Relação dos candidatos ao Oscar sai na terça
Da redação em 23/01/2012 00:41:04
Carolina Braga E Gracie Santos - EM Cultura 
A Fox quer que César, personagem digital criado a partir de atuação de Andy Serkis em Planeta dos Macacos - A origem, concorra a melhor ator
A sorte está lançada. Na reta final da disputa por uma indicação ao prêmio mais cobiçado do cinema, o Oscar, favoritos se digladiam até terça-feira, quando a Academia de Hollywood libera lista dos candidatos à premiação, que será realizada em 26 de fevereiro, no Kodak Theatre. Para o Brasil, a má notícia veio na quarta: Tropa de elite 2 não concorre a uma vaga à estatueta de melhor filme em língua estrangeira. Escolhido por unanimidade pela comissão brasileira, ano passado, para representar o país, estava entre os 63 filmes inicialmente qualificados. Restam agora nove concorrentes às cinco vagas.
A maior polêmica deste Oscar não é nova. Envolve a possibilidade ou não de um ator que viveu personagem digital disputar a estatueta com colegas que estiveram em cena em carne e osso. A 20th Century Fox fez campanha pela indicação de Andy Serkis por Planeta dos Macacos – A origem, filme no qual deu vida (por meio da técnica de captura de movimento) ao chimpanzé César. Inclusive disponibiliza vídeo em que César se despede do personagem de James Franco, mostrando a cena primeiro com o ator e, na sequência, com efeitos da técnica, que utiliza movimentos reais para dar vida ao personagem digital. Para ajudar, Franco fez carta defendendo a indicação do ator, considerado-o “a alma do filme”. Será que vai funcionar? Pouco provável. Não é a primeira vez que isso ocorre. Anteriormente, com O senhor dos anéis –A sociedade do anel, o mesmo Serkis quis se candidatar a ator coadjuvante por sua interpretação do genial Gollum. Não conseguiu.
Entre os atores que aparecem em carne e osso, a disputa é intensa na bolsa de apostas da internet. São listas e listas intermináveis. Encabeçando a maior parte delas George Clooney (Os descendentes), Leonardo DiCaprio (J. Edgar), Ryan Gosling (Tudo pelo poder), Anton Yelchin (Like crazy) e Asa Butterfield (A invenção de Hugo Cabret). Também fazem pressão nomes como Matt Damon, tanto por seu trabalho no tenso Contágio (de Steven Soderberg) como pelo meigo Compramos um zoológico; Banderas (que retorna à cena muito bem em A pele que habito, de Almodóvar); Gary Oldman (na louvável tentativa de salvar O espião que sabia demais). Não seria impossível que a lista incluísse Brad Pitt, por sua incrível atuação em A árvore da vida. Entre as mulheres, o ranking traz (não necessariamente nesta ordem): Meryl Streep (A Dama de Ferro); Felicity Jones (Like crazy), Charlize Theron (Jovens adultos), Jodie Foster e Kate Winslet pelo mesmo filme, Deus da carnificina (peça que no Brasil foi encenada por Julia Lemmertz e Deborah Evelyn), Tilda Swinton (Precisamos falar sobre Kevin), Kirsten Dunst (Melancolia) e Viola Davis (Histórias cruzadas).
Poucos devem ser páreo para Matt King, personagem de George Clooney em Os descendentes
Duelos
À medida que as premiações dos sindicatos e associações de classe de Hollywood se tornam públicas, ao mesmo tempo em que a bolsa de apostas para as indicações ao Oscar esquenta, os favoritos se fortalecem. É nessa onda que a produção franco-belga O artista parece sair na dianteira. Parece porque, apesar de já colecionar o Globo de Ouro e o Critic’s Choice Awards, nessa disputa, todo mundo sabe, não há jogo ganho. Aliás, o que existe até agora são apenas especulações, que ganham ainda mais força a partir de terça, com a definição dos candidatos.
Um nome que deve circular bastante na temporada de bolões é o de George Clooney. Cotado pela direção de Tudo pelo poder, sua atuação em Os descendentes pode lhe garantir o segundo homenzinho dourado (o primeiro foi em 2006, com Syriana). Isso se conseguir derrubar o francês Jean Dujardin, vencedor do prêmio de ator em Cannes com O artista, melhor ator em comédia ou musicais no Globo de Ouro. O duelo entre O artista e Os descendentes promete ser frequente em várias categorias.
Direção deve ser uma delas, embora isso seja puro chute. Entre os diretores não há favoritismo. Michel Hazanavicius (O artista) e Alexander Payne (Os descendentes) deverão ter pela frente Martins Scorsese (A invenção de Hugo Cabret). Correm por fora na disputa das outras vagas, David Fincher (Millennium – Os homens que não amavam as mulheres); Nicolas Winding Refn (Drive); Woody Allen (Meia-noite em Paris) e Steven Spielberg (Cavalo de guerra). Inclusive esses dois veteranos certamente marcarão presença em outras categorias.
Possibilidades Meia-noite em Paris tem chances de integrar lista dos cinco indicados a roteiro original, junto com Os descendentes, por exemplo. Já Spielberg pode nadar de braçada entre as animações. As aventuras de Tintim é bastante cotado para disputar o Oscar com longas como Gato de Botas, Operação presente, Rango, Carros 2. Se a animação Rio foi esquecida pelo Globo de Ouro, fica a torcida para que os integrantes da Academia de Hollywwod não desprezem a aventura de Blu.
Quem também não deveria ser deixado de lado é Pedro Almodóvar. Como A pele que habito não foi indicado pela Espanha para concorrer a uma das vagas na categoria de melhor filme em língua estrangeira, ao cineasta restarão chances em roteiro ou direção. E ele merece. No time de atrizes, embora Meryl Streep seja a favorita pela excelente atuação como Margareth Tatcher em A Dama de Ferro, Viola Davis é páreo duro. A protagonista de Histórias cruzadas tem força e sutileza impressionantes no filme que relata o drama de empregadas negras americanas. Entre as categorias que devem surpreender muito pouco estão a de melhor ator em papel coadjuvante, tanto feminino quanto masculino. As prévias têm demonstrado força de Octavia Spencer (Histórias cruzadas) e Christopher Plummer (Toda forma de amor).
Gringos
Sem Tropa de elite 2, os nove concorrentes às cinco vagas de melhor filme em língua estrangeira são A separação, do Irã, eleito o melhor filme em língua estrangeira no Globo de Ouro; Bullhead, da Bélgica; Monsieur Lazhar, do Canadá; Superclássico, da Dinamarca; Pina, da Alemanha; Footnote, de Israel; Omar Killed Me, do Marrocos; In Darkness, da Polônia; Warriors of the Rainbow: Seediq Bale, de Taiwan.
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