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14 de fevereiro de 2018
publicado às 01h37
Polícia israelense acusa Netanyahu em dois casos de corrupção e suborno

 

A brigada antifraude da polícia israelense acusou formalmente de corrupção o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de 68 anos, nesta terça-feira. Os policiais — que investigaram o chefe de Governo e pessoas próximas a ele durante cerca de dois anos e o interrogaram em seis ocasiões — recomendaram ao Ministério Público acusá-lo por suborno por ter embolsado um milhão de shekels (cerca de 1,018 milhão de reais) em presentes de luxo, e por conflitos de interesses por suas relações com o proprietário de um grupo de comunicação. Netanyahu, que parecia esperar o anúncio policial desde a semana passada, negou ter sido subornado e afirmou que permanecerá no cargo.

“A polícia concluiu que há provas suficientes contra o primeiro-ministro para acusá-lo por aceitar subornos, fraude e abuso de confiança”, afirmou um comunicado oficial dos serviços policiais. Em Israel é comum que os agentes divulguem publicamente suas conclusões e suas recomendações de acusação antes de encaminhá-las ao Ministério Público e à magistratura, que são os que finalmente formulam as acusações e o processo, se for o caso. Em 60% dos casos, a Justiça não segue as propostas de acusação feitas pela polícia, como lembrou na terça-feira a imprensa israelense.

“Essas recomendações não têm valor jurídico em nenhum país democrático”, disse Netanyahu na televisão. “Continuarei a governar Israel com responsabilidade e compromisso”, proclamou o primeiro-ministro, que durante as investigações e interrogatórios repetiu como um mantra que “não haverá nada, porque nunca houve nada”, dando a entender que as investigações têm pouca consistência.

Sem obrigação de renunciar

A ministra da Justiça, Ayelet Shaked, afirmou que o primeiro-ministro não é obrigado por lei a renunciar depois da acusação da polícia. O Tribunal Supremo israelense havia rejeitado na segunda-feira uma petição de partidários do primeiro-ministro para proibir a polícia de recomendar acusações contra altos funcionários, informa a agência Efe. O Tribunal Superior disse que não encontrou razões legais para “interferir nas ações da polícia”. Netanyahu se reuniu na noite passada com seus advogados para preparar sua estratégia de defesa.

O Lahav 433, a unidade contra o crime organizado da polícia israelense, equivalente ao FBI, aumentou durante o ano passado o cerco aos dois casos de corrupção que envolve Netanyahu, que está à frente do Governo desde 2009.

A polícia age com notável independência em Israel. Por causa de suas investigações, o ex-presidente do Estado judeu Moshe Katsav foi condenado em 2010 por estupro e agressões sexuais e ficou preso durante cinco anos. As investigações também contribuíram para manter atrás das grades durante mais de 14 meses o ex-chefe de Governo Ehud Olmert, considerado culpado de crimes de corrupção imobiliária por uma decisão final em 2016, e que teve de renunciar ao cargo em 2009. Informações do El País.

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