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Brasília-DF, 23 de Janeiro de 2012. Ano 8
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MORTE POR FALTA DE ATENDIMENTO MÉDICO
Delegado vê indícios de homicídio culposo em morte de secretário
Da redação em 23/01/2012 18:37:53

O delegado-chefe adjunto da 1ª DP, Johnson Kenedy, afirmou nesta segunda-feira (23) que a suposta omissão de socorro e negligência de dois hospitais particulares do Distrito Federal no atendimento ao secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, pode ser qualificada como homicídio culposo, em que não há intenção de matar. Duvanier morreu na madrugada desta quinta-feira (19) devido a um infarto no miocárdio.
 
"Tudo indica que foi homicídio culposo", afirmou Kenedy. Segundo ele, a pena para este crime é de 1 a 3 anos de prisão. O delegado ficará responsável por um novo inquérito para apurar a morte de Duvanier. Na semana passada, foi aberto um inquérito na Delegacia do Consumidor para apurar a suposta exigência de cheque-caução pelos hospitais.
 
De acordo com o delegado, os familiares de Duvanier informaram que procuraram três hospitais até conseguir atendimento. Os familiares disseram à polícia que o plano de saúde de Duvanier não foi aceito e houve exigência de cheque-caução para interná-lo.  Um dos hospitais disse não ter negado atendimento. Outro, que não tem registro de solicitação de atendimento para Ferreira.
 
Proprietários
 O diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre Moraes, afirmou também nesta segunda que os proprietários dos dois hospitais particulares que teriam recusado atender Duvanier serão responsabilizados. "Eu te garanto que a responsabilidade vai recair sobre os donos dos hospitais", disse Moraes.
 
"No nosso entendimento, mesmo o hospital sendo particular tem que atender o paciente em uma situação de gravidade como foi o caso do secretário", afirmou Moraes. "Queremos saber de quem partiu as ordens para a exigência do cheque-caução", afirmou.
 
"As pessoas que deram essas ordens [de exigir cheque-caução] serão responsabilizadas pelo não atendimento ao secretário”, disse Moraes. Segundo ele "fazendo a análise jurídica, podemos afirmar que os atendentes não podem ser responsabilizados, pois fazem a exigência por determinação superior. O médico não pode ser responsabilizado porque não teve contato com o paciente".
 
Moraes afirmou que a polícia já tem "a imagem [do circuito interno] dos hospitais e depoimentos de pessoas envolvidas e familiares" e que os inquéritos devem ser concluídos em 30 dias.
 
Investigação
 A Delegacia de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Decon), que trabalha em outra investigação, começou a ouvir na manhã desta segunda-feira (23) os funcionários dos três hospitais por onde Duvanier Paiva Ferreira passou na madrugada da última quinta-feira (19).
 
Até o momento, segundo a delegada Alessandra Lacerda, quatro pessoas foram ouvidas, sendo elas o médico que prestou atendimento no Hospital Planalto ao secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, um enfermeiro e uma pessoa da administração.
 
"Temos que ouvir todos os envolvidos no caso. Como a investigação ainda está em andamento não é possível falar sobre os acontecimentos, mas até o fim desta semana será possível fazer uma avaliação prévia do caso", disse a delegada Alessandra.
 
A quarta pessoa que compareceu à delegacia nesta segunda foi o advogado do Hospital Santa Lúcia. Frederico Barbosa foi até a Decom para entregar o vídeo com as imagens do circuito interno feitas durante a madrugada de quinta e a lista com os nomes dos funcionários que estavam de plantão. De acordo com Barbosa, o secretário Duvanier em nenhum momento informou que estava passando mal quando chegou ao hospital.

 "Duvanier chegou dirigindo o próprio carro. Em nenhum momento informou que precisava de atendimento emergencial no momento que foi fazer o cadastro com a atendente. Quando foi informado que o hospital não recebia o seu convênio, imediatamente ele e os seus familiares decidiram procurar outra instituição", informou o advogado do Hospital Santa Lúcia.

 Frederico Barbosa reforçou que o hospital não vai apresentar defesa. "Não há nenhuma acusação contra o hospital, então não será necessário apresentar defesa".
 
O Hospital Santa Luzia encaminhou na última sexta-feira (20) as imagens do circuito interno feitas na madrugada do dia 19. A delegada Alessandra Lacerda informou que o material já foi encaminhado para o Instituto de Criminalística, onde será periciado.
 
