Ódio de Lula pode travar governo de Dilma e a economia do Brasil
Da redação em 20/05/2012 03:28:58

O ódio gerou Stálin e o stalinismo na União Soviética. O ódio produziu Adolf Hitler e o nazismo na Alemanha. O ódio fabricou Mao Tsé-tung na China. Juntos, os três ditadores provocaram, diretamente, a morte de 110 milhões de seres humanos e desarticularam as economias de seus países. Somando o genocídio socialista aos mortos da Segunda Guerra Mundial, levada a cabo por Hitler — que, no início da batalha, tinha Stálin como aliado, o que a esquerda não aprecia admitir —, a estatística é ainda mais elevada. O ódio e o ressentimento, irmãos gêmeos ou praticamente uma coisa só, parecem produtivos, porque geram movimento e barulho, mas, na prática, no curto e no longo prazo, são paralisantes, porque travam as ações efetivas, aquelas que, às vezes lenta mas laboriosamente, dão resultados para a sociedade.
Há uma crise na Europa, mas a Alemanha é uma superpotência econômica, e sem guerra e sem perseguições a outros povos. Aquilo que a Alemanha se tornou, hegemônica em toda a Europa, por intermédio do consenso, é praticamente o mesmo que Hitler tentou fazer, por meio do conflito, entre 1939 e 1945. Embora a terminologia seja forte, correndo-se o risco do reducionismo, pode-se dizer que a Europa é uma espécie de colônia alemã. No lugar de ocupar o chamado “espaço vital”, o espaço físico, a Alemanha capitalista e democrática tornou-se “senhora” das economias europeias. Ao salvar a Europa, como terá de fazer, a Alemanha estará salvando a si própria — seu mercado “interno-externo”.
Todos somos críticos da rotina, pois queremos que a vida seja uma eterna revolução-paixão — são as paixões que descortinam um novo mundo para homens e mulheres e os fazem ver a vida de modo diferente. Mas a vida não funciona apenas assim. Por isso é que, depois de toda revolução-paixão, vem um período de calmaria, porque é na rotina que as pessoas constroem seus lares, famílias, sociedades e países. Os adeptos da “escola do ódio” ou da “escola do ressentimento político” pensam diferente: acreditam que pode-se viver e construir desviando-se dos assuntos principais e concentrando-se em picuinhas. É o que está acontecendo no momento. A presidente Dilma Rousseff, uma modernizadora que, pelo menos até agora, escapou dos tentáculos do populismo, está governando o país com equilíbrio e tentando sobreviver a uma crise internacional que, com a globalização, não “pertence” mais tão-somente às economias regionais — é de todos, ainda, é claro, que uns sofram mais e outros menos. Entretanto, se a petista quer governar, propondo ações e sugerindo metas para impedir que a crise externa trave a economia interna, há quem, como os ex-presidentes Lula da Silva e Fernando Collor — que proferiu absurdos sobre o petista, na campanha de 1989 —, não está preocupado com assuntos típicos de estadistas, e sim com questões perfunctórias.
A própria Dilma Rousseff comete seus pecadilhos. Sua obsessão com a Comissão da Verdade, provocando descontentamento entre militares e incentivando ataques orquestrados, mas apresentados como espontâneos — na sociedade moderna, com tanta dispersão, como diriam os gurus da Escola de Frankfurt, como Theodor W. Adorno, há escasso espaço para processos não-articulados —, a militares reformados que supostamente torturaram militantes da esquerda na ditadura, pode não ser um bom negócio para seu governo. Não se trata de ser contra a Comissão da Verdade, mas de entender que se começa com revanchismo, e não com o objetivo de iluminar um período da história, a Comissão da Verdade tende a naufragar. Os militares deveriam ser tratados como “parceiros” da empreitada — porque parte significativa deles quer esclarecer os fatos, para que sua história seja reposicionada — e não, desde já, como “inimigos”.
O jogo de mocinhos e bandidos não funciona no estabelecimento de uma história coletiva, como sabe Dilma Rousseff, uma política muito bem informada. Fala-se que se vai investigar a ditadura, e com isso certamente os chamados crimes da esquerda — assassinatos de militares, guardas de bancos e justiçamentos de companheiros de guerrilha — não serão lembrados. Serão olvidados para que os militares sejam demonizados. A presidente mudou, mas, quando guerrilheira, não lutava pela democracia. A petista, quando comunista, lutava para implantar outra ditadura, a do proletariado, na qual aqueles que pensam diferentemente dos que estão no poder são presos e, mesmo, mortos. É possível dizer, assim, que a ditadura civil-militar lutava para permanecer no poder e, ao mesmo tempo, contra a ameaça de outra ditadura, a de esquerda. Quem queria a volta da democracia eram os militantes e líderes do MDB e, paradoxalmente, militares como o presidente Ernesto Geisel e o principal mentor de seu governo, o general Golbery do Couto e Silva, que chegou a ser ameaçado de assassinato pelos militares da Linha Dura. Dilma tem uma crise à porta, uma crise capitalista das mais profundas, para a qual não se tem um remédio inteiramente eficaz, e deveria se preocupar mais com isto do que com comissões que querem produzir não “a” verdade, ou “as” verdades, e sim “uma” verdade — a das esquerdas. Retomaremos a questão da crise econômica e a necessidade de se investir em infraestrutura no final do Editorial. Agora, discutamos o ódio de dois políticos.
O Cachoeira de Collor
Collor odiava Lula e Lula odiava Collor. Agora, uniram-se e odeiam a imprensa, o mordomo da hora, e querem regulá-la, esbarrando na falta de “vontade” da presidente Dilma Rousseff. A história de Collor é curiosa e vamos lembrá-la brevemente. Se o leitor quiser um estudo mais amplo deve consultar o excelente livro “Notícias do Planalto — A Imprensa e Fernando Collor” (Companhia das Letras, 720 páginas), de Mario Sergio Conti. A obra conta como o nome de um político provinciano foi construído pela mídia — a “Veja” o pôs na capa com um título chamativo, “O caçador de marajás” — e se tornou presidente de um país-player como o Brasil. A mídia, construída por proprietários, editores e repórteres, não queria Lula da Silva, então Sapo Barbudo, na Presidência da República e, por isso, optou por Collor, um político de Alagoas sem grande experiência nacional, mas de centro e, aparentemente, inofensivo aos interesses capitalistas e à liberdade de imprensa. A maioria dos jornais e televisões, sobretudo a TV Globo, apoiou Collor. A mídia era “sua”. A TV Globo chegou a editar o debate de Lula e Collor para favorecer este. Nem precisava, porque Lula, apavorado e intimidado pela campanha destrutiva movida por Collor — que chegou a pôr no ar sua ex-namorada, Mirian Cordeiro, que disse que o petista pedira para ela abortar (Lula e Mirian são pais de Lurian) —, havia mesmo perdido o debate. A tônica da mídia era sugerir que Lula não estava preparado para governar o país e que Collor era moderno e capaz, quando, se escarafunchassem um pouco mais, os jornais e revistas descobririam o óbvio: nenhum dos dois tinha a mínima noção do que era governar um país continental e complexo como o Brasil.
