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Brasília, 07 de Março de 2010. Ano: 6

 
OPERAÇÃO CAIXA DE PANDORA - DISTRITO FEDERAL
Em carta, Arruda critica deputados por abrirem processo de impeachment
 

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online


Em carta encaminhada à Câmara Legislativa do Distrito Federal, o governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) criticou a decisão dos deputados distritais de darem andamento ao processo de impeachment contra ele.

Arruda afirmou que Câmara não poderia votar a abertura de impeachment porque questiona no STF (Supremo Tribunal Federal) a decisão da Justiça local que determinou a posse de suplentes para substituir deputados suspeitos de participação no esquema de arrecadação e pagamento de propina da análise do processo.

Esse foi um dos argumentos utilizados na sexta-feira pelo governador para se recusar a assinar a notificação de abertura de impeachment contra ele --o que dá início à contagem do prazo de 20 dias para que Arruda apresente defesa no caso.

"Além disso sabem que a suspensão da tutela antecipada nº 413, ajuizada pela própria Câmara Legislativa do DF, já está conclusa, com parecer do Ministério Público Federal para julgamento do presidente do Supremo Tribunal Federal. Claro está que não pode, a mesma Casa Legislativa que submeteu uma decisão sua à Suprema Corte, tomar a referida decisão antes de obter a resposta definitiva propugnada", disse.

No documento, Arruda sustenta que o processo de impeachment apresenta irregularidades porque não inclui, por exemplo, cópia completa do inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que investiga o esquema de corrupção. Para Arruda, sem acesso ao material, sua defesa fica prejudicada.

"Ora, se a acusação não está completa, não há como iniciar o prazo de defesa. Por isso, solicito aos srs. deputados que reiterem ao STF o pedido para que forneça cópia integral do inquérito 650/STJ, inclusive, com todas as fitas e respectivas perícias e ainda com os documentos apreendidos nas operações de busca, que serão parte integrante de minha defesa", disse.

Arruda afirmou ainda que a resistência em assinar a notificação é para "evitar a nulidade do processo e de se buscar ampla e irrestrita investigação sobre todo".

Notificação

Os deputados distritais devem discutir na segunda-feira como será feita a notificação. O primeiro-secretário, Batista das Cooperativas (PRP), disse que só volta à Polícia Federal para tentar notificar Arruda, se houver uma deliberação da Mesa Diretora da Câmara.

O presidente interino da Câmara Legislativa, Cabo Patrício (PT), não quer discutir a questão e afirmou que o governador afastado terá que recebê-la mesmo que à revelia.

O advogado de Arruda, Nélio Machado, saiu em defesa da postura de seu cliente. "Ele não quer fazer meia defesa, ele quer fazer defesa plena como garante e assegura a Constituição Federal", afirmou.

Na prática, a estratégia da defesa permite a Arruda ganhar tempo no processo de impeachment aberto na Câmara Legislativa. Depois de notificado, o governador tem o prazo de 20 dias para apresentar defesa no processo.

A expectativa é de que o impeachment seja votado em plenário em abril. Na quinta-feira, por 19 votos a favor e nenhum contrário, a Câmara aprovou parecer da comissão especial que pede abertura de impeachment, abrindo prazo para a defesa de Arruda. No mesmo dia, o STF rejeitou o pedido de liberdade, mantendo Arruda preso na Superintendência da Polícia Federal, onde está desde o dia 11 de fevereiro.

Confira a íntegra da carta enviada aos deputados:

"Srs. deputados,

Não tenho como receber o documento em questão, vez que ele não traz o inteiro teor do inquérito 650/STJ, que é a base de todos os pedidos de impeachment em análise.

Ora, se a acusação não está completa, não há como iniciar o prazo de defesa. Por isso, solicito aos Srs. Deputados que reiterem ao STF o pedido para que forneça cópia integral do Inquérito 650/STJ, inclusive, com todas as fitas e respectivas perícias e ainda com os documentos apreendidos nas operações de busca, que serão parte integrante de minha defesa.

Além disso sabem S. Exmo. que a suspensão da tutela antecipada n°413, ajuizada pela própria Câmara Legislativa do DF, já está conclusa, com parecer do Ministério Público Federal para julgamento de S.Exmo o presidente do Supremo Tribunal Federal.

Claro está que não pode, a mesma Casa Legislativa que submeteu uma decisão sua à Suprema Corte, tomar a referida decisão antes de obter a resposta definitiva propugnada.

Deixo de fazer referência à prisão preventiva que por tê-los agora como testemunhar das limitações que estou submetido. No intuito de evitar a nulidade do processo e de se buscar ampla e irrestrita investigação sobre todo e não apenas sobre parte, peço deferimento, com os respeitos devidos",

José Roberto Arruda."

 
Da Redação  em  07/03/2010- 20:50:32
 
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DITADURA MILITAR
Comissão de Anistia julga casos de mulheres
 

Na próxima segunda-feira (8/3), a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça decidirá o destino de 15 mulheres que combateram e foram perseguidas pela ditadura militar. Em sessão de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, as integrantes femininas da comissão analisarão 15 processos de mulheres tiveram pais, irmãos e maridos vítimas da repressão militar e decidirão se concede anistia e reparação financeira. As informações são do G1.

"A ideia é aproveitar a data do Dia da Mulher para destacar as peculiaridades do sofrimento das mulheres na repressão e também fazer uma reflexão do papel das mulheres nessa época", disse, disse o presidente da Comissão, Paulo Abraão.

Nos casos em que ficar comprovado perseguição política, a indenização pode ser tanto em formato de pensão mensal vitalícia com o pagamento de atrasados referentes aos últimos cinco anos antes da entrada do processo no Ministério da Justiça, quanto uma prestação única. A primeira só pode ser concedida quando há provas de vínculo empregatício na época em que começou a ser perseguido. O outro tem seu valor limitado em R$ 100 mil e é paga para quem era, por exemplo, estudante na época em que foi perseguido pela ditadura militar.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 20:38:45
 
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OPERAÇÃO CAIXA DE PANDORA - DISTRITO FEDERAL
Ex-secretário diz que PF "tortura" aliados de Arruda
 

Josie Jeronimo, do R7
   
O deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF), ex-secretário de Transportes do Distrito Federal, afirmou neste domingo (7) que a PF (Polícia Federal) está adotando uma estratégia para forçar ex-autoridades presas por envolvimento no escândalo que ficou conhecido como mensalão do DEM a delatarem o governador afastado José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido).

De acordo com Fraga, a família do ex-secretário de comunicação Wellington Moraes foi impedida de levar roupas íntimas para ele, que está preso desde o dia 12 de fevereiro na Penitenciária da Papuda.

- O Wellington ficou dez dias com a mesma cueca, porque não podia receber roupa íntima. Isso para mim é tortura, uma forma de você pressionar para eles falarem alguma coisa. Você não pode tocar, não pode cumprimentar nenhum dos cinco que estão presos lá. Botaram a roupa de interno neles.

O R7 procurou a PF e a administração da Papuda para ouvir esclarecimentos sobre a situação dos presos, mas não obteve resposta.

Moraes, o ex-deputado Distrital Geraldo Naves (DEM), o servidor público aposentado Antônio Bento, Rodrigo Arantes, sobrinho de Arruda, e o ex-diretor da CEB (Companhia Energética de Brasília) Haroaldo Carvalho estão presos na Papuda desde a determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Eles são acusados de tentar subornar o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o Edson Sombra, testemunha do esquema de corrupção no DF.

O ex-secretário de Transporte reassume na segunda-feira (8) sua vaga na Câmara dos Deputados, no lugar do suplente Osório Adriano (DEM-DF). O parlamentar afirma que usará a tribuna da Câmara para denunciar os supostos maus tratos aos presos em decorrência da investigação Caixa de Pandora da PF e que vai comparar a atuação do DEM com a do PT nos escândalos que assolaram os dois partidos.

- Vou voltar à oposição ao governo Lula e denunciar o que encontrar pela frente. O que eu
não aceito é que hoje a gente vê uma crise muito grave em Brasília e os petistas agirem como se nunca tivesse acontecido isso na vida deles. Isso é muita cara de pau. Quando pediram o impeachment do Lula falaram em golpe. E não é golpe o que está acontecendo em Brasília?