A direção do Santa Luzia reforçou que os funcionários do plantão relataram que não houve nenhuma negativa de atendimento na noite de quinta-feira. Informações do G1.


JUDICIÁRIO
Privilégios sem fim
Da redação em 23/01/2012 13:52:11

Enquanto parte da magistratura ainda resiste à transparência e ao controle externo, novos casos de fraudes e injustificadas regalias vêm à tona, enredando o Judiciário brasileiro numa crise sem prazo para acabar

Izabelle Torres e Alan Rodrigues, revista IstoÉ

O Judiciário brasileiro vive uma crise sem precedentes e sem previsão para terminar. Enquanto magistrados não conseguem apresentar justificativas para o recebimento de benesses milionárias, 205 pessoas que trabalham em tribunais estão incluídas numa lista de suspeitos de movimentação financeira irregular. Nesse ambiente conturbado, cresce o movimento de magistrados refratários à atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), criado em 2004 exatamente para executar o controle externo do Poder mais fechado e menos transparente da República. De outro lado da trincheira encontra-se justamente a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. Atuando em defesa da transparência e da moralidade no Judiciário, ela se mantém firme no propósito de investigar eventuais desvios e excessos dos magistrados.

A reação, por sua vez, parte de juízes e desembargadores acusados pelo CNJ de terem desfrutado de vantagens financeiras descabidas ou ilegais. O caso mais ostensivo é o do Tribunal de Justiça de São Paulo, o maior do País. Ali, 29 dos 352 desembargadores receberam mais de R$ 400 milhões em benefícios como férias atrasadas e gratificações. Apesar das pressões de colegas que não participaram do banquete, até agora não há explicação convincente para a distribuição de tais regalias. “Este ‘segredo de polichinelo’ prejudica a todos, colocando-nos sob suspeita, ao mesmo tempo em que preserva os que se aproveitaram da amizade ou do conluio para atropelar preceitos legais”, disse o desembargador Caetano Lagrasta.
 
Pesa contra o TJ-SP a acusação de repassar quantias milionárias para alguns magistrados privilegiados. Entre eles figuram nomes graúdos do Judiciário como o presidente do STF, ministro Cezar Peluso, e o ministro Ricardo Lewandowski, também do STF e atual presidente do TSE. Ambos participaram do fatiamento de R$ 17 milhões de uma sobra de caixa do TJ-SP. Outros 17 desembargadores receberam pagamentos individuais de quase R$ 1 milhão de uma só vez, passando na frente de colegas que também tinham direito a diferenças salariais. Apenas o desembargador Roberto Vallim Bellocchi, que presidiu o tribunal entre 2008 e 2009, recebeu da corte mais de R$ 500 mil a título de verbas e créditos pagos com atraso. O dinheiro, argumentou ele, serviu para quitar “parcialmente dívida de imóvel e pendências bancárias”.

Com o orçamento de R$ 6, 8 bilhões, equivalente ao do Estado de Sergipe, o tribunal paulista é o principal exemplo da gastança desenfreada que se abateu sobre o Judiciário. Mas não é o único. Dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) mostram que houve movimentações milionárias “atipicas” também no Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia. O relatório do Coaf entregue à ministra Eliana Calmon revela que as operações suspeitas de magistrados e servidores entre 2000 e 2010 alcançaram R$ 855 milhões. Da lista constam casos surpreendentes, como o de um servidor do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, que movimentou mais de R$ 200 milhões. Depois de divulgar a grave ocorrência, o Coaf voltou atrás e explicou que as operações não foram realizadas no âmbito do Judiciário. O funcionário do TRT-RJ era doleiro antes de assumir o cargo público, e naquela condição teria fechado seus negócios milionários. Diante da reação dos tribunais e das críticas feitas à lista de suspeitos, o Coaf fez um novo filtro nos dados e identificou 205 casos que resultaram em Relatórios de Inteligência Financeira. “O levantamento do Coaf não é um banco de dados de bandidos”, justifica Antonio Gustavo Rodrigues, presidente do conselho.
 