Ao final, com o apoio da mídia, Collor foi eleito. Durante a campanha, como o interesse era derrotar o Sapo Barbudo, a mídia fez vista grossa e praticamente não detectou o sombrio PC Farias. Percebeu, é claro, mas sem notar que, ali, nascia o ovo da serpente que derrubaria o presidente. No poder, paparicado por áulicos e dotado de uma mente provinciana — apesar do acerto na abertura para os veículos importados, o que possibilitou a melhoria da tecnologia dos automóveis patropis —, Collor julgou-se Deus. Cercou-se de uma equipe incompetente, mas sabuja, e começou a governar como se o país fosse não o Brasil, e sim o Estado de Alagoas. Seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, o PC, não era integrante do governo, mas continuava arrecadando, como se fosse uma espécie de ministro extraordinário da Arrecadação.
PC Farias, astuto mas inculto, não tinha uma visão do país real e de como as elites realmente são e agem. Teria prometido ao chefe que, com a aquisição da TV Manchete, poderiam formatar uma nova TV Globo em pouco tempo. Ganhou a ira de Roberto Marinho e decerto não agradou as outras redes. Collor passou a tratar mal, como se fossem servos, os donos das principais empresas de comunicação do país, como Roberto Civita, da Editora Abril, que edita as revistas “Veja” e, entre outras, “Exame”. Conta-se que uma de suas diversões palacianas era deixar as pessoas consideradas importantes esperando horas a fio, para depois atendê-las brevemente e com ar imperial. Collor não era nazista, mas, no poder, comportava-se como um Führer — um chefe de Estado que não precisava de ninguém, muito menos do Legislativo. Enquanto se afastava da sociedade organizada, brigava com a mídia e demonstrava intolerância com o Congresso Nacional — ao estilo de Jânio Quadros —, deixava o “ministro plenipotenciário” PC Farias agir livremente. Diante do descalabro, a imprensa passou a mostrar o que acontecia e nem precisava de muito esforço.
A República de Alagoas, deslumbrada com as facilidades da Corte, e o próprio Collor, com sua Casa da Dindamarca, eram pratos cheios para a espetacularização da política. O resultado é que, ao ausentar-se da vida política do país, acreditando-se integrante de uma Corte de Camelot, Collor sofreu o impeachment e caiu sozinho, tendo como apoio apenas sua mulher, Rosane, com quem se exilou nos Estados Unidos. Rosane, leal ao ex-presidente, foi trocada por uma mulher mais jovem. Fora do poder, tornou-se um homem amargo e há anos rumina contra a imprensa, mas faltava-lhe a oportunidade pública para expressar o rancor. O petismo foi fundamental para sua derrocada, mas Collor não quer brigar em duas frentes, sobretudo porque os petistas estão no poder, e por isso encontrou o alvo ideal em parte da imprensa, notadamente a “Veja”, que foi decisiva para sua queda, ao mostrar os equívocos de seu governo e de seus aliados. O senador do PTB mal percebe que, ao “acusar” Policarpo Júnior de conversar com o empresário do jogo Carlos Cachoeira — fonte de vários jornalistas, possivelmente —, acaba por nos fazer lembrar que falava com PC Farias diariamente. Duzentas ou, como diria Mário de Andrade, trezentas e cinquenta vezes por mês? PC Farias trafegou pelos escaninhos mais sombrios da política e do empresariado patropi. O PT deitou e rolou ao denunciar Collor e seu Sancho Pança mexicanizado. O tesoureiro adorava vinhos e automóveis caros — não muito diferente de outros políticos, como o senador Demóstenes Torres, e empresários, como Carlos Cachoeira. O nouveau riche é igual em quaisquer Estados e países.
A “Veja” e outras publicações “derrubaram” Collor? Não. Eleito pelo voto popular, com o apoio da maioria das publicações, Collor se derrotou. Caiu sozinho. A “Veja”, a “IstoÉ” (que descobriu o motorista Eriberto França) e os jornais só deram um empurrãozinho. Por que Collor caiu? Porque não compreendeu o Brasil real e acreditou, tudo indica, que o poder era seu e permanente. Na democracia, como às vezes se sabe, a presença de políticos no poder é sempre provisória. Os políticos passam e a sociedade e os jornais e as revistas continuam. Ao “espumar” ódio na boca crispada — com o rosto desfigurado pela máscara da maldade irracional —, Collor parece desconhecer de que material a história é feita. De volta ao proscênio nacional, com uma atuação até positiva nas comissões do Senado, o petebista poderia ter reconstruído sua história, não suprimindo os equívocos do passado — não há borracha que apague a consistência de aço da verdade histórica —, e sim apresentando evidências de que havia mudado. Collor parece ter a personalidade arquetípica daquele que conforta-se, em termos psicológicos, dizendo a si mesmo: “Eu não errei. Os outros é que erraram”. Culpar os outros pelos próprios erros às vezes faz a pessoa seguir adiante, viva, mas faz um mal tremendo à convivência social. Porque quem falha e não assume, transferindo a culpa para os outros, não resolve seus problemas reais, pois perde a capacidade de ter autocrítica e, daí, permanece errando. De certa forma, Collor comporta-se como um cangaceiro, à Lampião, na sua vingança palavrória contra a “Veja” e o jornalista Policarpo Júnior.
Ressalve-se: o Supremo Tribunal Federal, uma corte respeitável, apesar de eventuais falhas, absolveu o ex-presidente Collor. Mas uma coisa é certa: o governo Collor não era muito católico no trato da coisa pública. Outra coisa: como a nossa memória é curta — praticamente olvidamos os problemas graves do governo collorido. Em política esquecer é o mesmo que perdoar.
Lula e o mensalão
Não deixa de ser curioso que, 23 anos depois, Collor e Lula estejam irmanados na luta contra a imprensa e alguns políticos. Lula, novamente “incorporado” pelo Sapo Barbudo, está parecido com Collor e este está parecido com o petista. O petista esqueceu o passado mais remoto, o de 1989, quando saiu do pleito “arrebentado” pela campanha sórdida da equipe de marqueteiros pagos pelo político de Alagoas, e pôs na alça de sua mira outros políticos, como o senador Demóstenes Torres, ex-DEM, e o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB.
Da estirpe de modernizadores populistas, Lula e Marconi davam-se muito bem. A astúcia de um decerto encantava a do outro. Marconi sempre sentiu-se como uma espécie de “petista honorário” — como seu padrinho político, Henrique Santillo, que, na década de 1980, chegou a se filiar ao PT. Porém, em 2005, quando a mídia divulgou a denúncia de que o governo do então presidente Lula pagava um mensalão para alguns políticos do Congresso Nacional — comprados para apoiá-lo integralmente —, o governador Marconi revelou que havia confidenciado ao petista, num encontro em Rio Verde, em Goiás, que um parlamentar goiano, Sandro Mabel, na época no PR, tentara comprar o “passe” da então deputada federal tucana Raquel Teixeira, hoje executiva da Fundação Jaime Câmara. Além da luva de 1 milhão de reais, a parlamentar, se aceitasse a oferta, receberia mensalmente 30 mil reais. Raquel Teixeira não aceitou a oferta e contou a história a Marconi. Ressalte-se que, depois de chorar durante uma CPI e de fazer um discurso ensandecido, Mabel foi “absolvido” pelo corporativismo de seus pares.
Nos bastidores, Lula culpava, e ainda culpa, José Dirceu pela criação do mensalão. Publicamente, não pode fazer o mesmo, porque estaria culpando a si e ao seu governo, este a fonte pagadora do propinoduto congressual (o ex-procurador-geral da República Antônio Fernando de Souza, na denúncia enviada ao Supremo Tribunal Federal, diz explicitamente que José Dirceu “é chefe de quadrilha”. Como tal, o líder petista tende a ser condenado pela corte suprema e possivelmente será preso). Então, como precisa distribuir a culpa, ao estilo de Collor, Lula elegeu Marconi como seu “inimigo preferencial”, especialmente porque os governadores da periferia do capitalismo, com os Estados endividados, estão sempre de pires na mão mendigando recursos em Brasília, onde estão concentrados os recursos do país.