De acordo com o secretário, apesar de deixar o governo, Fraga continuará a acompanhar as obras da secretaria, mesmo informalmente. A grande preocupação do parlamentar é o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), o carro-chefe da administração Arruda que integraria por meio de transporte ferroviário a Asa Sul à Asa Norte de Brasília.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 14:14:26
 
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CINEMA
Oscar 2010 promete cerimônia com disputa turbulenta
 

James Cameron ou Kathryn Bigelow? Avatar ou Guerra ao Terror? Meryl Streep ou Sandra Bullock? George Clooney ou Jeff Bridges? Hollywood vive momentos de ansiedade. A dois dias da entrega dos prêmios da Academia de Hollywood para os melhores do cinema em 2009, astros e estrelas finalizam os preparativos para a festa de domingo. Armanis e Gallianos já foram (a)provados. Um dos indicados para melhor ator, Colin Firth, vai vestir um modelo exclusivo do estilista que também é seu diretor, Tom Ford. Isso é inédito no Oscar.

A academia mudou as regras do prêmio para tornar a festa mais atraente. No ano passado, o show, transmitido pela TV, teve a terceira pior audiência da história e a academia teve de arcar com o prejuízo. A festa custou US$ 31 milhões e os anunciantes desertaram, seguindo a mais básica das leis do mercado. Por que anunciar em algo que o público não quer ver? A academia aumentou o número de concorrentes a melhor filme justamente para aumentar o leque do interesse da plateia. O show, mais do que nunca, não pode parar. Recuperar a audiência é palavra de ordem.

É mais fácil encontrar o que torcer entre dez indicados. Mas, se a ideia era consagrar êxitos de bilheteria, a disputa vai ser entre o recordista Avatar, que arrecadou mais de US$ 2 bilhões em todo o mundo, e um filme tão miúra, Guerra ao Terror, que só foi descoberto pelo público depois que começou a enxurrada de prêmios dos críticos e das ‘ligas’. Os indies continuam dando as cartas, que o diga Preciosa. Apenas um dos dez indicados para melhor filme ainda não estreou no Brasil, Um Sonho Possível. De resto, o espectador poderá passar o fim de semana (re)vendo os concorrentes. Up - Altas Aventuras e Distrito 9 já estão até em DVD. Avatar faturou 135 vezes mais do que o filme de Kathryn Bigelow, mas vai ser difícil Cameron se reafirmar como rei do mundo. Nenhum filme vencedor do prêmio das ligas dos produtores, diretores e roteiristas deixou de ganhar o Oscar principal. Guerra ao Terror obteve essa unanimidade. Kathryn é favorita. Mas o que fazer com o megassucesso de Avatar? Dividir os prêmios de melhor filme e direção?

Faltando pouco para a abertura dos envelopes, só a animação, Up, e os melhores coadjuvantes - Christopher Waltz, de Bastardos Inglórios, e Mo’Nique, de Preciosa - se antecipam como vencedores indiscutíveis. A Fita Branca, de Michael Haneke, é forte concorrente para melhor filme estrangeiro. É pena que Um Profeta, de Jacques Audiard, ainda não esteja em cartaz. Poderia ser mais uma dúvida. Haneke ou Audiard? Haneke. Veja, faça suas apostas e aperte os cintos. A noite de domingo vai ser turbulenta, promete surpresas. (Luiz Carlos Merten)
 
E o melhor dos indicados ao Oscar talvez não ganhe nada...

A disputa do Oscar 2010 virou uma espécie de Davi X Golias. Avatar, o gigante, já é o filme que mais arrecadou em toda a história (mas ainda não é o de maior público). Guerra ao Terror, o Davi da vez, passa muito longe disso. Apenas para ficar em números brasileiros: até agora Avatar teve 8,5 milhões de ingressos vendidos (cerca de R$ 96 milhões arrecadados) contra um público de 63 mil espectadores (pouco mais de R$ 600 mil) de Guerra ao Terror, segundo dados do Portal Filme B, especializado em mercado cinematográfico.

A disparidade é enorme. Mas, talvez, como no relato bíblico, o menor derrote o maior. Os sinais já estão surgindo aqui e ali. O último deles foi a grande vitória que Guerra ao Terror infligiu sobre Avatar no Bafta, o prêmio do cinema inglês.

Pode, portanto, se dar neste Oscar o que já aconteceu tantas vezes na história da premiação da Academia, ou seja, que o melhor filme do ano fique sem reconhecimento. Refiro-me ao inteligente, surpreendente e inspirado filme dos irmãos Ethan e Joel Coen, Um Homem Sério, lançado modestamente a semana passada no Brasil. Com apenas duas indicações (filme e roteiro), o que fará esse nanico diante das nove indicações cada um que têm Avatar, de James Cameron, e Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow?

Provavelmente nada. No entanto, em termos de cinema, deixa os dois no chinelo. É o mais autobiográfico trabalho dos Coen e põe em cena um homem atormentado da comunidade judaica de Minnesota que consulta três rabinos quando seu mundo desaba. Uma bela comédia dramática, filme para rir - e pensar, atividade que, como se sabe, não dói, dá prazer e não tem contraindicações. Mas cada vez menos o cinema comercial acredita nisso.

Boas apostas nas outras categorias são Carey Mulligan (Educação), como atriz, e Jeremy Renner (Guerra ao Terror) como ator. Morgan Freeman, como Mandela (em Invictus) também está no páreo. Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) e Mo’nique (Preciosa) são os prováveis vencedores como coadjuvantes. E A Fita Branca, impressionante trabalho de Michael Haneke sobre as raízes do autoritarismo, parece não ter concorrentes na categoria de filme estrangeiro. (Luiz Zanin Oricchio, do Estado de S.Paulo)

 
Da Redação  em  07/03/2010- 12:40:37
 
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CINEMA
Sandra Bullock ganha o Framboesa de Ouro de pior atriz no EUA
 

Sandra Bullock, uma das principais candidatas a levar o Oscar de Melhor Atriz neste domingo pelo drama ‘Um Sonho Possível‘, recebeu o prêmio Framboesa de Ouro de Pior Atriz, por sua atuação na comédia romântica ‘Maluca Paixão‘.
Segundo a fundação Golden Raspberry Award, que entrega esse prêmio satírico conhecido como o ‘anti-Oscar‘ da indústria cinematográfica, Bullock também ganhou o título de Pior Dupla em Cena do ano, junto ao companheiro Bradley Cooper no mesmo filme.

O Framboesa para Pior Ator foi vencido pelo trio musical Jonas Brothers, pela atuação deles mesmos no filme ‘Jonas Brothers 3D: O Show‘, com apresentações da banda em vários palcos do mundo. O filme de destaque do Framboesa foi ‘Transformers: A Vingança dos Derrotados‘, que se levou os títulos de Pior Filme, Pior Roteiro (Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman) e Pior Direção (Michael Bay) de 2009.

As piores atuações coadjuvantes foram para Billy Ray Cyrus, pai de Miley Cyrus, por ‘Hannah Montana: O Filme‘, e Sienna Miller, por ‘G.I. Joe: A Origem de Cobra‘. ‘A Terra Perdida‘, que conseguiu sete indicações, venceu como Pior Refilmagem, Prólogo ou Sequência. O Framboesa de Ouro também premiou os piores da década. Entre os filmes, venceu ‘A Reconquista‘, protagonizada por John Travolta. Já entre os atores, as honras foram para Eddie Murphy e Paris Hilton. Agência EFE.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 12:32:51
 
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MP pede quebra de sigilo de tesoureiro do PT
 

O Ministério Público Estadual de São Paulo pediu anteontem a quebra do sigilo bancário do novo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Os motivos são os indícios de envolvimento dele no chamado esquema Bancoop, no qual recursos da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo eram desviados e supostamente abasteciam campanhas eleitorais do PT. Foi solicitado o bloqueio das contas da Bancoop. Vaccari Neto foi presidente e diretor financeiro da cooperativa.