As regalias são um problema secular. Fechado para a sociedade, o STJ também é uma caixa-preta e não costuma divulgar seus gastos. A falta de transparência bate de frente com a resolução do CNJ que obriga os órgãos judiciais a divulgar detalhes do uso de dinheiro público. Apesar da ofensiva contra o controle externo dos tribunais, acredita-se que a chegada do ministro Ayres Britto à presidência do STF e do CNJ pode evitar o esvaziamento do órgão. “Pessoalmente, vejo o CNJ como uma bela novidade transformadora. O Conselho é como a Lei da Ficha Limpa: não pode ser temido por quem prima pela Constituição e pelas leis”, disse à ISTOÉ o futuro presidente do Supremo.


ARTIGO/JORNAL DE BRASÍLIA
Falta profissionalizar o GDF
Da redação em 23/01/2012 12:21:13

Adelmir Santana (*)

Nos últimos meses, a sociedade brasiliense tem se queixado do grave estágio de abandono em que se encontra o Distrito Federal. Essa crítica é verdadeira e motivada por diversas razões. A primeira delas, mais aparente, é o descuido com a cidade. No meu último artigo, citei como exemplo dessa questão as obras inacabadas, a falta de conservação das vias públicas e as constantes greves de servidores, que afetam diretamente a manutenção de serviços básicos considerados essenciais para toda a população e para a conservação de Brasília.
 
A segunda razão dessa sensação de abandono decorre do ressurgimento de antigos problemas. Males dos quais o cidadão gostaria de se livrar. Um deles é o crescimento da informalidade. O comércio ambulante tem crescido de forma assustadora na capital federal, a ponto de os camelôs terem retornado ao Setor Comercial Sul e ao entorno dos shoppings. Os ambulantes invadiram avenidas e quadras residenciais do DF. Perdem os empresários, que pagam uma carga tributária altíssima para se manterem na legalidade, e a população, que depende dos empregos gerados pelos setores de comércio e serviços.
 
A lista cresce quando falamos das mortes no trânsito, do transporte pirata e das quedas de luz. O brasiliense costumava se orgulhar de viver numa cidade civilizada, onde havia respeito ao pedestre e aos limites de velocidade. A educação nas pistas cedeu lugar aos radares eletrônicos.
 
As vans piratas voltaram a colocar em risco os usuários do sistema de transporte e os constantes apagões de energia se tornaram ainda mais constantes. Em 2011, cresceram em 31% as queixas contra a Companhia Energética de Brasília (CEB).
 
Por tudo isso, os brasilienses têm visto uma cidade abandonada. A terceira razão que explica essa realidade é a falta de solução para questões estruturais. Muito se falou sobre os problemas nas áreas de Saúde, Segurança e Educação. Mas o que foi feito concretamente? Nada de estrutural saiu do papel e ninguém aguenta mais promessas não cumpridas. Uma demonstração disso é que na última pesquisa de opinião feita em Brasília, 64% dos entrevistados consideraram o governo ruim ou péssimo. Não é pouca coisa. Essa situação nos mostra uma necessidade urgente de profissionalização do serviço público.
 
Grande parte dos problemas reflete uma má administração. Nenhum projeto resiste a tantas trocas de secretários, administradores e gerentes. O governo do Distrito Federal trocou, pelo menos, cinco secretários em menos de um ano. E qual a causa disso? Em parte a causa está num modelo que privilegia o preenchimento de cargos públicos com a contratação de "c o m p a n h e i ro s ", em vez da valorização de servidores de carreira ou técnicos e especialistas. Neste caso, precisamos reformar a política nacional. Por outro lado, os problemas também requerem uma postura mais atuante por parte do governador na intenção de solucioná-los.
 
 (*) Adelmir Santana Presidente do Sistema Fecomercio-DF


GOVERNO FEDERAL
Mantega indicará Graça Foster para comandar Petrobras
Da redação em 23/01/2012 12:16:55

A Petrobras, por meio de comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), informou nesta segunda-feira (23) que o presidente do Conselho de Administração da companhia, Guido Mantega, indicará a atual Diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Silva Foster, para presidir a estatal, em substituição a José Sergio Gabrielli. O nome de Graça Foster deverá ser apreciado pelos membros do conselho, em reunião que acontece no próximo dia 9 de fevereiro.
 
No final de semana, relatos da imprensa já davam conta de que Gabrielli deixaria o comando da estatal. O executivo está na presidência da empresa desde julho de 2005. Antes, Gabrielli ocupava a diretoria Financeira da estatal.
 
