, redefiniram o modo de fazer filmes de super-heróis, transformando um mero longa-metragem de ação em um verdadeiro épico. No segundo lugar está ‘O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei‘, do Peter Jackson‘, seguido por ‘Cidade de Deus‘.
Completando a lista estão ‘Up - Altas Aventuras’, ‘Amnésia’ (de novo Christopher Nolan), ‘O Senhor dos Anéis – As Duas Torres’, ‘Wall-E’, ‘O Fabuloso Destino de Amélie Pulain’ e ‘Os Infiltrados’, do diretor Martin Scorsese.
As
crianças não sabem disso, mas a creche na Rua Rio Itapicuru, no bairro
de Monte Serrat, já foi palco de muitas travessuras há mais de 60 anos.
Lá viveu um certo Raul Santos Seixas, garoto bom de inglês, fã de Elvis
Presley e que semeava o rock pela vizinhança.
Raul Seixas partiu há 20 anos, mas continua muito vivo Foto: Divulgação / Paulo Ricardo Botafogo
Na sexta-feira (21), faz 20 anos da morte do maior roqueiro que a
Bahia já teve: Raul Seixas (1945-1989). E, em toda Salvador (a que
existia na juventude dele, com 500 mil habitantes), prédios e casas
guardam memórias do maluco beleza que se transformou num dos mitos do
BRock.
O amigo Thildo Gama, alguns dias mais velho do que ele,
relembra o que Raul gostava de fazer naquela época: “Ele era apaixonado
por cinema. Entrava às 14h e só saía às 22h”. Os cinemas eram o
Aliança, Popular, Jandaia, Glória, Pax e Guarany. Salas antigas, comuns
na bucólica cidade da Bahia dos anos 60.
Raulzito nasceu num casarão na Avenida Sete de Setembro, onde
ficou dois meses. Depois, foi para a casa da família em Monte Serrat.
Os Seixas ainda tinham um reduto em Dias d’Ávila, onde o futuro ídolo
se divertia nas águas do Rio Imbassaí.
Casa da infância de Raul, em Monte Serrat, virou creche Foto: Angeluci Figueredo
No Colégio Ipiranga, na Ladeira do Sodré, Thildo e Raul estudaram
juntos. E o maluco beleza dava um trabalho danado. Repetiu a segunda
série do ginásio seis vezes. “Ele era bom de inglês, mas não tinha saco
para ficar ouvindo professor. Filava aula e ia para minha casa”, conta
Thildo.
De acordo com ele, só o visual era de bad boy. O roqueiro era
cheio de medos: multidão, policiais, brigas, doenças... Uma gripezinha
e ele já estava na cama, debaixo de lençóis.
Brega
Raul começou na música muito cedo, aos 10/11 anos. Com Thildo e
Enelmar Chagas, formou os Relâmpagos do Rock, a primeira banda. Naquela
época, o roqueiro já morava no Edifício Nossa Senhora das Graças.
Anos mais tarde, vieram Os Panteras. A concentração da turma
era na Praça da Piedade. De lá, podia-se ir a bares como o Anjo Azul,
no qual ele se sentia à vontade, ou o Good Neighbour Club, no Corredor
da Vitória, onde hoje funciona a Acbeu. Outro ponto era a boate Monte
Carlo, na Praça da Sé. “Ele gostava de ir para o brega, encontrar com
as graxeiras. Elas, sim, gostavam de rock”, revela Thildo, que guarda a
mágoa pelo fato de o amigo não ter sido devidamente reconhecido por
aqui quando vivo.
Um dos pontos mais festejados da época era o Cine Roma. Lá,
nos Panteras, Raul tocou como banda de apoio para o jovem Roberto
Carlos, já sensação no país inteiro.
Cine
Roma, em 1198, já em estado de degradação. O local foi muito
frequentado pela juventude baiana dos anos 60. Raul era um daqueles
jovens loucos pelo rock. No mesmo espaço, ele se apresentou várias
vezes e acompanhou Roberto Carlos Foto: Arquivo
Após a morte do mito, os fãs tentaram transformar o local no Espaço
Cultural Raul Seixas, mas não conseguiram. Independentemente disso, os
vestígios do ídolo continuam na cidade, em meio à falta de um maior
cuidado com a cultura rocker, algo que não mudou nesses 20 anos sem
Raul.