Petistas contam que, quando ouve o nome de Marconi, Lula fala os mais chulos impropérios catalogados pelos dicionários de palavrões. O petista-chefe acreditava que nunca necessitaria dos préstimos do jovem Marconi. Como a vida é contraditória, rica em eternos retornos, como sugerem Giambattista Vico e Friedrich Nietzsche, um dia, porém, precisou. O segundo governo Lula tentava aprovar a volta da CPMF, para supostamente garantir dinheiro para o setor de saúde. Marconi, como senador, parecia ser a chave para o PSDB, ou parte do partido, apoiar o retorno do “imposto” sobre transações bancárias. Num encontro entre o tucano e petistas, com a intermediação de José Roberto Arruda, então governador do Distrito Federal e filiado ao DEM, Marconi teria garantido ao presidente Lula que, além de votar pela aprovação da CPMF, trabalharia para que outros tucanos seguissem pelo mesmo caminho. Ocorre que, ao contar a história do encontro aos tucanos de São Paulo, Marconi foi pressionado para recuar, sob pena até mesmo de punição.
Acabou votando pela não aprovação do “imposto” e o ódio de Lula, que parecia guardado na geladeira, só aumentou. O presidente disse a petistas goianos que se sentiu “traído” pela segunda vez. No Palácio do Planalto, cercado por áulicos, alguns com doutorado em “sociologia estelar do sabujismo” — os intelectuais prostram-se ante Lula como se cultuassem um deus bárbaro-primitivo e cultor persistente de blagues e chistes —, o presidente ruminou e jurou vingança eterna, como se os homens fossem perenes. Teria dito a um auxiliar: “Um dia, quando ele menos esperar, pego esse moleque na encruzilhada”.
Como nas urnas Marconi impunha derrotas e mais derrotas aos petistas e aliados do petismo, como o PMDB de Iris Rezende, Lula decidiu que o caminho da vingança deveria ser outro. As investigações sobre o senador Demóstenes Torres e Marconi Perillo — que sempre foi o alvo principal, o ex-democrata entrando como parte do “esquema” — começaram em 2009, com Lula ainda como presidente da República. Em 2010, petistas e peemedebistas espalharam uma série de boatos sobre Marconi, sugerindo que não seria candidato a governador, pois havia um dossiê pesado que seria impeditivo. O dossiê era falso e Marconi foi eleito governador, “derrotando” o (ex-)presidente Lula, o (ex-)governador Alcides Rodrigues e o ex-governador Iris Rezende — a quem o petismo havia prometido que o tucano seria “sangrado” durante a campanha, tal o volume de “documentos incriminatórios”. As máquinas federal e estadual não seguraram o tucano.
Mas as investigações continuaram, com uma mudança de foco, eliminando-se o dossiê sobre “contas no exterior”, talvez provisoriamente, e partindo-se para um ataque frontal às relações complicadas entre o empresário do jogo Carlos Cachoeira — outro “inimigo” visceral do petismo, especialmente de José Dirceu, o ex-consultor preferencial da Delta Construções (até hoje, infelizmente, a Polícia Federal, sempre atenta e perspicaz, não divulgou quanto o petista faturou nos anos em que emprestou seus serviços à empreiteira) — e o senador Demóstenes Torres e auxiliares do governador Marconi. Como o petismo usou com habilidade o discurso moral, que é capaz de mobilizar a nação — a pátria de chuteiras foi substituída pela “pátria das redes sociais”, às vezes habilmente manipuladas para criar uma sensação de espontaneidade —, tangenciando os aspectos políticos, ideológicos e mesmo o caráter de vingança, o mundo desmoronou e muitos passaram a atacar o democrata e o tucano. Há problemas (irregularidades), alguns graves? Há e a Polícia Federal deve mesmo investigar, assim como cabe ao Ministério Público denunciar, sem contemplação. Mas quem define o que é “crime” não são as redes sociais, a própria polícia e mesmo o Ministério Público. Alguém só é “criminoso” quando a Justiça conclui que deve ser apontado como tal, e ainda há instâncias. Se retiramos da Justiça o seu papel crucial — que é o de julgar com independência e após apresentadas as denúncias-provas e as defesas correspondentes —, tentando passar o seu papel para a sociedade, ou para organismos como polícia e promotores de justiça, que são necessariamente “partes”, estaremos voltando ao tempo dos linchamentos.
As redes sociais, instrumentalizadas politicamente — e não apenas pelos petistas, vale acrescentar; tucanos fazem o mesmo, ainda que com menos eficiência —, criaram hordas de linchadores, que, julgando-se impunes, dizem horrores sobre políticos e quaisquer outras pessoas. As redes sociais são excelentes meios ou pontes, mas, como são um fenômeno novo, estamos, todos nós, aprendendo a conviver com sua liberdade e dinamismo. Estamos tateando, em busca de usá-las da melhor forma possível. São úteis para propagar ideias, para possibilitar o encontro e reencontro de pessoas e mesmo para denunciar aquilo que está errado na política e nas empresas. Indivíduos que dependiam exclusivamente dos meios tradicionais — jornais, revistas, tevês e rádios — agora têm outros meios tanto para denunciar quanto para manifestar suas opiniões. Não raro as publicações têm de mudar seus focos devido às pressões das redes. Portanto, o que questionamos não são as redes, que são necessárias e excelentes meios de divulgação, inclusive das reportagens e artigos dos jornais, e sim o uso de sua liberdade para o ataque gratuito, para a instrumentalização ideológica e para a crítica rasa. Enganam-se aqueles que não entendem que as redes vieram para ficar. Contudo, seu formato irá mudando, inclusive com o avanço da legislação.
Num texto clássico e de rara excelência, “Sobre o óbvio”, o antropólogo Darcy Ribeiro insiste que é preciso discutir aquilo que parece óbvio, mas, por algum motivo, acaba não o sendo para a maioria das pessoas (claro que o texto é mais rico do que mostra nossa exposição reducionista). Por isso, a título de esclarecimento, o Jornal Opção defende toda e qualquer investigação séria e rigorosa sobre as atividades dos homens públicos e privados. Sem contemplação, mas frisando que, com as provas apresentadas, o julgamento cabe à Justiça. O “julgamento político” (partidarizado) que tanto agrada às massas — como agradavam aos jacobinos na França de 1789-1793, até que fossem guilhotinados — não é típico das democracias consolidadas. Aproxima-se mais da barbárie. Uma CPI das Empreiteiras, envolvendo gigantes como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Galvão Queiroz, revelaria certamente que a Delta de Fernando Cavendish e, agora, da JBS, e o empresário Carlos Cachoeira são “franguinhos de granja”. O capitalismo real é agressivo e impuro por natureza. Porém, como a crítica está politizada, é “melhor” discutir Delta e Cachoeira. O oceano, as empreiteiras de peso, contaminou muito mais, mas uma sociedade não se purga mesmo por inteiro. Purga-se “agredindo” um pedacinho aqui e outro acolá. Mas o país da presidente Dilma Rousseff enfrenta problemas mais graves e sérios do que vinganças pessoais travestidas de combate à moral e aos bons costumes.