Leia a íntegra da nota:
 
"Esclarecimento sobre Noticias: Alteração na Diretoria Executiva

 Rio de Janeiro, 23 de janeiro de 2012 – Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras esclarece sobre notícias divulgadas na imprensa acerca de possíveis alterações na Diretoria Executiva.
 
A Companhia informa que o Conselho de Administração é o órgão responsável pela eleição de seu presidente. O Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Sr. Guido Mantega, já manifestou que vai encaminhar como proposta a ser apreciada na próxima reunião do mesmo, a se realizar dia 9 de fevereiro próximo, a indicação da atual Diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Silva Foster, para presidir a Petrobras.
 
Uma vez o assunto em questão seja aprovado pelo Conselho, a Companhia dará ampla  divulgação do fato." Informações do G1.


POLÍTICA
Plano eleitoral na Bahia deve tirar Gabrielli da Petrobrás
Da redação em 23/01/2012 10:24:08

O Estado de S.Paulo

Depois de meses de especulações, o comando da Petrobrás, maior empresa brasileira, deve mudar de mãos em fevereiro, segundo fontes do setor. Com aspirações na política da Bahia e embalado pela influência do governador Jaques Wagener (PT), o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, passaria o cargo para a diretora de Gás e Energia, Maria das Graças Foster.

As especulações sobre a saída de Gabrielli e a ascensão de Maria das Graças começaram no ano passado. Em dezembro, durante um café da manhã com jornalistas, o presidente da estatal chegou a negar que seria candidato a Prefeitura de Salvador nas eleições deste ano.

Segundo fontes, o alvo de Gabrielli sempre foi o governo baiano em 2014. Por isso, ele estaria buscando um cargo executivo no governo de Jaques Wagner para consolidar seu nome no Estado.

Indicado pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, Gabrielli entrou na Petrobrás em 2003 como diretor financeiro. Na época, sua nomeação causou desconfiança no mercado, que considerava seu perfil acadêmico demais para o cargo.

Em dois anos, virou o jogo com os investidores e conquistou prêmios internacionais, como do jornal New York Times. Quando assumiu a presidência da empresa, em 2005, o cenário já era bem mais favorável para o executivo.

Mas, segundo fontes, Gabrielli vem pautando seu trabalho na estatal como um trampolim para uma carreira política. Desde meados do ano passado, o executivo passou a ter uma agenda de candidato na Bahia, participando de várias reuniões com políticos locais e assistindo a cerimônias cívicas.


GOVERNO FEDERAL
Após denúncias na Integração, Dilma demite diretor e irrita PMDB
Da redação em 23/01/2012 10:04:44

Rosana de Cassia, da Agência Estado

A presidente Dilma Rousseff assinou a exoneração do diretor administrativo do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Albert Brasil Gradvohl e a nomeação de Victor de Souza Leão para o cargo. Esta foi a saída encontrada pela presidente para não ter que demitir o diretor-geral do órgão, afilhado político do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, apesar das irregularidades constatadas pela Controladoria Geral da União. A demissão irritou a bancada cearense do partido.

A exoneração foi publicada na edição desta segunda-feira, 23, no Diário Oficial da União. O PMDB não se conforma com a degola de Gradvohl como único responsável pelas irregularidades e promete ainda nesta segunda procurar a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti e da Integração Nacional, Fernando Bezerra, para discutir o assunto.  

A Controladoria Geral da União (CGU) identificou irregularidades em obras de irrigação no Ceará, analisadas pelo Ministério da Integração. A pasta vem sendo alvo de denúncias de favorecimento político. Conforme revelado pelo O Globo, no sábado, 21, o ministro Fernando Bezerra sugeriu a demissão de Albert Gradvohl em razão do relatório da CGU.

O novo titular da diretoria administrativa do Dnocs é funcionário da CGU. O relatório de irregularidades da Controladoria inclui desvio de recursos, dispensa de licitação e superfaturamento nas obras da barragem de Tabuleiro de Russas, no Ceará.