Livro conecta Raul à filosofia
Tudo começou como um trabalho de conclusão de curso de
psicologia. Mas o assunto se tornou tão interessante que ganhou novos
contornos e virou livro. Escrito por Mário Lucena, Laura Kohan e Igor
Zinza, Raul Seixas - Metamorfose ambulante traz uma nova visão sobre o
pensamento e o processo de composição do mito.
Livro conecta Raul à filosofia
“A morte está muito presente em analogias nos textos de
Raul. Eles contêm sacadas de grandes pensadores”, revela Sylvio Passos,
52, fundador do maior fã-clube do roqueiro e coordenador da publicação.
Ele ajudou a tornar o livro mais acessível: “É uma ferramenta para
conhecer mais a essência de Raul”.
O livro estabelece conexão do pensamento de Raul com o
alemão Schopenhauer (1788-1860), como o conceito de ‘trem’, palavra
usada em músicas do cantor como Trem das sete e A hora do trempassar.
Além dele, de acordo com o livro, o baiano baseou-se em
Sartre, Pitágoras e Crowley para escrever suas letras (boa parte feita
em parceria com Paulo Coelho).
Música inédita do mito roqueiro é resgatada
Mesmo 20 anos depois da sua morte, os fãs de Raul Seixas ainda são
surpreendidos. Numkit especial que chega às lojas na próxima semana, o
produtor carioca Marco Mazzola, 59, resgatou uma gravação inédita feita
pelo cantor em 1974. “Ele e Paulo Coelho escreveram a letra para uma
novela da Globo, O rebu”, lembra.
Kit traz música inédita
Mazzola pediu a Raul para gravar uma demo de Gospel em cassete e a
música acabou sendo censurada pelo regime militar. Com o uso de novas
tecnologias de áudio, o produtor refez a melodia e deu maior qualidade
à voz de Raulzito. O guitarrista Roberto Frejat, inclusive, participou
do projeto. “É um trabalho de persistência que venho fazendo desde
1998”, revela Mazzola. O kit traz CD com canções gravadas por Raul em
inglês e um DVD com vídeos especiais.
Documentário chega aos cinemas no início de 2010
O documentário Raul - O início, o fim e o meio, dirigido por Walter
Carvalho e Evaldo Mocarzel, está previsto para chegar aos cinemas em
janeiro. Quem faz a previsão é Sylvio Passos, que participou de toda a
produção como consultor.
“Já está com as gravações 95% acabadas. A gente fazia uma previsão
para novembro ou dezembro, mas ele deve mesmo chegar só no começo do
ano que vem”, afirma.
O filme terá depoimentos das principais figuras que conviveram com
Raulzito, como o escritor Paulo Coelho, o amigo Thildo Gama, as
ex-mulheres, as filhas e os antigos companheiros de banda.
Sylvio Passos garante que haverá uma première com toda a pompa
merecida nas principais capitais do país. No segundo semestre de 2010,
o DVD de Raul - O início, o fim e o meio trará como extras um outro
disco de bônus, com imagens 100% inéditas.
Os brasileiros "Insolação", de Daniela Thomas e Felipe Hirsch, e "Viajo Porque Preciso. Volto Porque Te Amo", de Marcelo Gomes e Karïm Aïnouz, foram selecionados para a 66ª edição do Festival de Cinema de Veneza, que será realizado entre 2 e 12 de setembro na cidade italiana.
O primeiro filme fala da solidão e das dificuldades de se morar em uma grande metrópole, no caso, Brasília. O outro conta a história de uma viagem para o Sertão nordestino. Ambos serão exibidos na mostra Horizontes.
Este ano, o festival terá 80 filmes de 25 países, sendo que 48 participarão na seção principal que disputa o ambicionado Leão de Ouro. Na mostra competitiva, figurarão nomes como os de Giuseppe Tornatore ("Baaria"), Michael Moore ("Capitalism: a Love Story"), George Romero ("Survival of the Dead") e Todd Solondz ("Life During Wartime").
Com o maior número de produções, o cinema italiano estará presente com 22 filmes em Veneza. Em seguida, aparecem os norte-americanos, com 17 títulos.
O diretor do júri será o premiado cineasta Ang Lee ("Brokeback Mountain"). O festival vai conceder o Leão pelo Conjunto da Obra ao americano John Lasseter, renomado animador e diretor dos estúdios da Pixar.