O caso é investigado desde 2006, e o inquérito já reúne mais de oito mil páginas de transações bancárias da cooperativa, entre 2001 e 2008. Segundo o MP, os recursos teriam sido usados para financiar, inclusive, a campanha de 2002 do presidente Lula. A análise parcial mostra que pelo menos R$ 31 milhões em cheques da Bancoop foram sacados no caixa e não há rastro do dinheiro, conforme revelou ontem a revista “Veja”. Vaccari assumiu a tesouraria do PT nacional mês passado e deve atuar na arrecadação de verbas para a campanha de Dilma Rousseff.

Segundo o promotor José Carlos Blat, a movimentação do dinheiro da Bancoop, dirigida, por Vaccari era concentrada em uma agência bancária, onde havia contas da cooperativa, dos diretores e das empresas fornecedoras envolvidas nas fraudes: — No começo, as contas da Bancoop eram organizadas, uma para cada prédio a ser construído.

Em 2002 e 2003, passam a usar uma ou duas contas e passam a existir as movimentações suspeitas, todas em uma determinada agência, onde também estavam as contas das empresas de fachada dos diretores.

A assessoria do PT informou que Vaccari não daria entrevista e que o partido se posicionaria em nota oficial. Em nota no site do PT, Vaccari aborda quatro itens. Diz que não há acusação contra ele e classificou a “Veja” como antiética, porque teria ficado seis meses investigando e não o ouviu na reportagem.

Vaccari negou envolvimento nas falcatruas. “Nunca houve nenhum tipo de acusação contra mim e não respondo a nenhum processo, civil ou criminal”. “Em relação à investigação (...), sempre nos colocamos à disposição das autoridades, agindo com total transparência, disponibilizando documentos e fazendo os esclarecimentos necessários à Promotoria e aos cooperados”. Informações de O Globo.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 12:24:03
 
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ELEIÇÕES 2010
PSDB ainda está estruturando a campanha
 

No Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, a ordem é manter silêncio sobre as estratégias e a equipe que comandará a campanha do governador José Serra (PSDB) à Presidência. Mas líderes do PSDB, até numa tentativa de pressionar Serra a anunciar logo sua candidatura, já confirmam nomes que deverão estar à frente da campanha. Tucanos do comando do partido admitem, porém, que o PSDB ainda está muito longe de montar estrutura tão grande como a já preparada pelo PT para a candidatura da ministra Dilma Rousseff.

Presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) é um dos que estarão na articulação, ao lado do deputado Jutahy Magalhães (BA) e de Andrea Matarazzo, este hoje um dos mais próximos do governador.

Também muito influentes junto a Serra, o secretário Aloysio Nunes Ferreira e o vice Alberto Goldmann terão papel importante, mas ainda não definido.

Presidente do PSDB municipal e secretário de Relações Institucionais do estado, José Henrique Reis Lobo será o coordenador da campanha de Serra. Já foi coordenador de três campanhas tucanas de sucesso: a de Alckmin ao governo do estado em 2002 e as de Serra em 2004 (para prefeito de São Paulo) e em 2006 (para governador). Em 2008, interveio na guerra entre a ala do PSDB que estava com Alckmin e a que apoiava a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) à reeleição.

— A saída do secretário José Henrique Reis Lobo do governo foi o maior sinal de que o PSDB e o governador José Serra estão pavimentando a campanha — diz o deputado Vaz de Lima (PSDB-SP), líder do governo na Assembleia Legislativa.

Para o programa de governo, o cientista político Eduardo Graeff, secretário-geral da Presidência no governo Fernando Henrique, será um dos coordenadores. Graeff coordena o escritório do governo paulista em Brasília.

Os economistas Geraldo Biazotto e José Roberto Affonso são os nomes cotados para elaborar o programa de governo para a área econômica. Para aprofundar propostas para a saúde, o secretário do prefeito Gilberto Kassab, Januário Montone, que foi secretário de Serra no Ministério da Saúde, e seu atual secretário na área, Luis Roberto Barradas Barata, são os principais nomes.

A interlocução com os empresários, apostam os tucanos em São Paulo, deverá ser feita por Clóvis Carvalho, exministro de Fernando Henrique e secretário de Kassab.

No comando da propaganda para a TV deverá ficar o publicitário Luiz Gonzalez, da agência Lua Branca, embora este sofra resistência de parte do PSDB. Informações de O Globo.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 12:05:29
 
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Governo acha dinheiro de filho de Sarney no exterior
 

O governo brasileiro obteve documentos que comprovam que o filho do presidente do Senado, José Sarney, movimentou dinheiro no exterior sem declará-lo à Receita Federal. Autoridades da China informaram ao Ministério da Justiça que o empresário Fernando Sarney opera pessoalmente uma conta num paraíso fiscal, em nome de uma empresa "offshore" com sede no Caribe. No começo de 2008, Fernando usou esse canal financeiro para transferir US$ 1 milhão para uma agência do banco HSBC em Qingdao, na China. A autorização da transação contém a assinatura dele.

Recursos no exterior não informados ao fisco podem ser fruto de sonegação de tributos, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Empresas da família Sarney, que vão de emissoras de rádio e TV a shopping center, são investigadas pela Receita e pela Polícia Federal sob acusação desses crimes.A operação policial, que levava o nome de Boi Barrica e depois foi rebatizada de Faktor, já indiciou Fernando Sarney sob acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ele nega as irregularidades.

A remessa para a China é alvo da Faktor. Em 2009, Fernando negou a movimentação em entrevista à Folha. Laudo enviado pelo governo chinês para o Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça contradiz a versão do empresário.
A partir de autorização assinada por Fernando, autoridades chinesas rastrearam a origem do dinheiro e confirmaram que os recursos foram creditados na conta da Prestige Cycle Parts & Accessories Limited (pelo nome, uma empresa de acessórios de bicicleta), conforme ordem bancária.

Os investigadores brasileiros ainda não sabem qual a finalidade desse depósito. Acordos multilaterais permitem ao governo solicitar bloqueio e a repatriação de recursos enviados ilegalmente para fora do país. Procurado pela reportagem, Fernando disse que não se pronunciaria sobre o assunto por orientação de seus advogados, alegando que o inquérito policial está sob segredo de Justiça.

Conforme a Folha publicou em 2009, as empresas da família Sarney passam por uma devassa feita pela Receita, iniciada a partir do trabalho da PF. Os auditores detectaram indícios de crimes contra a ordem tributária, como remessa ilegal de recursos para o exterior, falsificação de contratos de câmbio e lavagem de dinheiro.Segundo a reportagem apurou, não há nas declarações à Receita das pessoas físicas e jurídicas ligadas à família a menção a nenhuma conta corrente em paraíso fiscal no Caribe.

Durante a Faktor, a PF interceptou com autorização judicial e-mails de Fernando, seus familiares e amigos. Em várias dessas mensagens havia referências ao envio de US$ 1 milhão para a China. Foi numa delas, entre Ana Clara e Teresa Sarney, filha e mulher de Fernando, que a PF capturou a autorização assinada por ele.Os policiais levantaram também indícios de que Fernando contava com a ajuda do empresário Gianfranco Perasso (chamado por ele de "China" ou "Chinaboy") para operar contas no exterior em seu nome. Perasso é apontado pela Polícia Federal como integrante do esquema comandado por Fernando que teria desviado dinheiro de obras e projetos do governo federal. Informações da Folha de S.Paulo.

 Empresário vê vazamento de dados "criminoso"

O empresário Fernando Sarney disse à Folha, por e-mail, que a imprensa trata de suas movimentações financeiras de forma "truncada e dissociada da realidade" e que ele é alvo de "vazamento criminoso" de informações sob segredo de Justiça."Por essa razão, seguindo orientação dos meus advogados, e até mesmo em respeito ao sigilo estabelecido pela própria Justiça, não me pronunciarei a respeito", disse.

Fernando respondeu por ele, por sua mulher, Teresa Sarney, e por sua filha, Ana Clara. As duas também são citadas pela PF no inquérito da Operação Faktor, por participação nas transações financeiras da família.