PARÁ
Ôôô, Ana Júlia!!!
Da redação em 23/01/2012 09:51:21

Indicada para diretora de uma subsidiária do Banco do Brasil, com salário de R$ 30 mil, a ex-governadora do Pará está enrolada com o sumiço de R$ 77 milhões

MARCELO ROCHA, revista Época

 

CONTABILIDADE CONFUSA

 Ana Júlia, o sistema viário de Belém financiado pelos bancos oficiais e uma das notas fiscais apresentadas duas vezes para justificar empréstimos diferentes (no fim). Segundo ela, foi apenas “um erro de informação numa planilha” (Foto: Antonio Cruz/Abr)
 
Entre 2007 e 2010, a petista Ana Júlia Carepa foi governadora do Pará, interrompendo 12 anos de administrações tucanas no Estado. Ana Júlia conquistou o cargo com denúncias contra velhos vícios da política, como o nepotismo, mas não tardou a aderir às mesmas práticas. Empregou os irmãos na máquina pública, entregou ao namorado, presidente do Aeroclube do Pará, um contrato de R$ 3,7 milhões para treinamento de pilotos de helicópteros e, por fim, contratou a cabeleireira e a esteticista como assessoras especiais de seu gabinete. Depois de uma gestão marcada por denúncias de falta de verbas na Saúde e na Educação e por crises na Segurança Pública, Ana Júlia não conseguiu se reeleger. Mesmo com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a maré econômica favorável, perdeu nas urnas para seu antecessor no cargo, Simão Jatene, do PSDB.
 
Ao longo de 2011, Ana Júlia ficou à espera de um cargo no governo federal. No fim do ano, a fila finalmente andou para a ex-governadora. Funcionária licenciada do Banco do Brasil, ela foi indicada para diretora financeira da Brasilcap, uma subsidiária do banco que opera títulos de capitalização, onde ganhará um salário mensal de R$ 30 mil. A nomeação ainda depende de aval da Superintendência de Seguros Privados (Susep), a autarquia que fiscaliza as seguradoras e as empresas de capitalização. Cabe ao órgão avaliar o preparo técnico e a idoneidade de quem vai comandar essas empresas. Se a Susep fizer direito seu trabalho, encontrará problemas na atuação de Ana Júlia que extrapolam o nepotismo e o favorecimento a parentes na administração pública.

 A Auditoria-Geral do Estado (AGE), órgão vinculado ao governo do Pará, apontou irregularidades em empréstimos contraídos pela gestão de Ana Júlia – R$ 366 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 100 milhões com o Banco do Brasil. Os contratos foram assinados por Ana Júlia em 1o e 2 de julho de 2010, quando a campanha eleitoral oficial estava começando e a então governadora procurava se reforçar para a disputa da reeleição. O dinheiro foi obtido para obras de pavimentação de ruas e avenidas na região metropolitana de Belém, saneamento, construção de escolas e hospitais em vários municípios do Pará. Uma parcela também deveria ser destinada a obras patrocinadas pelos deputados estaduais do Pará por meio de emendas ao orçamento do Estado.
 
Ao verificar a prestação de contas da aplicação dos empréstimos, os auditores não conseguiram, porém, desvendar o paradeiro de R$ 77 milhões. De acordo com os técnicos da AGE, o dinheiro relativo ao financiamento do BNDES (R$ 366 milhões) foi movimentado sem transparência. Há, segundo os técnicos do Estado, despesas em desacordo com o contrato de empréstimo e indícios de desvio de finalidade das verbas. Quando as duas prestações de contas, do BNDES e do BB, foram confrontadas, os técnicos constataram um problema mais grave. Um conjunto de 16 notas fiscais, emitidas por três empresas contratadas para as obras, apareceu nos dois processos. Para justificar despesas diferentes, o governo apresentou as notas fiscais duas vezes. Juntas, elas somam os R$ 77 milhões, cujo destino os auditores da AGE tentam rastrear. Um dado relevante, segundo a AGE: as duas prestações de contas foram feitas por órgãos diferentes. Uma foi apresentada pela Secretaria de Projetos Estratégicos, no caso do financiamento do BB, e a outra pela Secretaria da Fazenda, no caso do BNDES.