Segundo o diretor do festival, Marco Müller, a presença de poucos filmes latino-americanos nesta edição é explicada pelo calendário de lançamentos desses países, que costumam apresentar suas produções no primeiro semestre e, por isso, preferem o Festival de Cannes, na França.
Confira a lista de selecionados: Seção oficial Baaria, de Giuseppe Tornatore (Itália) Soul Kitchen, de Fatih Akin (Alemanha) La Doppia Ora, de Giuseppe Capotondi (Itália) Accident, de Cheang Pou-Soi (China/ Hong Kong) Persecution, de Patrice Chereau (França) Lo Spazio Bianco, de Françasca Comencini (Itália) White Material, de Claire Denis (França) Mr. Nobody, de Jaco van Dormael (França) A Single Man, de Tom Ford (EUA) Lourdes, de Jessica Hausner (Áustria) Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, de Werner Herzog (EUA) The Road, de John Hillcoat (EUA) Between Two Worlds, de Vimukthi Jayasundara (Sri Lanka) The Traveller, de Ahmed Maher (Egito) Lebanon, de Samuel Maoz (Israel) Capitalism: a Love Story, de Michael Moore (EUA) Women Without Men, de Shirin Neshat (Alemanha) Il Grande Sogno, de Michele Placido (Itália) 36 vues du Pic Saint Loup, de Jacques Rivette (França) Survival of the Dead, de George Romero (EUA) Life During Wartime, de Todd Solondz (EUA) Tetsuo The Bullet Man, de Shinya Tsukamoto (Japão) Prince of Tears, de Yonfan (Hong Kong)
Seção Horizontes Insolação, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch (Brasil) Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz (Brasil) Françasca, de Bobby Paunescu (Romênia) (filme de abertura) One-Zero, de Kamla Abou Zekri (Egito) Buried Secrets, de Raja Amari (Tunísia) Tender Parasites, de Christian Becker e Oliver Schwabe (Alemanha) Adrift, de Bui Thac Chuyen (Vietnã) Crush, de Petr Buslov, Aleksei German Jr., Borisd Khlebnikov, Kirill Serebrennikov, Ivan Vrypayev (Rússia) Repo Chick, de Alex Cox (EUA) Engkwentro, de Pepe Diokno (Filipinas) The Man‘‘s Woman and Other Stories, de Amit Dutta (Índia) Paraiso, de Hector Galvez (Peru) Io sono l‘‘amore, de Luca Guadagnino (Itália) 1428, de Du Haibin (China) Cow, de Guan Hu (China) Judge, de Liu Jie (China) Pepperminta, de Pipilotti Rist (Suíça) Tris di Donne e Abiti Nunziali, de Martina Gedeck (Itália) Once Upon A Time Proletarian: 12 Tales of a Country, de Guo Xiaolu (China) Villalobos, de Romuald Karmakar (Alemanha) Il Colore delle Parole, de Marco Simon Puccioni (Itália) The One All Alone, de Frank Scheffer (Holanda) Toto, de Peter Schreiner (Áustria)
Fora de competição REC 2, de Jaume Balaguero, Paco Plaza (Espanha) Chengdu, I Love You, de Fruit Chan, Cui Jian (China) The Hole, de Joe Dante (EUA) The Men Who Stare at Goats, de Grant Heslov (EUA) Scheherazade, Tell Me a Story, de Yousry Nasrallah (Egito) Yona Yona Penguin, de Rintaro (Japão) The Informant!, de Steven Soderbergh (EUA) Napoli Napoli Napoli, de Abel Ferrara (Itália) Anni Luce, de Françasco Maselli (Itália) L‘‘oro di Cuba, de Giuliano Montaldo (Itália) Prove per Una Tragedia Siciliana, de John Turturro, Roman Paska (Itália) South of the Border, de Oliver Stone (EUA)
A reunião de dois gigantes da literatura brasileira, Chico
Buarque e Milton Hatoum, na noite desta noite, na 7ª Festa Literária
Internacional de Paraty, não foi exatamente um debate, como estava programado,
mas um verdadeiro encontro, no sentido mais amplo da palavra. Nele, ambos
reconheceram semelhanças extraordinárias em seus respectivos livros. Num caso
único de simbiose na literatura contemporânea brasileira, dois livros, "Órfãos
de Eldorado", de Milton Hatoum, e "Leite Derramado", de Chico Buarque, estavam
sendo pensados ao mesmo tempo com um objetivo muito parecido: usar a memória
centenária de um narrador para traçar um panorama histórico do País.