Procurada pela reportagem, a assessoria do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que o assunto não lhe diz respeito e que por isso ele não se manifestaria. Acrescentou que seu filho Fernando é quem tem autoridade para falar sobre o tema. A reportagem não conseguiu localizar o empresário Gianfranco Perasso.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 11:20:18
 
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OPERAÇÃO CAIXA DE PANDORA - DISTRITO FEDERAL
Delegados confirmam pressão de Arruda
 

Dois delegados da Polícia Civil disseram em depoimento ao Ministério Público do Distrito Federal que sofreram pressão do governador afastado José Roberto Arruda (sem partido) para fornecer informações sobre investigações sigilosas. Arruda agiu, segundo eles, em junho do ano passado para obter dados sobre operações que apuravam a suposta corrupção no governo. Na época, os delegados eram diretores da Polícia Civil, mas acabaram demitidos dos cargos. Os depoimentos foram usados pela vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, como forte argumento apresentado ao STF (Supremo Tribunal Federal) para manter o governador afastado preso.

Duprat argumentou que os policiais só se encorajaram em falar após a prisão dele. Daí a necessidade, segundo ela, de Arruda continuar preso para não atrapalhar as apurações. Os delegados Marco Aurélio Virgílio de Souza e Cícero Jairo de Vasconcelos Monteiro prestaram depoimento no dia 1º deste mês. Arruda foi preso no dia 11 de fevereiro, acusado de tentativa de suborno a uma testemunha do inquérito do mensalão do DEM -esquema de cobrança e distribuição de propina revelado pela Polícia Federal em novembro passado. Ainda sem vislumbrar que o mensalão viria à tona, Arruda queria, em junho de 2009, detalhes sobre investigações em andamento da Polícia Civil, disseram os delegados.

O governador teria ficado aborrecido principalmente com a Operação Terabyte, deflagrada em abril de 2009, para apurar desvios de recursos na área de tecnologia, que mais tarde se revelaria uma das fontes de propina do mensalão. Monteiro, no comando da área de inteligência, disse que foi convocado para uma reunião com Arruda e a cúpula da Polícia Civil. O governador afastado, segundo Monteiro, disse que "fora cobrado pelos empresários investigados".

"O governador dirigiu-se ao diretor-geral da Polícia Civil, Cleber Monteiro, e disse: Cleber não estou satisfeito." Souza, o outro delegado, disse que foi afastado da diretoria que combate crime na gestão pública porque Arruda não foi avisado que a Terabyte ocorreria. Arruda afirmou ainda que "em 2010 haveria eleições e que a polícia deveria protegê-lo", acrescentou Monteiro.

Outra intenção de Arruda era saber se Marcelo Toledo, ex-policial suspeito de operar o esquema, era investigado. Procurada, a defesa de Arruda disse não saber dos novos depoimentos. A assessoria do governo informou que cabe aos advogados falar sobre o caso. Informações da Folha de S.Paulo.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 11:16:24
 
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DISTRITO FEDERAL
Ministro da Justiça não vê clima para intervenção no DF
 

Carioca de nascimento, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, tem um carinho especial por Brasília, cidade aonde chegou aos nove anos. Primeiro funcionário de carreira a assumir o cargo, Barreto foi secretário-executivo dos ex-ministros Márcio Thomaz Bastos e Tarso Genro, e hoje tem em mãos pelo menos quatro grandes problemas ligados diretamente ao Distrito Federal: o desaparecimento de jovens em Luziânia, a violência no Entorno, a crise política desencadeada após a Operação Caixa de Pandora e a possibilidade de intervenção federal no DF. Sobre o último tema, o ministro ressalta que a situação em Brasília pode ser considerada normal. “A crise não contaminou o sistema de segurança ou de gestão do Governo do Distrito Federal, embora, é claro, a instabilidade administrativa tende a provocar uma certa ineficiência na execução dos serviços públicos”, diz Barreto, em entrevista exclusiva ao Correio.

Segundo ele, o governo federal vem acompanhando a situação de perto, mas a decisão sobre o assunto é do Supremo Tribunal Federal (STF). Cabe ao seu ministério apenas redigir o decreto presidencial e apontar o interventor. O governo federal tem adotado cautela em relação ao tema, que, caso seja adotado, pode afetar outros setores. “Brasília tem peculiaridades, como funcionamento de embaixadas, administrações diretas, indiretas e autárquicas que não podem sofrer qualquer prejuízo no seu funcionamento em razão de uma crise política no DF”, diz o ministro da Justiça.

Outra questão que preocupa o ministro da Justiça é o desaparecimento de adolescentes em Luziânia, assunto principal do encontro que Barreto terá amanhã com o governador de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), em Goiânia. O ministro afirma que existem alguns avanços nas investigações que podem indicar os primeiros indícios do que houve com seis jovens na cidade do Entorno. A região, segundo Barreto, passou a ser um dos focos de atenção do governo federal, em função do avanço da criminalidade, causado pela superpopulação. A União, nos dois últimos anos, conforme o ministro da Justiça, investiu R$ 58 milhões em equipamentos para as polícias atuarem no Entorno. A seguir, os principais pontos da entrevista de Luiz Paulo Barreto. Leia mais no Correio Braziliense.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 10:50:56
 
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ELEIÇÕES 2010
PSDB terá mais palanques próprios do que PT
 

O PSDB vai romper neste ano uma tradição do PT de lançar nas eleições estaduais mais candidatos a governador do que o adversário. Em 2010, serão os tucanos que terão mais palanques próprios nas disputas estaduais. A montagem desse tabuleiro eleitoral também mostra que a eleição do "nós contra eles" pregada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa federal não se dará na prática na maioria dos Estados.

As negociações ainda estão em andamento, mas as possibilidades de duelo direto entre candidatos a governador tucanos e petistas já podem ser medidas. Ele acontecerá, em pelo menos, dez Estados e no Distrito Federal, com o risco de não ocorrer nos maiores colégios eleitorais do País - São Paulo e Minas Gerais. Isso significa que, na maioria das unidades federativas, o caráter plebiscitário que o PT quer dar à eleição ficará restrito ao discurso de terceiros.

No cenário mais otimista, os petistas contarão, no máximo, com 13 nomes do partido para governador neste ano - apenas 9 estão confirmados por enquanto (AC, BA, DF, MS, PA, RS, SC, SE e RO). O PSDB tem representantes garantidos em 14 Estados (AC, AP, AL, ES, GO, MG, PA, PR, PI, RO, RR, SP, TO e CE), podendo chegar a 19. As duas legendas governam cinco Estados cada uma.

INVERSÃO DE PAPÉIS


Historicamente, o PT sempre lançou candidatos a governo estadual em quase todo o País. Mas, desde a vitória de Lula, o número de candidatos petistas na corrida estadual vem reduzindo a cada eleição. Em 2002, foram 24. Quatro anos depois, nas eleições de 2006, foram 18. Agora, não ultrapassarão 13.

Já os tucanos têm ampliado a cada pleito sua participação direta na disputa estadual. Em 2002, lançaram 9 candidatos. Na eleição seguinte, esse número quase dobrou (17). Neste ano, o PSDB poderá levar aos palanques nos Estados até 19 tucanos, que, além de brigar pelo governo, ajudarão na campanha do governador José Serra, virtual candidato a presidente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 10:47:13
 
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ELEIÇÕES 2010
Magela sonha com o poder no DF
 

Wilson Silvestre, do jornal Opção

Ser político de oposição exige mais do que críticas ou discurso do “quanto pior, melhor para nossos objetivos”. A sociedade já não concede espaços para os chamados esquerdistas radicais. Eles já não seduzem corações e mentes dos eleitores. Basta fazer um breve retrospecto da carreira política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele só conquistou o poder a partir de uma guinada mais para o centro, buscando o equilíbrio nas forças conservadoras. O resultado está aí para leigos e letrados tomarem como lição de pragmatismo político.