 
(Foto: reprodução)
 
Sem comparar as duas prestações de contas, BNDES e BB não identificaram problemas nas operações financeiras nem a repetição de notas fiscais. Com base nos papéis fornecidos pelo governo do Pará, o BNDES concluiu que a aplicação do empréstimo não obedeceu ao que estava na lei que autorizou o financiamento. O BB não teve acesso à documentação da AGE do Pará e disse que “as operações contratadas pelo governo do Estado do Pará estão em situação de total regularidade”. Ana Júlia atribuiu o uso repetido das 16 notas fiscais a um “erro de informação em uma planilha” e disse que os recursos foram transferidos para municípios paraenses. Ela afirmou ainda que suas contas foram aprovadas pela Assembleia Legislativa do Pará e pelo Tribunal de Contas estadual. A direção do PT do Pará acusou o governador Simão Jatene de usar a máquina estadual para produzir “factoides” com o objetivo de causar danos à imagem de Ana Júlia. Apesar das alegações do PT de motivação política, autoridades federais também apuram o caso. A Procuradoria da República no Pará abriu uma investigação em setembro e pediu à Polícia Federal a instauração de um inquérito.


ARTIGO/ÉPOCA
A palavra e o sexo
Enviado por Carlos Honorato em 23/01/2012 09:47:25

RUTH DE AQUINO
 
Era uma vez Emir. Imigrante marroquino, em Paris, apaixonou-se por uma belga. Ela foi morar no apartamento que ele alugava. Emir é garçom e músico. Brigas azedaram o amor e o casal se separou. Um dia, ela telefonou. Insistiu num encontro para discutir a relação. Foi para a casa dele. Beberam. Fizeram sexo. Na manhã seguinte, cedo, ela foi à delegacia e o acusou de estupro. Disse que Emir a forçou a fazer o que não queria.
 
Não havia marca de violência. Era a palavra do homem contra a da mulher. Ele jurava ser inocente. Afirmou que o sexo tinha sido consentido. Emir contratou advogado, foi julgado e condenado a três anos de prisão. O julgamento estarreceu seus patrões, franceses. Amigos de Emir acharam a condenação sexista e racista. Ele ficou incomunicável um bom tempo.
 
Acabo de reencontrar Emir, servindo mesas novamente em Paris. Ficou um ano na prisão. Tem uma companhia inseparável: a tornozeleira eletrônica. Flutua entre dois mundos – o de seu apartamento alugado, único bem que conservou, e o restaurante. Se decide, dentro do metrô, mudar a conexão para o mesmo destino, recebe imediatamente um telefonema e é convocado pela Justiça a se explicar. Se escolhe outra rua em seu trajeto, o celular toca.
 
Emir é grato ao juiz pela liberdade vigiada, que compara a uma ressurreição. Não quer processar ninguém. Só provar que nunca foi uma ameaça às mulheres. Tenta reconstruir suas economias, porque faliu. Ouviu dizer que a ex se mudou para a Itália com um amigo dele e com a indenização que foi condenado a pagar. Emir sempre foi gentil, atencioso, educado. Está mais calado, por temor e mágoa.
 
A lei hoje é mais rigorosa em suspeitas de abuso sexual. A palavra do homem vale bem menos que a palavra da mulher. É justo? Há casos tenebrosos de estupro contra meninas, moças, mulheres, filhas, sobrinhas, pacientes. Podemos concluir então que o homem, pelo poder e força física, tende a estuprar? Podemos nos permitir algumas injustiças escabrosas para equilibrar o jogo?
 
“A história fala de homens que submeteram mulheres a viver com medo e intimidadas, e o sexo também se prestou a isso”, diz o psicanalista Sócrates Nolasco. “Todavia, os tempos são outros, e o estupro, prática de alguns homens, passou a ser considerado uma prerrogativa masculina. Algumas mulheres usam essa prerrogativa para manipular ou tirar proveito de uma situação. Acontece nas varas de família, como vingança. Ou no caso da camareira em Nova York com Strauss-Kahn.” Nesta coluna, levada pela gravidade da acusação, o histórico de DSK e a reação da Justiça americana, dei crédito à camareira e me retratei pela precipitação.
 
As fronteiras entre o sexo consentido e o abuso costumam ser claras. Às vezes, não são. Penetramos então no terreno obscuro da subjetividade. O efeito do álcool ou da droga torna a mulher vítima potencial do homem? A mulher adulta precisa saber quem ela leva para a cama ou na cama de quem ela vai parar. E com que fim. Normalmente, não é para conversar ou rezar, mas ela tem o direito de mudar de opinião. Ele também. Se a mulher quiser perder o controle sobre si mesma, dificilmente controlará os atos do outro.
 