O livro de Hatoum foi publicado antes e Chico revelou que, ao ler a história
de Estiliano, personagem criado pelo escritor amazonense, sua reação foi:
"Diabos, esse cara copiou meu livro". Depois se deu conta que "Leite Derramado"
não tinha sequer título e ainda estava sendo escrito. Hatoum teve reação
semelhante quando saiu o livro de Buarque: "Mas essa é a história que eu contei
para o Chico". Não se trata de plágio, evoque-se. Os dois realmente contaram
histórias um para o outro em ocasiões anteriores, esqueceram-se delas, voltaram
a lembrar e adaptaram episódios que lhe pareceram mais interessantes.
No caso de Hatoum, a recomendação da editora escocesa que lhe encomendara a
novela tinha sido clara: queria que fosse baseada num mito amazônico. Uma novela
condensada. Buarque não tinha qualquer compromisso com a editora brasileira de
ambos, a Companhia das Letras. Passou um ano e meio pesquisando e lembrando
histórias contadas pelo pai, o historiador Sérgio Buarque de Holanda - ele
confessa que nunca foi um bom leitor de história. Como Hatoum, buscou a concisão
e revelou que poderia ter escrito uma novela de 20 páginas, não fosse seu
narrador um homem centenário cuja memória já está mais prejudicada de que a de
Delphine Seyrig no filme "O Ano Passado em Marienbad", de Resnais.
Na velhice, como diz o velho narrador de Chico, "a gente dá para repetir
casos antigos" e, na fosse tão falha a memória do carcomido aristocrata à beira
do túmulo, ele não precisaria de 150 páginas para contar como mudou a história
do Brasil neste último século para que tudo permanecesse exatamente igual, do
preconceito racial à corrupção. Chico brincou com o amigo Hatoum, lembrando que
esse narrador lhe azucrinou a vida durante um ano e meio, tirando seu sono e
deixando ao escritor como herança uma perna quebrada. Assustado como a ficção
tomava conta de sua vida real, o cantor e compositor deve ter encurtado a novela
para se livrar do velho narrador azarento.
"Guimarães Rosa também engavetou um livro sobre um velho habitante de um
casarão", lembrou Chico, citando "A Fazedora de Velas", que o autor de "Grande
Sertão: Veredas" conservou durante anos no fundo de uma gaveta. "Rosa ficou com
a mesma doença do seu velho e depois reconheceu o casarão que ele imaginou numa
viagem a Minas". Chico, admite, encurtou o livro por precaução, ou por acreditar
na observação de Octavio Paz evocada por Hatoum, de que o romancista é o
biógrafo de espectros. "Fiquei um ano e meio ouvindo a voz do meu narrador e foi
difícil me despir dele, porque, apesar de seus preconceitos, acabei tendo certa
empatia por ele", revelou Chico, numa noite de surpreendente verborragia, ele
que detesta entrevistas e odeia falar de seus livros.
Mais de 800 pessoas disputaram um lugar na Tenda dos Autores, em Paraty, para
ouvir Chico Buarque e Milton Hatoum num debate mediado pelo professor de
literatura Samuel Titan Jr., que falou das semelhanças entre os livros e das
referências adotadas por cada um deles, Hatoum enumerou algumas: Mario de
Andrade, Manuel Bandeira, Kaváfis e Mário Sá-Carneiro. Chico teria demorado
mais: só pelo navio criado por ele em "Leite Derramado" desfilam figuras
históricas como Santos Dumont, Josephine Baker e o arquiteto da modernidade, Lê
Corbusier. Resta ao leitores montar esse mosaico. Informações do Estadão.
Foi com a canção "Emoções" que o cantor
Roberto Carlos abriu o show comemorativo de seu 68º aniversário e de 50 anos de
carreira em sua cidade natal, Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. Depois
de receber os parabéns dos filhos e cortar um bolo no palco, Roberto Carlos
encerrou a festa com a canção "Jesus Cristo", seguida de uma chuva confetes e
fogos de artifício.