DISTRITO FEDERAL
Homicídios sobem 16,5% no DF no 1º trimestre
Da redação em 20/05/2012 03:21:06
Do G1 DF
Dados da Policia Civil mostram que de janeiro a março deste ano, 197 pessoas foram assassinadas em todo o Distrito Federal. O número corresponde a um aumento de 16,5% em relação a 2011, quando foram registrados 169 casos nos três primeiros meses do ano. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública não quis comentar os números.
O balanço da Polícia Civil também apontou as cidades onde os homicídios cresceram de forma preocupante. No Riacho Fundo 1 o aumento foi de 300% - saltou de um caso no primeiro trimestre de 2011 para quatro, no mesmo período deste ano. O servidor público Robson Borges, que mora na cidade há 17 anos, ficou surpreso. “Nao era assim, não. Você tem o quartel da PM, tem a cavalaria da cidade. É complicado”, disse.
No Recanto das Emas, o índice subiu 257% - de 4 assassinatos no ano passado, passou para 15 neste ano. Em Samambaia, o aumento foi de 157%. No primeiro trimestre do ano passado foram registrados sete assassinatos; neste ano, no mesmo período, foram 18.
“Todo mundo aqui tem medo de sair de casa, porque é perigoso. Tá precisando é segurança, Justiça, tudo isso”, diz a dona de casa Maria do Socorro Campos. Na madrugada deste sábado, pelo me nos mais um homício foi registrado, A polícia encontrou um corpo carbonizado dentro de um carro, na QE 38 do Guará 2. A vítima ainda não foi identificada,
DISTRITO FEDERAL
Celina ataca rolo compressor do GDF contra a oposição
Da redação em 20/05/2012 03:14:18

A deputada distrital Celina Leão (PSD) revelou, no programa “Cafezinho com Henrique Chaves”, que existe um rolo compressor do GDF contra a oposição na Câmara Legislativa. A parlamentar também revelou que espera que a CPi da Arapongagem não termina em pizza.
Existe um rolo compressor do Governo contra a oposição na Câmara Legislativa?
Celina Leão — Existe sim. O que percebo é que um governo que se diz democrático, mas não sabe o que é democracia, não sabe conviver nem com a polaridade nem com a oposição. São manobras, ameaças e pressão nos próprios parlamentares da base, o que reflete diretamente no andamento da Câmara Legislativa.
Essa CPI da Arapongagem vai andar ou vai acabar em pizza?
Celina — Eu espero que ande. Se não tomarmos providencia é como se estivéssemos acatando e aceitando esse tipo de crime no Distrito Federal. Existe sim uma manobra para que a CPI acabe em pizza, mas existe também a resistencia por parte da oposição e uma pressão da sociedade e da imprensa, que também gostaria de passar tudo isso a limpo, até porque a imprensa também foi vítima do esquema de espionagem. Na verdade, não sabemos exatamente qual o nível de violação no DF, daí a necessidade de se investigar.
O que é "só subindo" hoje no DF ?
Celina — A violência e precariedade da Saúde e a corrupção hoje no DF estão só subindo. Inclusive quero parabenizar a Rede Record que está fazendo uma série de reportagens sobre Saúde no DF e mostra a dura realidade enfrentada pelo povo. É por isso que o programa do Henrique Chaves é tão próximo da população, que sabe que vai ter nele uma voz para gritar.
TELEVISÃO
Claudia Raia faz revelações sobre os ex Jô Soares e Alexandre Frota
Da redação em 20/05/2012 02:53:00
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Enquanto estava casada com Edson Celulari, a atriz Claudia
Raia evitava falar sobre o passado. Mas agora parece que fazer revelações sobre
os ex não incomoda mais a musa. Em entrevista à revista "A", a morena afirmou
que Jô Soares já salvou sua vida e que Alexandre Frota "é deus e o demônio ao
mesmo tempo".
Claudia Raia começou a namorar Jô aos 17 anos, mesmo
período que estreou na televisão. Eles contracenavam no quadro "Vamos Malhar",
do programa Viva o Gordo, na Rede Globo. Na entrevista, ela falou com muito carinho sobre o apresentador. "Eu tinha uma pinta na perna direita que era um
melanoma cancerígeno. Como ele já teve, percebeu. O doutor Dráuzio Varella foi
quem tirou", contou a atriz, que revelou ainda que Jô foi "o primeiro homem
inteligente que conheceu".
Ela explicou que o fim do relacionamento
aconteceu por causa de Jô: "Ele disse que talvez não aguentasse, a gente tinha
30 anos de diferença. Eu só tinha 17 anos, até o filho dele era mais velho do
que eu". Quando o romance acabou, Claudia Raia encontrou conforto nos braços de
Alexandre Frota. "Estava saindo do Jô fatiada. Alexandre era muito bonito,
espetacular. Quando comecei a namorá-lo não estava apaixonada. Fui me apaixonar
mesmo quando estávamos quase casados", explicou.
A atriz evitou durante
muito tempo falar de Frota e pediu, inclusive, que ele não tocasse no nome dela
enquanto estava casada com Celulari. Mas, ao que tudo indica, a mágoa já não
existe. "O Alexandre é deus e o demônio ao mesmo tempo. Tinha uma porção de
coisas que eu admirava. Ele é muito empreendedor. E tinha um outro lado: ele era
muito jovem e queria tudo. Queria todas as mulheres. Continua querendo",
revelou. Informações do Correio da Bahia.
RIO DE JANEIRO
Justiça Eleitoral recolhe jornais com fotos de Cabral
Da redação em 20/05/2012 02:47:17
A juíza Ana Paula Pontes Cardoso, titular da 192ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro, determinou a apreensão de todos os exemplares do "A República-22", jornal oficial do PR, com as fotos do governador Sérgio Cabral (PMDB), acompanhado de três secretários de governo, durante viagens à Europa em companhia de empresários, entre eles Fernando Cavendish, ex-presidente da Delta, empreiteira envolvida nos escândalos com o empresário do ramo de jogos ilegais Carlinhos Cachoeira. As informações são do portal Terra.
Segundo a sentença da juíza, o jornal estaria fazendo campanha antecipada ao promover o PR em detrimento do PMDB.
Em seu blog, Anthony Garotinho classificou a ação como "arbitrária". Segundo ele, as acusações são infundadas, pois as imagens se tornaram públicas e já foram publicadas também em diversos outros veículos de imprensa.
"Não há uma linha sequer do jornal que faça qualquer propaganda ou peça votos. Todas as imagens mostradas no jornal são de domínio público e foram veiculadas em todos os principais jornais, revistas e emissoras de televisão do país, inclusive reproduzidas nos seus respectivos sites na internet", escreveu Garotinho em seu blog.
Garotinho também acusou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PMDB), a quem chamou de membros da "Gangue dos Guardanapos", de censura. Segundo o blog do deputado do PR, "na ânsia de atender o partido do governador e do prefeito, a juíza transformou sua decisão num mandado de busca de apreensão".Informações do Conjur.
POLÍTICA
Jogo de interesses influencia rumo da CPI do Cachoeira
Da redação em 19/05/2012 20:54:11
O Globo
As duas primeiras semanas da CPMI que apura as ligações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com parlamentares, governos e iniciativa privada foram marcadas por bate-boca, atuações solitárias, defecções nas bancadas e alianças improváveis. Só que boa parte desses fatos nada tem a ver com a investigação. Apesar de publicamente todos os parlamentares dizerem que estão focados no objeto da CPMI, o que se percebe é uma disputa pela defesa de interesses particulares.