O que aconteceu com Daniel, do BBB, me pareceu exemplar e simbólico. Antes mesmo de se ouvir Monique, a moça que contracenou com ele as carícias explosivas sob o edredom, a sociedade já condenara o homem. Foi estupro. Foi abuso. Ouvi mulheres indignadas com os comentários dos machistas de plantão: ela pediu, ela estava de sainha, ela o espicaçou. Sempre existirão os ignorantes que acham que uma mulher atraente e sensual pede para ser abusada. Mas ainda assim eu me perguntava: quem disse que a moça sofreu abuso? Ah, ela estava bêbada e não podia discernir o que fazia.
 
Argumentei que homens bêbados também são levados para a cama por mulheres levemente mais sóbrias e, no dia seguinte, não se lembram de nada. E nem por isso a mulher é acusada de estupro. Ouvi de amigas que um homem bêbado não consegue transar obrigado. Será? Tem homem que, ao perceber com quem dormiu, pensa: “Eu só posso ter bebido demais”. Machismo meu? Ou vontade de não infantilizar as mulheres e não demonizar os homens?
 
O que chocou na semana passada foi a ideia de que um “estupro” teria sido transmitido pelo BBB, um dos programas mais vistos no Brasil, também pelas classes A e B. A ira prematura contra Daniel desabou quando Monique declarou que tudo foi consentido. O comportamento dos participantes de reality shows em todos os países – e na França inclusive – costuma ser inadequado. Não assisto porque não gosto do formato nem me identifico. E você, assiste?
 
Mais cruel que os reality shows é o enredo real que aprisionou Emir. A meu ver, ele sempre foi inocente. Mas de que adianta minha opinião?

RUTH DE AQUINO é colunista de ÉPOCA raquino@edglobo.com.br


CINEMA
Relação dos candidatos ao Oscar sai na terça
Da redação em 23/01/2012 00:41:04

Carolina Braga  E Gracie Santos - EM Cultura


A Fox quer que César, personagem digital criado a partir de atuação de Andy Serkis em Planeta dos Macacos - A origem, concorra a melhor ator

A sorte está lançada. Na reta final da disputa por uma indicação ao prêmio mais cobiçado do cinema, o Oscar, favoritos se digladiam até terça-feira, quando a Academia de Hollywood libera lista dos candidatos à premiação, que será realizada em 26 de fevereiro, no Kodak Theatre. Para o Brasil, a má notícia veio na quarta: Tropa de elite 2 não concorre a uma vaga à estatueta de melhor filme em língua estrangeira. Escolhido por unanimidade pela comissão brasileira, ano passado, para representar o país, estava entre os 63 filmes inicialmente qualificados. Restam agora nove concorrentes às cinco vagas.

A maior polêmica deste Oscar não é nova. Envolve a possibilidade ou não de um ator que viveu personagem digital disputar a estatueta com colegas que estiveram em cena em carne e osso. A 20th Century Fox fez campanha pela indicação de Andy Serkis por Planeta dos Macacos – A origem, filme no qual deu vida (por meio da técnica de captura de movimento) ao chimpanzé César. Inclusive disponibiliza vídeo em que César se despede do personagem de James Franco, mostrando a cena primeiro com o ator e, na sequência, com efeitos da técnica, que utiliza movimentos reais para dar vida ao personagem digital. Para ajudar, Franco fez carta defendendo a indicação do ator, considerado-o “a alma do filme”. Será que vai funcionar? Pouco provável. Não é a primeira vez que isso ocorre. Anteriormente, com O senhor dos anéis –A sociedade do anel, o mesmo Serkis quis se candidatar a ator coadjuvante por sua interpretação do genial Gollum. Não conseguiu.