A apresentação começou às 20h40 no Estádio do Sumaré e tinha na platéia todos
os filhos do Rei - Dudu, Ana Paula e Luciana Braga, que veio da Inglaterra para
ver o show do pai - além de seu irmão, Carlos Alberto, e da irmã e da mãe de sua
última mulher, Maria Rita.
O cantor subiu ao palco com camisa branca e blazer e calça verde claros.
Depois de cantar "Emoções", o Rei falou para a plateia de 12 mil pessoas:
- Eu me sinto como se estivesse começando minha carreira hoje. Obrigado.
Depois, o Rei cantou "Detalhes" ao violão, comovendo o público. Seus maiores
sucessos fizeram parte do repertório da apresentação, que foi interrompida por
volta das 22h30 para um emocionado "Parabéns para você" no palco, com a presença
de todos os filhos de Roberto.
O cantor chorou com a homenagem, cortou o bolo - com cobertura branca e uma
vela com o número 1 - e comeu uma fatia. O primeiro pedaço foi para sua
secretária particular, Carminha, mas Roberto Carlos fez questão de dar uma fatia
para a plateia.
- Vou voltar sempre aqui para comer bolo com vocês - prometeu.
Em seguida, o cantor apresentou a música "Jesus Cristo", que foi acompanhada
por uma bela chuva de confetes e de fogos de artifício com 10 minutos de
duração, encerrando a apresentação. Ao fim do show, o Rei jogou rosas brancas e
vermelhas para a plateia e recebeu presentes dos fãs.
Chegada
Uma multidão de cerca de 400 pessoas, entre moradores e fãs, recepcionou
Roberto Carlos com faixas e cartazes na chegada do cantor a Cachoeiro de
Itapemirim, sua cidade natal. O Rei chegou em um jatinho particular ao Aeroporto
Municipal Raimundo de Andrade às 17h deste domingo, com uma hora de atraso com
relação ao horário previsto.
No lobby do aeroporto, Roberto Carlos falou rapidamente com jornalistas e se
disse muito emocionado com a recepção calorosa de seus conterrâneos:
- Para mim é uma emoção muito grande receber esse carinho. É uma questão de
amor muito séria. O coração está batendo forte. É uma emoção muito grande fazer
esse show aqui.
O cantou também comentou sobre os 14 anos longe dos palcos de Cachoeiro, mas
disse não está há tanto tempo sem ir à cidade:
- Uma vez fui a Vitória e dei um pulinho aqui. Sempre que dá tempo, revejo os
amigos. Este não será meu último show em Cachoeiro. Muitos outros virão.
Ele ainda fez brincadeiras com o título de Rei:
- Ser rei eu não sei. O que sei é cantar - afirmou.
Roberto Carlos fica em Cachoeiro de Itapemirim até a tarde desta
segunda-feira, quando deve retornar ao Rio. Até lá, ele fica hospedado em um
hotel da cidade junto com seus familiares, que vieram para o município para
participar da homenagem ao Rei. O Globo.
Como centenas ou até milhares de prefeitos eleitos em todo o País, Elias Gomes (PSDB) tomará posse na quinta-feira sem informações essenciais sobre os contratos, os serviços e as contas do município - no caso dele, Jaboatão dos Guararapes, a segunda maior cidade de Pernambuco. "Primeiro a prefeitura se recusou a indicar uma equipe de transição. Nós reclamamos, eles criaram um grupo e depois o destituíram. Todo o calendário da transição foi descumprido, e só recebemos dados vagos e imprecisos", relatou.
Gomes chegou a pedir ao Tribunal de Contas do Estado uma auditoria especial na prefeitura, sem sucesso. Não conseguiu obrigar a atual gestão a abrir seus dados, por falta de lei municipal sobre a transição. Não é um caso isolado. A falta de regras claras e uniformes faz com que o processo dependa da boa vontade das partes - o que é raro, principalmente logo depois de campanhas eleitorais que acirram rivalidades políticas.
O efeito prático da falta de diálogo e transparência é a interrupção de serviços essenciais. Em Jaboatão, por exemplo, o prefeito eleito cogita adiar o início das aulas por falta de dados sobre os alunos e as escolas - algumas, segundo ele, apresentam risco de desabamento.
Para evitar situações como essa, a Presidência da República prepara uma lei que dará caráter institucional às transições, não apenas no âmbito federal, mas também em Estados e municípios. O projeto deve ser encaminhado ao Congresso ainda em 2009.