Nesse sentido, está a aliança, inimaginável em outros tempos, do senador Fernando Collor (PTB-AL) com os petistas Cândido Vaccarezza (SP), Paulo Teixeira (SP) e Humberto Costa (PE) para expor aos holofotes da CPMI o jornalista Policarpo Jr., da revista “Veja”. Collor e petistas vislumbram a possibilidade de desgaste da publicação que teve papel importante no impeachment do primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura e na crise do mensalão.
Collor, ao mesmo tempo, é o alvo predileto de outros integrantes da CPMI. Caso do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que faz questão de expor, em cada reunião, suas divergências com o ex-presidente da República, e do senador Pedro Taques (PDT-MT), que gosta de citar artigos do Código Penal, da Constituição ou de qualquer outra legislação para contradizer o colega de Senado.
Até mesmo um correligionário de Collor expressou divergência com ele. O deputado Sílvio Costa (PTB-PE), que tem se notabilizado por falar alto, bater na mesa e querer ganhar no grito as discussões com o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), chegou a pedir, na quinta-feira passada, que Collor deixasse de ressentimentos e se reconciliasse com o Brasil. Conseguiu o silêncio do ex-presidente da República, que usualmente rebateria com agressividade.
As votações também têm revelado alianças informais marcantes. Os representantes do PDT, por exemplo, têm se posicionado junto aos oposicionistas do DEM e do PSOL defendendo a mais ampla apuração das denúncias. Os tucanos, antes parceiros inseparáveis do DEM e sempre à frente de denúncias de corrupção, agora se mostram relutantes, defendendo as investigações, mas recuando quando o tema é o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), candidato a dar explicações sobre seu relacionamento com Cachoeira.
Escancarada pela troca de mensagens entre o deputado Cândido Vaccarezza e o governador do Rio, Sérgio Cabral, na última quinta-feira, a aliança entre o PT e o PMDB quer livrar o governador de dar explicações sobre sua amizade com o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish e também impedir as investigações sobre a construtora, responsável por diversas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Diante de tantos interesses em jogo, uma frase do deputado Silvio Costa, com sua teatralidade, talvez represente bem o que pode ser o fim da CPMI:
— Eu acho que vamos chegar muito longe, mas longe da investigação. É a lonjura a que vamos chegar.
DITADURA MILITAR
Legista da ditadura promete revelações na comissão
Da redação em 19/05/2012 20:51:25
Ex-diretor do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo nos anos 70, o legista Harry Shibata diz que tem revelações a fazer para a Comissão da Verdade, que apura os crimes da ditadura. Aos 85 anos, vivendo recluso em uma casa de dois pavimentos e piscina no Alto de Pinheiros, Shibata nega a maior acusação que pesa contra ele, a de falsificar laudos e atestados de óbitos para esconder torturas e mortes no regime militar.
O legista assinou a autópsia do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, que morreu sob tortura, mas teve sua morte divulgada como suicídio. É acusado de ter falsificado outros inúmeros laudos. Assinou o laudo de Sonia Maria de Moraes Angel Jones, que, depois de torturada, teve seus seios arrancados e foi estuprada com um cassetete. A versão do legista foi de morte em tiroteio.
Shibata é processado pelo Ministério Público Federal por ocultação de cadáveres por causa do encontro de ossadas de presos políticos no cemitério clandestino de Perus, em São Paulo. Em entrevista exclusiva ao GLOBO, ele confirma que assinou o laudo de Herzog, mas nega ter visto o corpo.
— Eu não fiz a autopsia porque o segundo perito não participa. É praxe. Ele lê o laudo, conversa com quem fez o exame. Se ele estiver de acordo, assina. Eu não assinei como suicídio. O laudo dizia que ele morreu de asfixia por enforcamento. No caso do Vlado, ele morreu de asfixia mecânica por enforcamento. Se enforcaram ou não enforcaram, se é suicídio, homicídio ou acidente, não é função do legista. Isso é o inquérito que vai dizer.
Apesar de garantir que não viu o corpo de Vlado, o legista afirma que tem segredos para contar à comissão e à viúva de Vlado, Clarice Herzog, que mora a 300 metros de sua casa. Perguntado se faria uma revelação, respondeu:
— Se for chamado, sim. Eu não quero que você publique uma coisa antes que a Comissão da Verdade saiba. Para você, é um furo, para eles é um “atrapalho”. Eu não sei o que eles vão procurar realmente.
Embora negue ter visto cenas ou vestígios de tortura nos presos políticos, Shibata diz que ela existe “em qualquer lugar do mundo”:
— Eu não acredito que não exista polícia que não faça tortura — disse ele, que não descarta o método como forma de investigação: — Olha, se você tiver que pensar em termos de combater estuprador, assassino, a maldade, uma certa forma assim, cruel, eu não sei.
Shibata diz que nunca fez um laudo falso:
— Absolutamente. Nunca. Imagina. Eu tenho um juramento comigo mesmo. Eu sou espiritualmente muito doutrinado. E Jesus foi sempre quem pregou a verdade: “em verdade, em verdade, vos digo”— afirmou, dizendo que vai ter de “corrigir a mídia”: — É tudo mentira.
O legista mais famoso da ditadura militar diz que nunca viu uma cadeira do dragão, usada nas torturas com eletrochoques.
— Como é a cadeira do dragão? Você tem ideia? Eu nunca vi — disse ele, concluindo, depois que a reportagem falou sobre os choques elétricos: — Ah, toma choque? É tipo cadeira elétrica, então? Se você está dizendo isso de cadeira do dragão, de choque... Choque não deixa vestígio.
Apesar de dizer que “honestamente falando” nunca encontrou vestígio de tortura, o legista confirma:
— Eu sabia que havia tortura, mas não entro no mérito.
Shibata nega que o IML tenha recebido orientação de não descrever o estado geral dos corpos autopsiados, ignorando marcas de tortura:
— Nunca houve essa intervenção. O que a polícia sempre pedia é que a gente tinha de receber a requisição policial, o pedido de autopsia. Se você tem um hematoma, se descreve o hematoma. Se ele caiu, se apanhou, não é função nossa.
Se depender de Harry Shibata, a localização dos desaparecidos na ditadura militar continuará uma incógnita.
— O que acontece muita vezes é que quem pratica esses atos, os pratica muito bem e a gente nunca vai saber. Desaparecido é desaparecido. Onde está, não sei. Especular a respeito de como foi feito o desaparecimento é difícil, né? Se o cara foi enterrado com o nome falso, acontece muitas vezes — disse ele, respondendo sobre as ossadas de Perus: — O problema não tem nada a ver comigo, nem com o IML. A função de enterro é do cemitério.
O legista afirma não ter conhecido a presidente Dilma durante o regime militar porque não acompanha política.
— Eu acredito que ela esteja fazendo uma boa gestão. Eu votei no Serra. Não conhecia a Dilma. Nunca ouvi falar dela nos anos 70. Sou meio apolítico. Quando Carlos Marighella morreu, eu que fiz a autopsia. Não sabia quem era. Ele morreu metralhado. Eu só soube depois, quando pediram para fazer o laudo imediato, porque havia pressa, a polícia pediu urgência no laudo.