Entre os atores que aparecem em carne e osso, a disputa é intensa na bolsa de apostas da internet. São listas e listas intermináveis. Encabeçando a maior parte delas George Clooney (Os descendentes), Leonardo DiCaprio (J. Edgar), Ryan Gosling (Tudo pelo poder), Anton Yelchin (Like crazy) e Asa Butterfield (A invenção de Hugo Cabret). Também fazem pressão nomes como Matt Damon, tanto por seu trabalho no tenso Contágio (de Steven Soderberg) como pelo meigo Compramos um zoológico; Banderas (que retorna à cena muito bem em A pele que habito, de Almodóvar); Gary Oldman (na louvável tentativa de salvar O espião que sabia demais). Não seria impossível que a lista incluísse Brad Pitt, por sua incrível atuação em A árvore da vida. Entre as mulheres, o ranking traz (não necessariamente nesta ordem): Meryl Streep (A Dama de Ferro); Felicity Jones (Like crazy), Charlize Theron (Jovens adultos), Jodie Foster e Kate Winslet pelo mesmo filme, Deus da carnificina (peça que no Brasil foi encenada por Julia Lemmertz e Deborah Evelyn), Tilda Swinton (Precisamos falar sobre Kevin), Kirsten Dunst (Melancolia) e Viola Davis (Histórias cruzadas).




 Poucos devem ser páreo para Matt King, personagem de George Clooney em Os descendentes


Duelos

 À medida que as premiações dos sindicatos e associações de classe de Hollywood se tornam públicas, ao mesmo tempo em que a bolsa de apostas para as indicações ao Oscar esquenta, os favoritos se fortalecem. É nessa onda que a produção franco-belga O artista parece sair na dianteira. Parece porque, apesar de já colecionar o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Awards, nessa disputa, todo mundo sabe, não há jogo ganho. Aliás, o que existe até agora são apenas especulações, que ganham ainda mais força a partir de terça, com a definição dos candidatos.

Um nome que deve circular bastante na temporada de bolões é o de George Clooney. Cotado pela direção de Tudo pelo poder, sua atuação em Os descendentes pode lhe garantir o segundo homenzinho dourado (o primeiro foi em 2006, com Syriana). Isso se conseguir derrubar o francês Jean Dujardin, vencedor do prêmio de ator em Cannes com O artista, melhor ator em comédia ou musicais no Globo de Ouro. O duelo entre O artista e Os descendentes promete ser frequente em várias categorias.

Direção deve ser uma delas, embora isso seja puro chute. Entre os diretores não há favoritismo. Michel Hazanavicius (O artista) e Alexander Payne (Os descendentes) deverão ter pela frente Martins Scorsese (A invenção de Hugo Cabret). Correm por fora na disputa das outras vagas, David Fincher (Millennium – Os homens que não amavam as mulheres); Nicolas Winding Refn (Drive); Woody Allen (Meia-noite em Paris) e Steven Spielberg (Cavalo de guerra). Inclusive esses dois veteranos certamente marcarão presença em outras categorias.

Possibilidades Meia-noite em Paris tem chances de integrar lista dos cinco indicados a roteiro original, junto com Os descendentes, por exemplo. Já Spielberg pode nadar de braçada entre as animações. As aventuras de Tintim é bastante cotado para disputar o Oscar com longas como Gato de Botas, Operação presente, Rango, Carros 2. Se a animação Rio foi esquecida pelo Globo de Ouro, fica a torcida para que os integrantes da Academia de Hollywwod não desprezem a aventura de Blu.

Quem também não deveria ser deixado de lado é Pedro Almodóvar. Como A pele que habito não foi indicado pela Espanha para concorrer a uma das vagas na categoria de melhor filme em língua estrangeira, ao cineasta restarão chances em roteiro ou direção. E ele merece. No time de atrizes, embora Meryl Streep seja a favorita pela excelente atuação como Margareth Tatcher em A Dama de Ferro, Viola Davis é páreo duro. A protagonista de Histórias cruzadas tem força e sutileza impressionantes no filme que relata o drama de empregadas negras americanas. Entre as categorias que devem surpreender muito pouco estão a de melhor ator em papel coadjuvante, tanto feminino quanto masculino. As prévias têm demonstrado força de Octavia Spencer (Histórias cruzadas) e Christopher Plummer (Toda forma de amor).


Gringos

Sem Tropa de elite 2, os nove concorrentes às cinco vagas de melhor filme em língua estrangeira são A separação, do Irã, eleito o melhor filme em língua estrangeira no Globo de Ouro; Bullhead, da Bélgica; Monsieur Lazhar, do Canadá; Superclássico, da Dinamarca; Pina, da Alemanha; Footnote, de Israel; Omar Killed Me, do Marrocos; In Darkness, da Polônia; Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Taiwan.

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"Quem entra na política para fazer negócio está cometendo crime contra o direito transindividual, difuso"

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