Parece que estes exemplos não comovem ou sensibilizam o deputado federal Geraldo Magela e sua turma. Ele sonha, deseja e quer, a qualquer custo, mesmo destruindo parte do PT do Distrito Federal, conquistar a cadeira principal do Palácio do Buriti. Para alcançar este objetivo, atropela os acordos feitos há alguns meses, quando ninguém tinha disposição para enfrentar o favoritismo de José Roberto Arruda, à época, beirando 70% na aprovação de governo. Em seguida, entra em cena o velho adversário e algoz de carteirinha do PT: ex-governador Joaquim Roriz (PSC). Magela estava mais interessado em disputar uma vaga no Senado e, por isso, jogou todas as fichas que dispunha para negociar um apoio que materializasse este objetivo. Negociou à exaustão e arrancou dos companheiros garantias de que não seria defenestrado mais adiante.

Bastou a crise política se instalar no Distrito Federal, tendo o governador José Roberto Arruda sido preso e a base na Câmara Legislativa ir para as calendas, para que Magela também “roesse a corda”. A partir daí, o escolhido por 70% dos delegados do partido, com simpatia da cúpula nacional e do presidente Lula, Agnelo Queiroz, começou a sofrer os ataques indiretos da “turma de Magela”.

A campanha teve início com o “chega prá lá” de Magela no presidente do PMDB, deputado federal Tadeu Fillipelli (PMDB), que estava conversando com o PT visando um possível acordo, já que as duas legendas estão coligadas nacionalmente em torno do nome de Dilma Rousseff. Conseguiu afugentar Filippelli. O passo seguinte foi melar o acordo entre PDT, do senador Cristovam Buarque, para uma possível aliança. Também Magela conseguiu levar para a geladeira. O próximo passo foi acionar sua turma para trombetear aos blogueiros que Agnelo esteve com o delator-mor, Durval Barbosa e que “ele viu as fitas e não denunciou a corrupção”. Pronto. O circo estava armado contra Agnelo e seu avalista no PT, Chico Vigilante. Só que esta estratégia, além de irritar o Palácio do Planalto, a executiva nacional do PT e meio mundo dentro do partido, provocou também estragos na construção de alianças com outras legendas, inclusive do chamado campo de esquerda.

Os presidentes do PSB regional, deputado federal Rodrigo Rollemberg, do PC do B, Augusto Madeira, do PMDB, Tadeu Filippelli, e o senador Cristovam Buarque, além de dirigentes do PPS, PRB e PV, se reuniram recentemente para discutirem sobre uma nova aliança visando a disputa de outubro.

É tudo que o ex-governador e franco favorito nas pesquisas (até agora) Joaquim Roriz (PSC) sonha: esquerda dividida, DEM em frangalhos e uma Esplanada política sem tumulto ou obstáculos para trafegar rumo ao Palácio do Buriti.

Só que neste cálculo de Magela tem uma imprecisão: Agnelo não está sozinho nesta empreitada. Ele tem o aval, embora não muito explícito, do Planalto e, de quebra, a simpatia da executiva nacional. “O Magela pode até, numa remota possibilidade, alcançar o objetivo de ser o candidato escolhido nas prévias, mas vai tirar a grande chance de o PT retornar ao Palácio do Buriti”, contou ao Jornal Opção uma fonte com assento no diretório regional. Na avaliação desta fonte, Magela não só está se autodestruindo no partido, mas também sinalizando à opinião pública que deseja o poder de todas as maneiras, nem que seja dividindo o PT. “Como vamos passar uma mensagem para os brasilienses de que somos uma boa alternativa para o Distrito Federal, se nem dentro de nosso partido conseguimos consenso?”, indaga um membro do diretório.

Muitos companheiros que ajudaram Magela no passado, quando enfrentou Roriz, censuram hoje a atitude “arrogante, sisuda e de pouco sorriso que ele vem demonstrando ultimamente”. Adversários de Magela já o estão comparando ao governador José Roberto Arruda: “Arrogante e dono da verdade, como se o centro do Universo girasse em torno dele”.

Outro interlocutor de Agnelo frisa que, “se tivesse denunciado o esquema de propina quando Durval Barbosa o chamou para mostrar as fitas, teria envolvido o partido e a denúncia acabaria prejudicando o PT. Seria tudo que o DEM queria: apontar para a sociedade que os petistas queriam destruir um governo eleito pelo povo denunciando um esquema com fitas editadas”. E arremata com uma provocação: “Ao atacar Agnelo, tentando fragilizá-lo junto aos companheiros do PT, Magela mostra que optou pela autofagia política, tanto dele como do partido”.

Para complicar ainda mais a vida da turma de Magela, a executiva nacional do partido baixou uma resolução na sexta-feira, 5, com um recado com endereço certo: não quer realização de prévias para cargos majoritários nos Estados. Agora, a pergunta que todos estão fazendo: como evitar as prévias no PT-DF que vão decidir entre Agnelo Queiroz e Geraldo Magela, marcadas para 21 de março?

Agora é oficial: o PT Nacional não quer a realização de prévias para cargos majoritários nas regionais do partido nos Estados. A decisão foi oficializada sob forma de uma resolução, divulgada na sexta-feira, 5, levando em consideração a necessidade de preservação da unidade interna e o fortalecimento da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff. Apesar disso, as prévias no PT-DF, entre Agnelo Queiroz e Geraldo Magela, estão mantidas.

A seguir alguns trechos da resolução: “(...) Considerando o disposto no artigo 135 do estatuto do partido em relação a realização de prévias eleitorais sempre que houver mais de um(a) pré-candidato(a) às eleições majoritárias; (...) Considerando, finalmente, que os encontros estaduais são instâncias democráticas e legitimas para debater as candidaturas a cargos majoritários, criando as condições necessárias para um amplo entendimento; (...) O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores resolve, respeitado o disposto no artigo 135 do nosso estatuto, por considerá-las inconvenientes e politicamente inoportunas neste momento: 1. Recomendar a não realização de prévias para cargos majoritários; 2. Determinar à CEN que faça as gestões e tome as medidas necessárias para a viabilização políticas desta recomendação.”

 
Da Redação  em  07/03/2010- 10:43:08
 
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LIVRO ELZA SOARES - CANTANDO PARA NÃO ENLOUQUECER
A Billie Holiday dos trópicos
 

Euler de França Belém, do jornal Opção

Fico tentado a fornecer um guia de leitura do livro “Elza Soares — Cantando Para Não Enlouquecer” (Planeta, 383 páginas), do escritor José Louzeiro. No guia, privilegiaria os capítulos que discutem diretamente a artista e menos sua vida. Mas, se fizesse isto, contribuiria para privar o leitor de entender, de modo mais amplo, como uma favelada, sem nenhuma estrutura, se tornou uma cantora magnífica — espécie de Billie Holiday, pelo menos em sofrimento, dos trópicos.

Aos 12 anos, Elza Soares foi obrigada a se casar com Lourdes (Alaúrdes) Antônio Soares, de 22 anos. O pai, Avelino Gomes, acreditava que havia sido estuprada. Homem simplório e violento, Alaúrdes passou a estuprá-la, sim, mas depois do casamento.

Aos 13 anos, Elza Soares foi mãe. Com Alaúrdes teve cinco filhos, João Carlos, Dilma, Gilson, Gerson e Edmundo. Este morreu de fome. Gerson foi entregue para um casal adotar.

No lugar de cuidar da casa, a criança preferia soltar pipa, carregando o bebê numa cesta de vime. Como não queria continuar apenas como “parideira”, arranjou emprego numa fábrica de sabão. Uma vez, como não aceitava seu progresso material e cultural, Alaúrdes atirou na mulher.

Sua primeira paixão musical foi a cantora Ângela Maria, que escutava no rádio. Ao ouvir o pai e um irmão, Avelino (Ino), tocarem violão e o avô Antenor “castigando na harmônica”, acreditou que poderia se tornar cantora. O pai e Alaúrdes não queriam que Elza Soares se tornasse cantora. Apoiada pela mãe, Rosária Maria da Conceição Gomes, decidiu enfrentar o patriarcado.

Em 1953, ainda menor (nasceu em 1937), decidiu: seria cantora ou mendiga. “Enfiou-se em um vestido que a mãe pegara para lavar e dirigiu-se à Rádio Tupi, a fim de inscrever-se no programa ‘Calouros em Desfile’, comandado por Ary Barroso.”