Shibata conta que, por ordem do delegado-geral de Polícia, Celso Teles, não fez a autopsia no corpo do delegado Sérgio Paranhos Fleury, um dos maiores símbolos da repressão, supostamente morto ao cair de seu barco em Ilhabela, em 1979. Segundo afirma o delegado capixaba Cláudio Guerra no livro “Memórias de uma Guerra Suja”, Fleury foi morto pelos próprios militares e o acidente foi forjado:
— O delegado-geral (Celso Teles) disse: “Olha, não precisa fazer autopsia”. Estava tudo errado. Quando é morte violenta teria de ser chamado um legista. Mas chamaram um médico comum. A lei diz que onde não há médico-legista, o laudo deverá ser feito por dois médicos. Eu acho que é fantasiosa (a tese de assassinato), mas existe a suspeita porque não foi feita a devida autopsia.Informações de O Globo
AMAZONAS
Tabatinga já convive com reflexos da vazante do Solimões
Da redação em 19/05/2012 20:46:39
Moradores do município de Tabatinga, a 1.105 km de Manaus, estão desfazendo as marombas e baixando assoalhos por causa da vazante do Alto Solimões. Em algumas casas, pessoas que já utilizavam a água para serviços domésticos terão a rotina modificada mais uma vez, agora com a seca.No Porto de Tabatinga, mototaxistas enfrentam as ruas ainda alagadas que escondem buracos e se tornam perigosas.
O Rio Solimões começou a baixar no dia 28 de abril. Até a manhã da última quinta-feira (17), a régua pluviométrica que mede a cheia e a vazante para o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) registrou uma diminuição de 53 centímetros.
De acordo com Jaime Silva, responsável pelo registro do nível do Rio Solimões no município, a cheia de 2012, com 13,73 metros pode ser considerada a segunda maior da história do Alto Solimões, ficando a apenas 9 cm da cheia recorde de 1999, que registrou um nível de 13,82 metros no Solimões, que de acordo com a medição, desce em média, 4 centímetros por dia.(G1)
FUTEBOL
Nos pênaltis, Chelsea bate o Bayern e conquista título inédito
Da redação em 19/05/2012 19:10:30

O Chelsea conquistou neste sábado o primeiro título de campeão da Champions League de sua história. Na Allianz Arena, diante do Bayern de Munique, o time inglês sofreu um gol no final do segundo tempo, com Thomas Muller, mas Didier Drogba empatou a partida, por 1 a 1. Após uma prorrogação sem gols, os Blues, nos pênaltis, bateram o clube alemão por 4 a 3, em noite de destaque do camisa 11 do time londrino.
Desde o primeiro tempo, o Bayern de Munique teve maior posse de bola e tentava explorar jogadas laterais, com Ribery, pela esquerda, e Robben, pela direita. Ainda assim, não conseguia entrar na defesa do Chelsea, bem postado defensivamente e que buscava incomodar em contra-ataques.
Mesmo com maior posse de bola, o clube bávaro chegou ao seu gol apenas aos 37 minutos do segundo tempo com Muller, de cabeça. O time alemão, porém, provou do próprio veneno cinco minutos depois e, também pelo alto, Drogba igualou o placar, levando a partida para a prorrogação.
No tempo extra, logo aos dois minutos Ribery foi derrubado por Didier Drogba dentro da área. Arjen Robben decidiu que iria cobrar a penalidade. O camisa 10, porém, chutou apenas com força, sem muita precisão e o goleiro Petr Cech caiu no canto esquerdo e conseguiu fazer a defesa, sem dar rebote.
Sem gols nos últimos 30 minutos, a partida foi para os pênaltis. Com erros de Schweinsteiger e Olic, o clube inglês venceu, já que apenas Mata perdeu sua cobrança. Drogba, decisivo no gol durante o tempo normal, e quase vilão no início da prorrogação, fechou a série rolando a bola no canto direito de Neuer, para grande festa do time inglês, na Alemanha. Informações da Gazeta Esportiva.
ECONOMIA
Juro baixo anunciado pelos bancos só vale para casos especiais
Da redação em 19/05/2012 11:57:53
Amanda Mont‘Alvão Veloso, do R7
Os meses de abril e maio foram marcados pela redução dos juros cobrados em diversas linhas de crédito de bancos públicos e privados no Brasil, mas o consumidor ainda não sentiu economia no bolso. Amplamente divulgadas, as taxas mínimas de juros são aplicadas somente em casos muito específicos, como constatou a reportagem do R7 nos dias 9 e 10 de maio; a Fundação Procon de São Paulo, no dia 2 de maio; e uma pesquisa da Pro Teste (Associação dos Consumidores) realizada no fim de abril nos principais bancos de varejo do País.
Ao apurar a taxa oferecida para os juros do cheque especial, a reportagem verificou que, dentre os bancos Caixa Econômica Federal (1,35% ao mês), HSBC (1,39%) e Bradesco (8,19%), nenhum ofereceu a taxa mínima. A melhor condição de juros dependia do tempo de relacionamento com a instituição financeira, renda do consumidor e análise de crédito.
Na Caixa, onde foi informada a taxa de 4,27%, o juro poderia ser menor (3,5%) caso o interessado levasse a conta salário para a instituição. Essa conta é um mecanismo criado pelo Banco Central que permite ao cliente levar o salário para o banco de sua preferência.
O banco não informou, no entanto, o perfil do cliente que passou a pagar apenas 1,35% ao mês - historicamente, a taxa de juros mais baixa cobrada do consumidor no Brasil por esta modalidade de crédito.
Procon recomenda cuidado com pegadinhas dos bancos
No Banco do Brasil, foi constatada a taxa padrão atual para quem tiver conta salário, de 3,94%, de acordo com o que está sendo anunciado. Já o Itaú Unibanco não prestou atendimento pelo telefone.
Financimento do carro
Ao simular o financiamento em 24 meses de um veículo Gol 1.0 Flex, com quatro portas, ano 2011 e zero km, a Pro Teste também encontrou restrições para obter as menores taxas.
O órgão de defesa do consumidor visitou agências da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, HSBC, Itaú Unibanco e Bradesco em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Para as taxas mínimas houve uma série de exigências como prazo de financiamento, tempo de conta na instituição e número de parcelas, como foi verificado na Caixa, cujo menor juro para financiamento de veículos era de 0,89%.
No Bradesco, foi constatado que a taxa mínima de 0,97% só é válida se o cliente der entrada de 50% do valor do carro e parcelar o pagamento em, no máximo, seis meses.
Segundo a entidade, os pesquisadores tiveram dificuldades para obter simulação de financiamento no HSBC, uma vez que não eram clientes.
Foram encontradas diferenças também no valor cobrado pelo crédito pessoal feito nos bancos. Ao simular a contratação de um empréstimo de R$ 10 mil em 30 vezes, a Pro Teste encontrou a taxa de 7,31% no Bradesco (o mínimo anunciado era de 1,97%) e 2,49% na Caixa (onde o menor juro divulgado era de 1,80%).
Taxa máxima
A Fundação Procon-SP destacou que os anúncios dos bancos não informam a taxa máxima oferecida e há diferença nas nomenclaturas utilizadas pelos produtos, o que pode dificultar a comparação que o consumidor deve fazer.
Segundo o órgão, o Bradesco informa uma taxa para crédito pessoal, mas não especifica todas as linhas de financiamento pessoal oferecidas.
De acordo com o diretor executivo do órgão, Paulo Arthur Góes, os bancos serão notificados pelo Procon para provar a veracidade das informações colhidas nos sites e nos comunicados divulgados à imprensa.