"O objetivo é garantir a continuidade dos serviços, independentemente da troca de governo. O nível de institucionalidade do processo é insuficiente. Ainda se vê como natural a sonegação de informações", afirma Olavo Noleto Alves, da Subchefia de Assuntos Federativos, órgão vinculado à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência.
Os percalços das transições não se resumem à falta de transparência. Segundo Alves, a secretaria tomou conhecimento de situações em que há "sumiço" de equipamentos, como CPUs de computadores, cartuchos de impressoras e até pneus de carros oficiais.
Os problemas mais graves se dão em municípios pequenos, onde inexiste fiscalização da imprensa e de órgãos oficiais. Um prefeito eleito do interior de Pernambuco, cuja identidade Alves não revelou, teria sido ameaçado de morte ao pedir informações ao atual detentor do cargo.
QUESTÃO CULTURAL
O governo de São Paulo, por meio do Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal (Cepam), também atua para contornar o vácuo legal das transições. O órgão lançou, logo depois das eleições, uma espécie de manual com diversos modelos de decretos ou leis municipais que formalizam o processo e estabelecem regras para o fluxo de informações entre a gestão que se encerra e a que começa.
"No Brasil não há cultura de transição", constata Felipe Soutello, presidente do Cepam. "Não podemos deixar que brigas políticas contaminem o processo. Passar o bastão de forma organizada é algo que tem de ser visto como obrigação, como parte do rito do cargo."
Soutello destaca que são os cidadãos, e não os políticos, os que mais sofrem os efeitos de transições conturbadas. E cita três exemplos de informações essenciais a que o prefeito eleito precisa ter acesso para evitar prejuízos à população: "Como estamos em época de enchentes, é preciso avaliar a limpeza dos bueiros e bocas-de-lobo. É fundamental checar os estoques da Defesa Civil. E, como a volta às aulas está próxima, é necessário conferir se a merenda escolar está devidamente contratada e se os pagamentos estão em dia".
A iniciativa federal de regular as transições terá de ser feita de forma a não ferir a autonomia dos Estados e municípios, prevista na Constituição, sob pena de naufragar no Congresso ou acabar anulada pelo Supremo Tribunal Federal.
Uma das alternativas em estudo na Secretaria de Relações Institucionais é estabelecer, em lei, que cada Estado e município deverá criar suas próprias regras de transição em um determinado prazo. Assim seria atingido o objetivo de formalizar o processo e, ao mesmo tempo, a autonomia federativa seria preservada.
A transição no âmbito federal já tem regras claras, graças a uma medida provisória transformada em lei, editada no final de 2002 por iniciativa do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
A MP, editada após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criou 50 cargos temporários para a equipe de transição do presidente eleito. O custo estimado foi de R$ 850 mil.
A cidade de São Paulo também já tem uma lei de transição, proposta pelo vereador Tião Farias (PSDB) e aprovada pela Câmara Municipal em 2005. A lei, porém, não foi regulamentada pelo então prefeito José Serra (PSDB) nem pelo seu sucessor, Gilberto Kassab (DEM), apesar de estabelecer um prazo de 60 dias para a decretação das normas necessárias. "Meu objetivo foi evitar que briguinhas políticas prejudicassem a população", afirmou o vereador.
O Estado procurou o atual prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Newton Carneiro (PRB), para que ele se manifestasse sobre as críticas de seu sucessor. A assessoria de imprensa disse apenas que as informações solicitadas por Elias Gomes foram transmitidas a ele e que o prefeito não comentaria o caso. A assessoria passou ainda o número do celular de Fernando Freire, da equipe de transição, que não respondeu aos recados da reportagem. Informações do Estadão.
O radialista, jornalista e estudioso da música popular brasileira Osmar Frazão inaugura um site na internet com o melhor da canção nacional. Em www.historiasdofrazao.com.br o internauta terá acesso a histórias exclusivas, muitas inéditas, sobre os autores, cantores e artistas da Era de Ouro da música brasileira, as primeiras décadas do século 20.
O site é mais uma iniciativa do jornalista para resgatar parte da cultura nacional. Assim como blog, o site de Frazão trará histórias exclusivas sobre os chamados “fundadores da música brasileira”, entre eles Francisco Alves, Noel Rosa, Pixinguinha, Radamés Gnatalli, Orlando Silva, Jorge Veiga, Ataulfo Alves, Mário Reis, Assis Valente, Custódio Mesquita, Emilinha Borba, Ary Barroso, Lamartine Babo e tantos outros que ajudaram a construir as bases da música popular de nosso país.