Com uma dicção estranha e muito magra (45 quilos), a cantora assustou Ary Barroso: “De que planeta você está vindo?” Elza Soares reagiu rápido: “Do planeta fome!” Um músico tentou puxar seu tapete, subindo uma nota, mas Elza Soares cantou “Lama”, de Paulo Marques e Alice Chaves, “com brilhantismo” e ganhou o prêmio.

Com a “fama” recém-adquirida, se tornou crooner da Orquestra Garam de Bailes, do maestro Joaquim Naegli. Os músicos não a queriam, porque era negra. O talento da cantora que faz batucada com a voz desabrochou. “A cancha adquirida na orquestra aproximou Elza dos malabarismos vocais. Imitava outros cantores e os próprios instrumentos musicais, além de movimentar-se no palco como nenhuma intérprete da época conseguia fazer”, conta Louzeiro. O maestro Acyr Aguiar corrobora: “Além de não desafinar, inventava, punha em prática sua criatividade. Lá pelo meio de uma interpretação resolvia fazer duo com o sax, com o pistom ou a flauta. E, se a música permitia, estendia as brincadeirinhas à bateria”. Imitava Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto e Nelson Gonçalves.

Na Argentina, teria sido aplaudida por Astor Piazzolla. Um dos principais incentivadores da carreira de Elza Soares foi Moreira da Silva, que a apresentou para os profissionais do ramo.

Sorte grande Elza Soares tirou quando a cantora Sylvinha Telles a apresentou a Aloysio de Oliveira, diretor da Odeon. Um dos inventores do “movimento” Bossa Nova, Oliveira criou o rótulo “Bossa Negra” para nominar sua música e estilo de cantar.

Em 1959, aos 22 anos, gravou o primeiro disco, na Odeon. “Ninguém interpretara ‘Se Acaso Você Chegasse’, de Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins, com tanta emoção. O disco fez sucesso e a cantora se apresentou pela primeira na televisão, na TV Tupi, e “Sérgio Porto elegeu-a uma das ‘Certinhas do Lalau’”.

Depois de Alaúrdes e Mário Amaro, cozinheiro da Marinha Mercante, Elza Soares iniciou relacionamento com o baterista Milton Banana. Eles se conheceram em Uberlândia e firmaram a parceria musical e amorosa em Goiânia.

No início da década de 1960, Elza Soares iniciou relacionamento com o jogador Garrincha, o mais destrutivo para sua carreira. Mas foi paixão de verdade, inclusive, talvez principalmente, sexual. Os dois ficavam semanas enfurnados em quartos. Ela, fiel; Garrincha, tinha mulher, Nair, e amantes, como a vedete Angelita Martinez e Iracy Maria. Para conquistá-la, Garrincha fingiu que conhecia a música de Billie Holiday. Deu-lhe o LP “Lady in Satin”, com Ray Ellis e orquestra. “Sua voz é mais bonita. Emociona de verdade. Deixa a Billie longe”, disse, meloso, o craque do Botafogo e da Seleção Brasileira. Mais tarde, disse: “Nunca amei ninguém e tô te amando. Pelo amor de Deus, não diz que não!” Elza cedeu. Juntaram-se, ganharam e torraram muito dinheiro, comprando imóveis e farreando. Mais tarde, decadente fisicamente, jogando em times medíocres, Garrincha chegou a agredi-la. Elza Soares lutou para curá-lo do alcoolismo, mas não conseguiu. Chegou a levá-lo para a Itália. Mas acabaram separados. Sua carreira foi prejudicada, porque foi perseguida por ter “tomado” Garrincha da família, mas Elza Soares é o símbolo do eterno retorno, com sua voz rouca, com seu samba meio jazz. É pura alegria, ao cantar, mas sua história de sofrimento a aproxima da cantora americana Billie Holiday. (Leia mais no site www.jornalopcao.com.br)

A cantora que usou o jazz para ser sambista

Os melhores capítulos do livro de José Louzeiro são aqueles que abrem espaço para críticos de músicas analisarem a cantora Elza Soares. Louzeiro escreve: “Hoje, está para a nossa música popular autêntica como Bessie Smith e Ella Fitzgerald estão para o blues”.

Ruy Castro, um dos maiores estudiosos da música brasileira, principalmente da Bossa Nova, diz: “Elza é extraordinária. Para mim é deusa”.

“Elza vem de uma época de amadorismo na música popular. Essa coisa de ganhar muito dinheiro, ficar rico, foi da geração de Chico e Cateano para cá. Os mais antigos, o pessoal da Bossa Nova, por exemplo, a geração do Menescal, do Carlinhos Lyra, por mais dinheiro que pudessem ganhar naquela época, jamais ficariam ricos. A música não era uma atividade profissional. Os chachês não eram tão valorizados. Em compensação, havia das pessoas uma relação meio de amor com a música. Não existia essa coisa mercantilista, como se tornou da geração seguinte em diante. Não estou fazendo nenhuma crítica, só estou constatando”, historia Ruy Castro.

Elza Soares, conta Ruy Castro, “foi das primeiras cantoras que, praticamente, estrearam em LP de 12 polegadas”.

Quando Elza Soares, que nunca estudou música, se tornou uma grande cantora? Possivelmente, quando começou a cantar com uma orquestra, usando a voz como um instrumento musical a mais. Louzeiro explica que foi o baterista Milton Banana “quem preparou Elza para fazer aqueles balanços no palco, uma espécie de swing da pesada”.

Luiz Carlos Saroldi, que foi responsável pelo programa “Noturno”, da Rádio JB, comenta: “Agora, com a idade, [Elza Soares] baixou para o tom médio, o que muito me agrada; acho-a mais acessível, denota forte plasticidade e contagia. O samba cantado por Elza incorpora um componente meio blues, pois é desafio e lamento”. Para Saroldi, “Elza Soares nunca foi cantora de Bossa Nova, mas cantora de voz, de grande potencial vocal”.

A cantora estaria mais próxima de Lena Horne, “mulher de palco”, do que de Billie Holiday, aposta Saroldi. “Há aquele negócio do som rouquenho, que deve ter sido uma bolação do próprio Aloysio Oliveira, inspirado em Louis Armstrong, mas isso virou efeito curioso, alegoria vocal. Me lembro de uma gravação dela na fase em que lançou ‘Maria, Mária, Mariá’, do Billy Blanco (1961/62). Era empolgante porque passava toda aquela energia, aquela vitalidade negra da Elza, coisa rara”. Elza Soares é elétrica, às vezes passa a impressão de que, se tocarmos nela, levaremos um choque.

O crítico e musicólogo Roberto Moura garante que “Elza Soares talvez seja uma das três maiores estilistas da música brasileira”. Porque criou uma “marca”. “Existe a intérprete da voz pura, da nota muito bem colocada, alguma coisa no padrão de uma Ângela Maria ou Elis Regina, mas há, ao lado dessas intérpretes, a estilista, não necessariamente apolínea, não necessariamente bonita na forma, mas que se torna tocante pela originalidade como recurso”.

Moura afirma que “Elza Soares tem um timbre raro, um balanço absurdo. Sua permanência é singular. (...) ‘Se Acaso Você Chegasse’ é alguma coisa muito séria. Ela já chegou pronta, brilhando na Odeon, com a música do Lupicínio Rodrigues”.

O musicólogo critica os que a aproximam de Billie Holiday: “É claro que Elza tem uma história de vida muito triste, como Billie, mas seu canto é extremamente alegre. Raramente a vi passando uma carga negativa ou pesada, como Billie”. Moura avalia que a cantora nada tem a ver com Bessie Smith. A interpretação sobre a música de Billie Holiday talvez seja por demais ortodoxa, porque, se é triste, oriunda de uma história pessoal complexa e complicada, sua música provoca mais prazer do que dor. Há, por assim dizer, uma alegria por baixo da dor. Billie Holiday espantava a tristeza do seu ser ao cantar. A música era sua (psica)análise. Mas aqui não é o lugar adequado para discordar do especialista.