— O consumidor deve pesquisar para escolher melhor, mas é obrigação das instituições financeiras informarem de forma clara e didática tudo sobre o produto que está sendo adquirido, incluindo dados sobre possíveis riscos e perdas.
Outro lado
O Bradesco informou que a negociação dos juros nas linhas de financiamento é avaliada caso a caso e leva em conta o relacionamento com o cliente. Esse "relacionamento", basicamente, é o histórico de "bom pagador" do cliente. Com menos risco, os juros podem ser menores, alegam.
A Caixa, também em nota, utilizou-se do mesmo argumento para definir a taxa cobrada. A instituição explica ainda que as taxas de juros praticadas para o financiamento de veículos levam em consideração a análise do relacionamento do cliente com o banco, o prazo pretendido e a cota a ser financiada.
O juro mínimo, de 0,89% ao mês, se destina a todos os clientes, desde que o veículo tenha até cinco anos de fabricação, que o financiamento seja feito em até 12 meses e a cota financiada seja de até 50%.
O HSBC afirma que as taxas são definidas de acordo com o relacionamento entre cliente e banco. As taxas publicadas servem como referência e variam de acordo com a evolução do mercado financeiro.
Em nota, o Banco do Brasil informou que os juros para financiamento de veículos variam de acordo com as características da operação, como percentual dado na entrada, ano do veículo e prazo do financiamento. O mesmo discuros do relacionamento coom o cliente foi alegado pelo Itaú Unibanco. Desde a última pesquisa da Proteste, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Bradesco e o Itaú Unibanco efetuaram novos cortes nas taxas.
DEU NA REVISTA ISTOÉ
Kassab e a máfia dos imóveis
Da redação em 19/05/2012 11:52:35
Investigação do MP revela o envolvimento do prefeito de São Paulo com o esquema de aprovação de licenças para edificações. Para os procuradores, Gilberto Kassab (PSD) sabia das irregularidades há pelo menos quatro anos e pode ter se beneficiado delas
Alan Rodrigues

Há pelo menos uma década, o Ministério Público de São Paulo vem recebendo informações e documentos sobre a existência de uma máfia que atua no setor imobiliário de São Paulo e a ligação dessa organização com funcionários da própria prefeitura da capital. Agora, depois de anos de denúncias, veio a público a suspeita de que um dos líderes dessa possível quadrilha é Hussain Aref Saab, ex-diretor responsável pela aprovação de edificações de médio e grande porte da cidade. Trata-se de um funcionário público que ascendeu na administração municipal pelas mãos do atual prefeito, Gilberto Kassab (PSD), e que chegou ao ponto alto da carreira nomeado pelo ex-governador e ex-prefeito José Serra (PSDB). Aref, como é conhecido nos gabinetes paulistanos, foi flagrado depois que a Corregedoria-Geral do Município (CGP) identificou 106 imóveis (apartamentos, casas, terrenos, salas comerciais e vagas de garagem) em seu nome. Um patrimônio de mais de R$ 50 milhões adquiridos nos últimos sete anos.

106 é o número de imóveis que Hussain Aref comprou nos últimos
sete anos, depois que foi nomeado diretor por José Serra
Fortalece as suspeitas de corrupção o fato de toda essa riqueza ser amealhada por um funcionário público que vivia com R$ 20 mil mensais – salário e aposentadoria que somam R$ 9.400 e os outros R$ 10.600 creditados das retiradas financeiras de um estacionamento da família, conforme revela sua declaração de renda. Segundo a Controladoria, as fraudes causaram um rombo de mais de R$ 70 milhões aos cofres municipais. De acordo com o MP, a máfia chegou a ponto de criar uma tabela de propina. “A quadrilha cobrava de R$ 40 mil a R$ 400 mil para que fosse autorizada a liberação de áreas para construção na cidade”, diz um dos promotores. O funcionário pediu demissão no dia 15 de abril. O problema para Kassab é que documentos em poder do MP e da Câmara dos Vereadores, aos quais ISTOÉ teve acesso, comprovam que o prefeito sabia de tudo há pelo menos quatro anos. Mais do que isso. Kassab pode ter sido um dos beneficiários do esquema criminoso, assim como familiares do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, uma rede de empresários e dezenas de servidores públicos. “Estamos diante do maior escândalo já visto dentro da máquina pública paulista”, avalia o vereador Aurélio Miguel (PR), autor de um pedido de CPI para apurar o caso, que até a tarde da quinta-feira 15 já colecionava 18 das 28 assinaturas necessárias.


As suspeitas sobre as ações irregulares de Aref durante a aprovação de licenças de edificações começaram em 2006, depois que o teto de uma igreja evangélica desabou sobre os fiéis no centro de São Paulo. Na época, uma Comissão da Câmara de Vereadores identificou várias irregularidades na concessão dos alvarás de funcionamento de prédios na cidade. Diante disso, tanto o Ministério Público quanto a Corregedoria da prefeitura foram alertados sobre a possível existência de uma máfia no setor imobiliário paulista. O envolvimento de Aref ficou mais evidente durante as investigações da CPI do IPTU, em 2008, que apurou falsificação de carnês do imposto e desvios de verbas. Segundo a CPI, mais de três milhões de metros quadrados tiveram sua licença aprovada irregularmente. Nesse período, o responsável pelas liberações das construções era Aref. De acordo com integrantes da Comissão de Inquérito, a Prefeitura de São Paulo foi reiteradamente comunicada. “Pedimos apurações e nada aconteceu”, alerta Aurélio Miguel. Uma das mais contundentes provas de que Kassab sabia do esquema está na correspondência encaminhada em novembro do ano passado à prefeitura pelo presidente da Câmara, José Pólice Neto (PSD). No ofício, Neto comunica o prefeito sobre a convocação de Aref e outros quatros funcionários. Só que Aref e os demais subordinados do prefeito ignoraram os convites para o depoimento. Na mesma carta, Kassab foi informado de que a ausência dos funcionários atentava contra o regimento do servidor público e que o não comparecimento deles implicava na suspensão de seus vencimentos.

O comportamento do prefeito pode ser explicado por outra denúncia do MP. Em 2008, o próprio Kassab, segundo o Ministério Público, foi beneficiado pelo esquema. As irregularidades constam do processo 0163622/10 encaminhado aos promotores em 2010. A peça jurídica detalha que, em 2003, Kassab, em sociedade com o deputado estadual Rodrigo Garcia (DEM), pleiteava a aplicação da Lei da Anistia para regularizar a reforma de um prédio de propriedade da empresa R&K Engenharia, pertencente na época à dupla. No entanto, em 8 de março de 2006 o pedido de regularização do imóvel foi indeferido. Chama a atenção nesse processo que, mesmo passado o prazo de apresentação de recursos – 60 dias –, a Secretaria de Habitação, onde estava lotado Aref, tenha decidido reconsiderar o caso. Um ano depois, o processo foi revisto e Kassab conseguiu aprovar a anistia. Outro detalhe surpreendente dessa história é que a revisão só foi possível porque várias páginas do processo desapareceram. Em agosto de 2008, a prefeitura reconstituiu a documentação e deu o sinal verde para a regularização do imóvel do prefeito. Kassab nega que tenha sido favorecido, mas o processo está sendo analisado pelo MP. O prefeito também diz que irregularidades são comuns na administração pública e que sua gestão está pronta para puni-las. “Nós descobrimos e estamos punindo.” Nas declarações, Kassab se mostra cioso no trato com a coisa pública e na investigação de eventuais malfeitos. Mas só em 2012 é que a prefeitura pediu que a Corregedoria apurasse o caso, depois de seis anos de recorrentes alertas tanto por parte do MP quanto pela Câmara de Vereadores.