O novo site foi impulsionado pelo sucesso alcançado pelo blog que o jornalista começou no início do ano (www.diariodoosmarfrazao.blig.ig.com.br ) e que já conseguiu mais de cinco mil acessos. O blog não sairá do ar, será abrigado pelo novo endereço na Internet.
Com os novos sites, os internautas também terão a oportunidade de ver fotos raras de artistas da época, a maioria pertencente ao acervo pessoal de Frazão, que conta com mais de 400 fotos autografadas, além de entrevistas exclusivas, e ainda poderá ouvir músicas do período, grandes clássicos da canção brasileira, trechos de programas de rádio antigos entre outras atrações.
Atualmente, Osmar Frazão está no ar no rádio com dois programas: de domingo a sexta, de 6h às 7h da manhã, na rádio Roquete Pinto do Rio de Janeiro (94,1 Fm, www.fm94.rj.gov.br ), com o programa Saudade Boa de Sentir. E, aos domingos, de 9h às 11h, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro (1.130 Am, www.radiobras.gov.br/estatico/radio_nacional_rj.htm ), com o programa Histórias do Frazão.
O zelador de orixás, poeta e compositor Raul de Xangô lança, na próxima terça-feira, dia 2 de dezembro, a partir das 18h30, no Bar do Feitiço Mineiro (306 Norte), seu novo livro – Na Rua. Nascido em Natal (RN), Raul de Xangô, desde 1967, adotou Brasília como sua verdadeira nação. Mago, zelador de orixás, escritor, poeta e compositor fundou dois templos no Planalto Central: a Tenda Xangô Ayrá do Caboclo Itajacy e a Aldeia do Portão de Ferro, Templo de Lalu, Culto à Diana Caçadora, localizados no Núcleo Rural Capoeira do Bálsamo, nas imediações da ML 7, no Setor de Mansões do Lago Norte.
Durante quatro anos (de 1982 a 1985) foi colaborador do Correio Braziliense e, em 2000, escreveu uma coluna semanal no Jornal de Brasília. Participou, como personagem, de três filmes – A Idade da Terra, de Glauber Rocha; Brasília, A Última Utopia, de Pedro Anísio e Em Tempo de Glauber, de Roque Araújo – e foi personagem central de três documentários – Raul de Xangô – Visionários do Mundo, de Ana Cristina Costa e Silva (Dharma Filmes), Raul de Xangô – Um branco de alma negra, de Henrique Siqueira e Marieta Cazarré (Caza Filmes/IESB) e A vida e a magia de Raul de Xangô, de Érico Cazarré (Caza Filmes), esses dois últimos, fundidos num só – Raul de Xangô – foi exibido, na semana passada, na mostra competitiva do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Tem três livros publicados – Ori Axé – Cabeça Feita (Edições Lalu, 1988); 1994 - O Ano do Cão - Ou vai ou racha (Editora Thesaurus, 1994) e Tarô, o Baralho dos Deuses (Ícone Editora, 1995) e outros três prontos para publicação – Mistérios e Volúpia dos Orixás, Becos e Vielas da Alma e Magia do Cotidiano – Seja seu Próprio Mago.
Participou como palestrante e presidente de mesas do II Congresso Brasileiro de Etnopsiquiatria (Fortaleza, setembro de 2000) e do III Congresso Brasileiro de Terapia Comunitária (Fortaleza, setembro de 2005), promovidos pela Associação Brasileira de Etnopsiquiatria e Psiquiatria Social e pela Associação Brasileira de Terapia Comunitária.
O LIVRO
Para Raul de Xangô, a rua também é um templo. Nela ele circula com a mesma desenvoltura com que dirige seus rituais na Tenda Xangô Ayrá do Caboclo Itajacy ou com que rola dados e búzios e interpreta senhas, odus e mensagens dos Arcanos do Tarô em sua mesa de trabalho. Raul de Xangô é um mago em tempo integral. Seja no templo, na mesa de um bar ou nas ruas dessa Brasília mística. Raul não é um líder religioso, mas um mensageiro da religiosidade e da alegria de viver.