Sérgio Cabral, que biografou cantores e compositores, sustenta que Elza Soares “é uma cantora de um ritmo fora do comum, uma voz poderosa. Tem timbre, tem tudo”. Sua “voz natural alcança notas difíceis e alcança bem. Nunca desafina. (...) Elza tem um potencial de voz tão privilegiado que pode cantar em qualquer tom. Acompanha qualquer modulação. É capaz de, em certos momentos, nem perceber que mudou de tom, pois faz isso naturalmente. Se a modulação for para cima, vai subindo e sai da frente. Ela tem instrumento vocal para cantar, e muito bem, a música norte-americana. (...) Absorveu certos cacoetes e até o bébébé de Louis Armstrong. Agora, com o blues, não vejo relação. Blues é mais lamento, estilo de Alaíde Costa e Aracy de Almeida. (...) Tenho um disco, gravado na década de 1970, com ela e Miltinho nos mais sublimes improvisos, ambos brincando com o ritmo”. O crítico assinala que Elza Soares é o que sobrou do samba.

Um dos grandes estudiosos da música brasileira, Ricardo Cravo Albin diz que, quando começou a ouvir Elza Soares, ficou impressionado. “Elza Soares, simplesmente endiabrada, com um claro sentido de improvisação, nos remetia ao jazz. Além disso, enveredava com estonteante desenvoltura pelos breques de um Louis Armstrong”. Um dos grandes momentos de Elza Soares, na visão de Albin, foi a gravação de “In the Moon”, “traduzida como ‘Edmundo’, sucesso de Glenn Miller”. O ator Warren Beatty, segundo Albin, ficou “impressionado com a performance de Elza Soares”. Certamente se perguntou: o que esta jazzista de Nova Orleans faz cantando em português? Elza Soares às vezes lembra Alberta Hunter, com aquela voz forte, que, embora extremamente feminina, tem um quê de voz masculina. Oh, sim, Elza Soares transpira, ao contrário de Hunter, feminilidade. Aos 73 anos, guarda, no corpo mesmo, uma sensualidade à flor da pele. Caro raríssimo, talvez único. É impossível pensar na cantora como uma pessoa velha.

Albin diz que, “do ponto de vista vocal”, Elza “é um tenor, com aquela garganta privilegiada. Começou fazendo esquetes, imitando Louis Armstrong, e se tornou um exemplo isolado em matéria de imitação. Em voz feminina de cantora imitando Armstrong é única. Yma Sumac é um vocal, porque dava algumas oitavas acima, o que é extraordinário, pois é voz absolutamente de sino, estridente. Mas Elza joga seu potencial com uma bossa que a coisa parece saída do útero. Uma conjuminação de garganta e útero, que resulta em um som abismante e magnético. (...) Trata-se de uma cantora solitária, no conjunto estelar da música brasileira. Não tem seguidoras. (...) Fazer o que ela consegue, somente a Leny Andrade se aproxima, por ser cantora de jazz. Ela é cantora de samba, de música brasileira, com o fascínio da improvisação. Não tem escola, por isso tornou-se a grande solitária”.

O maestro Rildo Hora conta que, “dentro da Odeon, o comportamento de Elza e Miltinho era uma coisa impressionante. Gravavam sem play-back, isto é: tirava-se o som na hora, os dois saíam cantando. (...) No que diz respeito à voz, não chega a ser soprano, mas tem uma tonalidade alta, para a média das cantoras brasileiras, que lhe permite fazer duetos com cantores. Curioso, também, é que canta com muita facilidade em falsete. Aí, então, faz o que quer com aquela garganta. (...) Ela canta no tom que o maestro quiser”.

Rildo Hora avalia que, apesar das “tiradas jazzísticas”, Elza Soares “não” é “cantora de jazz, mas, sim, sambista que ouviu jazz, e aí está o barato. Ela pegou a influência do negro norte-americano, abrasileirou; ouviu os blues de Nova Orleans, transformou-os em cantos da senzala”. O maestro também discorda de que tenha a ver com Billie Holiday. “Elza canta a alegria de viver, de existir, por isso faz ginástica, cuida do corpo, bota a cabeça pra cima e se recusa a ser triste.” A diferença principal é que Billie Holiday sucumbiu. Elza sobreviveu a perseguições e a maridos e namorados destrutivos. Antes de tudo, é, como diria Euclides da Cunha, uma forte.

No dizer do maestro, só duas cantoras se aproximam de Elza Soares: “Carmen Miranda e Elis Regina, cantando ‘Upa Neguinho’”.

O cantor e pandeirista Miltinho, parceiro de Elza Soares em quatro LPs, “Elza-Miltinho & Samba” (Odeon), repete a opinião dos críticos, acrescentando sua interpretação: “Se Elza fosse americana, seria Ella Fitzgerald. Jamais alguém fará o que ela faz cantando. Não é só sambista, não. Canta samba-canção como ninguém. (...) Neste país, onde jamais teremos uma nova Elis Regina, também nunca mais existirá outra Elza Soares. Elas são únicas. Inimitáveis!”

O cantor Moreira da Silva, um dos patronos da artista nos tempos mais difíceis, conta que, “na primeira vez em que” ouviu “Elza cantando”, ficou “abismado. Tudo nela me impressionava: a postura decisiva e alegre, o olhar firme, aquela rouquidão sensacional. Aí eu disse comigo mesmo: essa garota vai em frente”.

Billy Blanco, de quem Elza Soares gravou “Maria, Mária, Mariá”, “Acho que sim” e “Amor Perfeito”, relata que a cantora esmerava-se nas interpretações, “repletas de jazz, muita bossa e criatividade, mas sempre obedecendo, rigorosamente, ao compositor, respeitando nota por nota. Ela cantava uma vez, repetia de maneira quase perfeita, na terceira já dava para gravar. Um fenômeno”.

O antropólogo e jornalista José Carlos Rego diz que a voz de Elza Soares é um instrumento musical, semelhante ao trompete.

O crítico Tárik de Souza anota que, “se alguém merece e dignifica o título de sambista — com uma bateria na garganta, os pés de passista e a mobilidade vestual do porta-estandarte —, esse alguém é Elza. É curiosa a relação da cantora com o jazz. Nota-se em suas gravações, inclusive a que estourou logo de cara, ‘Se Acaso Você Chegasse’, uma ligação empírica com o gênero de Nova Orleans, mas nada que se compare à fusão programática empreendida pela Bossa Nova. Elza parece ter ‘linkado’ jazz & samba via África, sem intermediação harmônica europeia. Seu scat inclusive está mais para Louis Armstrong do que para Miles Davis. Não por acaso, um de seus discos recebeu o nome hoje politicamente incorreto de ‘A Bossa Negra’”.

Souza diz que “o potencial vocal de Elza não tem sua força maior na extensão, mas na coloratura, na riqueza humana do timbre crestado, no uso consciente da rouquidão como suporte de balanço e carimbo de vivência. Elza muitas vezes sugere as notas em vez de as ferir. Há até um disco excelente em que ela duela com a bateria de Wilson das Neves. (...) No jazz talvez fosse possível compará-la ao bebop vocal de Sarah Vaughan e no Brasil situá-la entre as grandes damas negras Clementina de Jesus e Carmen Costa. Mas qualquer comparação soa forçada, porque na verdade Elza é única. E, por enquanto, não deixa discípulas diretas”.

Louzeiro assegura que Louis Armstrong “era grande admirador” de Elza Soares. Só não acrescenta a prova. Quem ouve Elza Soares não precisa se tornar fã, mas não tem como deixar de dizer que se trata de uma cantora do primeiríssimo time do cancioneiro popular internacional.
  
Elza fez plástica e é careca?

No final do livro, José Louzeiro conta que Elza Soares fez plásticas seis vezes e usa perucas, “sempre manteve umas dez à mão”.

A cantora seria careca? Louzeiro escreve que Elza Soares “costuma misturar os cabelos artificiais com os que Deus lhe deu. E garante: não é a cantora careca do Ionesco. Muito ao contrário. Pertence à ordem das cabeludinhas. Graças às perucas, vem economizando tempo e dinheiro esses anos todos”.