NA RUA é mais do que um livro. É a transcrição de uma conversa, de um bate-papo com amigos na mesa de um bar, onde o cardápio é intenso e variado. NA RUA você vai cruzar com poemas, pensamentos, conselhos, delírios, emoções, orações, opiniões, pitacos. Como se estivesse andando pela rua, cruzando com seus personagens misteriosos, mágicos ou profanos.
NA RUA de Raul de Xangô se fala da primavera, de futebol, de carnaval, de amor, de medos, de magia, de arte, de loucura, de pedras preciosas, de liberdade, de meses do ano, dias da semana, de cidades, de política e políticos e de orixás, encantados e éboras.
tudo isso temperado com citações de pensadores como Gide, Aristóteles, Emerson, Schopenhauer, Goethe, Fernando Pessoa e Eliphas Levy e apartes de seus parceiros de mesa e companheiros de conversa – Santiago Naud, Fragomeni, Newton Rossi, Zé Pereira, Fernando Lemos, Ary Pararraios, Jorge Mautner, Cláudio Lysias, entre outros.
SERVIÇO:
NA RUA – RAUL DE XANGÔ – Editora Thesaurus – 197 páginas – R$ 35,00. Mais Informações: 3033-3831 e 9975-2293
Zezé Di Camargo e Luciano passaram o dia de ontem no sofisticado Buddah Bar, dentro da ainda mais sofisticada Daslu, a multimarcas para milionários de São Paulo. Não tinham nada para comprar ali, mas para vender: seu 16º CD (Sony&BMG), batizado com o nome da dupla e que chega às lojas segunda-feira. Para eles, o disco tem cheiro de novo — e não apenas pelas razões óbvias. “O último ano foi muito louco. Pairou sobre a gente a dúvida se a dupla continuaria”, diz Luciano.
Internamente, os irmãos lidavam com um cisto congênito nas cordas vocais de Zezé, que poderia dar mesmo fim à dupla. Enquanto Zezé não era submetido a uma cirurgia, em janeiro, agüentaram quietos diversos boatos. “A fofoca no meio artístico é grande. Inventaram coisas e isso virou um turbilhão na minha cabeça”, lembra Zezé. “Disseram que fizemos show com playback. Essa foi uma maldade grande”, queixa-se Luciano, magoado. Quando, em agosto, a gravação de um DVD comprovou que Zezé estava recuperado, ele decidiu surpreender o próprio irmão. “Senti tanta confiança que mudei os planos. Entrei no estúdio e, três dias depois, liguei para a gravadora: ‘Vocês têm um disco inédito’”, conta. “E eu achando que íamos editar o DVD...”, ri Luciano.
Música e oração do Rei
A primeira música do disco é ‘À Distância’, de outra dupla famosa: Roberto e Erasmo Carlos. Ela vem precedida de um texto emocionado de Zezé, que confessa: “Eu estava perdendo um pouco de mim, estava perdendo a minha alegria, estava perdendo a minha voz”. “Esse texto é uma virada de página. Depois é que tudo recomeça”, conta Zezé, que, ainda convalescente ligou para Roberto. “Disse a ele que estava num momento de incerteza e pedi que me incluísse em suas orações”, diz o cantor.
Zezé ligou também para outro medalhão da música brasileira enquanto compunha o disco. “Caetano Veloso anotou no telefone a letra de ‘O Melhor É Dar Um Tempo’. Ficou de entregar a melodia, mas nunca fez”, conta. O motivo? Zezé só pode imaginar. “Preguiça, talvez? Mas o Caetano já está com a casinha dele pronta. A nossa ainda estamos construindo.”
Também inspirados por Roberto Carlos, Zezé e Luciano vão se aventurar em alto-mar. Em março, a bordo do transatlântico Costa Mágica, a dupla vai capitanear o cruzeiro ‘É o Amor’. “Serão três shows num passeio de quatro noites e três dias. Começamos em Santos e terminamos em Angra dos Reis”, explica Zezé.
Será a primeira vez que a dupla fará shows desse tipo. “Vai ser muito bom cantar no barco”, prevê Luciano. O irmão mais velho o corrige. “Não diz barco, que vai parecer que é pequeno! É um navio!”, ri. “Ah, pra mim é tudo barco!”, emenda Luciano, distante léguas do clima afetado da Daslu e de seu Buddah bar. Informações de O Dia.