Elza Soares sempre foi bonita e fazia o gênero gostosona. Louzeiro acrescenta: “Suas pernas são lindas, e sua voz, excepcional!”

O livro de Louzeiro é uma grande e bela homenagem à cantora e, também, à cultura brasileira.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 10:38:21
 
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ELEIÇÕES 2010
Novo hit - Roubolation
 



Grupo paraibano cria o hit Roubolation

 
Da Redação  em  07/03/2010- 10:34:19
 
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Gushiken ofereceu Eletronet para operadoras privadas
 

O governo ofereceu a Eletronet para operadoras privadas, depois de o empresário Nelson dos Santos, que tem negócios com o ex-ministro José Dirceu, comprar o controle da companhia por R$ 1. Fernando Xavier Ferreira, que comandava o Grupo Telefônica no Brasil, teve um encontro em Brasília com Luiz Gushiken, então responsável pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da presidência da República.

Em seu blog, o ex-ministro José Dirceu confirmou na semana passada ter recebido R$ 620 mil pelo pagamento de uma consultoria à empresa Adne, do empresário Nelson dos Santos, entre março de 2007 e setembro de 2009. Ele argumentou que, quando Nelson dos Santos adquiriu 51% da Eletronet, em 2005, nem conhecia o empresário. Se Gushiken tivesse obtido sucesso em negociar a Eletronet com alguma empresa privada, acabaria beneficiando Nelson dos Santos.

Ferreira afirma que, na reunião com Gushiken, foi consultado se queria comprar a Eletronet. ‘Realmente, houve um momento em que foi colocada essa questão, do interesse nosso em avaliar a Eletronet, mas, na ocasião, comunicamos que não tínhamos interesse na avaliação‘, diz Ferreira.

Antes de comandar a NAE, Gushiken foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação. Ele admite ter conversado com empresas para saber se tinham interesse na Eletronet, incluindo a Telefônica. ‘Na época, fiz reunião com muita gente‘, afirma o ex-ministro, que deixou o cargo em 2006. ‘Mas nunca apresentei um modelo pronto e acabado. Cheguei a sondar muita gente, sobre como viam essa rede, e sondava com toda a cautela que merece uma coisa desse tipo. Eu articulei esse assunto por muito tempo. E não passou pelo José Dirceu como a imprensa vem falando.‘

Gushiken nega ter tido qualquer contato com Nelson dos Santos, sócio privado da Eletronet e cliente de José Dirceu. ‘Nem sei quem é‘, diz o ex-ministro, apesar de admitir que tinha informações sobre a mudança de controle na época em que procurava uma saída para a empresa. ‘Fiquei sabendo no meio do caminho desse pessoal que tinha comprado a Eletronet por R$ 1 da AES, mas ninguém tinha clareza de qual impacto legal poderia ter a medida que foi tomada por esse empresário.‘

No fim do ano passado, o governo retomou na Justiça do Rio a posse das fibras ópticas que não estão sendo usadas pela Eletronet, e pertencem às distribuidoras de energia. Para isso, teve de fazer um depósito judicial de R$ 270 milhões para garantir o ressarcimento dos credores, se o tribunal assim o decidir. A Eletronet está em processo de falência, e tem dívidas de cerca de R$ 800 milhões. Os maiores credores são as fabricantes Furukawa e Alcatel Lucent, que forneceram os equipamentos e os cabos para a Eletronet. A Eletrobrás tem 49% da Eletronet. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 10:18:11
 
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OPERAÇÃO CAIXA DE PANDORA - DISTRITO FEDERAL
Investigação pode chegar a Roriz
 

Vannildo Mendes, do Estado de S.Paulo

Os depoimentos de três delegados da Polícia Civil de Brasília, um deles já aposentado, abriram uma nova frente de investigação no inquérito 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Esse é o inquérito que estourou o esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, que ficou conhecido como "mensalão do DEM e entra nesta semana na sua fase decisiva. Informações fornecidas pelos policiais levam as investigações para o ex-governador Joaquim Roriz (PSC), que tentará voltar ao poder neste ano, e o ex-governador interino Paulo Octávio, que assumiu o cargo após a prisão do governador José Roberto Arruda, mas renunciou na esperança de sair do foco das denúncias.

O elo entre os dois é o policial aposentado Marcelo Toledo, apontado pela Operação Caixa de Pandora como um dos principais operadores do esquema de distribuição de propina no governo do DF. A máquina de cobrança de empresas para alimentar o esquema teria sido montada com a participação direta de Toledo desde o governo Roriz (1998-2006) e preservada por Arruda até ser desmantelada, em novembro passado.

O esquema foi revelado após acordo de delação de Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo, também policial e cúmplice de Toledo desde o início. Com o cerco se fechando, Toledo negocia acordo de delação em troca de benefícios penais. O Ministério Público avalia se ele está disposto a apresentar as provas de que dispõe contra Roriz e Paulo Octávio. Mas o acordo só será fechado, conforme apurou o Estado, se o MP considerar que atende o interesse público. A Polícia Federal vem dando segurança discreta ao policial.

Consideradas "provas novas" da maior relevância pela vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, os depoimentos dos três delegados foram anexados ao inquérito. Ouvidos pelo Núcleo de Combate às Organizações Criminosas do Ministério Público do DF, os delegados Celso Ferro, Cícero Jairo Monteiro e Marco Aurélio de Souza disseram que o então governador José Roberto Arruda interferiu diretamente em operações da Polícia Civil e puniu policiais que investigavam seu governo.

Um dos exemplos dessa interferência aconteceu na Operação Tucunaré, revelada pelo Estado na semana passada e que mostra a ligação de Toledo com um grupo de doleiros num esquema para enviar propinas arrecadadas no governo do DF. O principal doleiro do esquema é Fayed Antoine Traboulsi, investigado em escândalos de corrupção no governo Roriz. A outra operação, batizado de Tellus, investigava desvios na Secretaria de Desenvolvimento, comandada na época pelo vice-governador, Paulo Octávio.

Os delegados citam ainda um terceiro inquérito obstruído por Arruda, a Operação Terabyte, que investigou um grupo especializado em cobrar propina só nos negócios milionários da área de informática.

ESPIONAGEM


Por envolverem o governador, os depoimentos dos policiais civis foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República. Cícero Jairo confirmou que foi afastado da Diretoria de Crimes contra o Patrimônio (Depate) por ordem direta de Arruda, inconformado com o avanço das investigações contra Toledo. Seu antecessor no cargo, o ex-delegado Celso Ferro, confirmou ser autor de um documento comprometedor. Apreendido na casa do ex-chefe de gabinete de Arruda, Domingos Lamoglia, durante a operação Caixa de Pandora, o documento dá pistas sobre uma suposta rede de espionagem montada por Arruda para monitorar os passos do Ministério Público e da própria polícia contra membros do seu governo.

O documento, ao qual o Estado teve acesso, complica também a vida do ex-secretário de Comunicação do governo, Welligton Moraes, que está preso no presídio da Papuda, com outros cinco acusados de envolvimento na tentativa de suborno ao jornalista Edson Sombra, testemunha chave do inquérito da Caixa de Pandora. Alvo da arapongagem do próprio chefe, Moraes é acusado no documento de direcionar licitações de publicidade do governo para empresas vinculadas a ele próprio.

GRAMPOS


Marcelo Toledo é investigado por corrupção, espionagem ilegal, extorsão, prevaricação e concussão - quando o servidor público faz ato de ofício ou deixa de fazê-lo para beneficiar a si próprio ou terceiros. É acusado também de ser um dos operadores e beneficiários do esquema de grampo montado na Polícia Civil para chantagear autoridades.

O ex-policial não quis falar, mas seu advogado, Raul Livino, queixou-se das frequentes denúncias contra o cliente publicadas na imprensa, a seu ver vazadas do inquérito. Ele nega que Toledo tenha ligação com os crimes investigados nas operações Tucunaré, Tellus e Terabyte. Reclamou ainda que, como defensor, não teve até agora acesso integral aos autos para medir o grau de barganha do cliente em um eventual acordo de delação.

 
Da Redação  em  07/03/2010- 07:31:43
 
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