Funcionário de carreira, Aref é tido como parceiro de Kassab desde a administração Celso Pitta, quando o atual prefeito comandava a Secretaria de Planejamento e ele ocupava um cargo de diretoria na mesma pasta. Mas foi José Serra quem guindou o servidor ao principal cargo na área de aprovação de edificações. Em janeiro de 2005, Serra o transformou no responsável pela liberação de qualquer área construída acima de 500 m² na cidade. Desde então, o MP e a Corregedoria passaram a colecionar denúncias de cobrança de propina por funcionários da pasta comandada por Aref. Os procuradores também começaram a identificar uma meteórica evolução patrimonial. De 2005 até julho de 2008, Aref registrou 58 imóveis em seu nome, boa parte deles de alto luxo, como seis apartamentos em um prédio com vista para o Parque do Ibirapuera, o maior de São Paulo, imóveis orçados em R$ 4 milhões cada. Os investimentos de Aref não pararam. Três anos depois de assumir o posto, ele constituiu a SB4 Patrimonial, uma empresa de capital social de R$ 10 mil, que conta como sócios a mulher e dois filhos, na qual registrou outros 46 imóveis. O advogado de Aref contesta as acusações. Segundo ele, o aumento do patrimônio é fruto de investimentos imobiliários iniciados na década de 1960.

“Estamos diante do maior escândalo já visto
dentro da máquina pública paulista”
Segundo apurações do MP, Aref não está sozinho nessa grande teia de corrupção. Os promotores do caso querem ouvir nos próximos dias o secretário especial de Controle Urbano da prefeitura, Orlando de Almeida Filho, antigo chefe de Aref, que aparece nas denúncias como possível beneficiário do esquema. Orlando é corretor de imóveis, ex-presidente do Creci (Conselho dos Corretores de Imóveis) e ex-conselheiro do Secovi, sindicato do setor imobiliário em São Paulo. Em 2005, José Serra o nomeou secretário de Habitação e ele passou a chefiar Aref. Para os procuradores, Orlando de Almeida tinha conhecimento das irregularidades nos processos de anistias. No período em que Orlando comandou a secretaria (2005-2008), surgiram denúncias que envolviam a família do governador Geraldo Alckmin (PSDB). A querela tratava da regularização do prédio da Wall Street Empreendimentos, empresa do cunhado de Alckmin, Adhemar Ribeiro. O prédio foi construído em 1975, mas passou por uma ampliação na metade da década de 1990. Para efetuar a ampliação da área, a empresa deveria ter pago títulos de outorga onerosa, um recurso que possibilita ao proprietário do imóvel o pagamento para erguer edificações acima do permitido pela lei de zoneamento. As denúncias acusavam a empresa do cunhado de Alckmin de forjar o pagamento de taxas, já que a Wall Stret alterou o tamanho do prédio no carnê do IPTU, com o objetivo de diminuir o cálculo das tarifas. A firma foi acusada de deixar de pagar R$ 4 milhões em taxas relativas ao edifício. O Sistema de Processos da Prefeitura mostra que o documento no qual consta a “irregularidade grave” no pedido de regularização do prédio da Wall Street feito em 1994 foi enviado para o gabinete do secretário de Habitação no dia 29 de setembro de 2005. À época, o titular da pasta era Orlando de Almeida, que nada fez.
DEU NA REVISTA ISTOÉ
Muito barulho por nada
Da redação em 19/05/2012 11:48:46
Sessões da CPI do Cachoeira são marcadas por bate-bocas acalorados, mas um acordo entre os partidos não deixa que as investigações sobre as relações do bicheiro com políticos e empresários avancem de verdade
Izabelle Torres

NO RINGUE
Os senadores Fernando Collor e Pedro Taques
protagonizaram o primeiro bate-boca da CPI
Criada para investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários, a CPI do Cachoeira até agora pouco avançou. Na primeira semana de depoimentos, os debates foram dominados pela troca de acusações entre integrantes da Polícia Federal e a Procuradoria da República. Já a aguardada audiência de Cachoeira, inicialmente marcada para a terça-feira 15, foi adiada por causa de uma liminar acolhida pelo ministro do STF, Celso de Mello. Na quarta-feira 16, parlamentares de governo e oposição costuraram um conveniente acordão para postergar ao máximo o depoimento de governadores do PSDB, PT e PMDB citados no inquérito da Operação Monte Carlo, restringindo o foco das investigações a personagens menores do esquema. “Só chamaram os bagrinhos. Os importantes mesmo estão de fora”, criticou a senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Também mandaram direto para o arquivo os pedidos de quebra de sigilo das contas da Delta em todo o País, com exceção da região Centro-Oeste. A decisão livra os tucanos de sofrer constrangimentos em São Paulo e os peemedebistas no Rio de Janeiro. “Não há chance de a CPI avançar. Não vejo interesse nos partidos”, reconhece o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE). Enquanto a apuração engatinha e não há demonstrações contundentes de que o esquema de Cachoeira será investigado a fundo no Congresso, os parlamentares aproveitam os holofotes proporcionados pela CPI para produzir barulho. Apenas barulho.
Desde o início dos trabalhos, no fim de abril, as discussões entre parlamentares são uma constante e os bate-bocas se transformaram num espetáculo à parte. Os integrantes da CPI divergem sobre tudo e começam a transformar o ambiente de trabalho em um ringue repleto de acusações e xingamentos. A reunião secreta que ouviu o delegado Matheus Mella, responsável pela Operação Las Vegas, foi um exemplo da beligerância. Durante o depoimento, pelo menos três discussões acirradas aconteceram a portas fechadas. A mais áspera envolveu o deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) e o senador Humberto Costa (PT-PE). Ao descobrir que os advogados de defesa dos acusados assistiam ao depoimento, o deputado do DEM reclamou: “Precisamos ter mais ordem aqui. Isso, daqui a pouco, vai virar um circo”, disse. Na penúltima fileira, o senador petista respondeu que o deputado já era um palhaço de circo. Ônyx levantou-se e gritou com o dedo em riste: “O senhor é um sanguessuga!”, numa referência ao escândalo nas compras de hemoderivados, quando Costa era ministro da Saúde. De acordo com relatos dos políticos que participavam da sessão secreta, o delegado ficou constrangido com o bate-boca e o clima cordial demorou a ser restabelecido.

Na semana inaugural dos trabalhos, o senador Fernando Collor (PTB-AL) protagonizou o primeiro bate-boca entre integrantes da CPI. Decidido a defender o sigilo dos documentos sobre as relações de Cachoeira, o senador reclamou que deputados vazavam informações. Foi interrompido pelo senador Pedro Taques (PDT-MT): “Estamos aqui numa brincadeira da carochinha! O inquérito inteiro está na internet. Nenhum parlamentar pode ser responsabilizado por vazamento. Falar em sigilo é hipocrisia.” Collor ficou vermelho, franziu a testa e impostou a voz: “Não há uma posição hipócrita, nem safada, de quem quer que seja aqui! Hipócritas são aqueles que fornecem informações por debaixo dos panos para alguns confrades e fazem uso dessas informações como lhes convier!”
As divergências entre os integrantes da CPI também têm por trás brigas paroquiais dos Estados. Inimigos em Campina Grande (PB), os senadores Vital do Rego (PMDB-PB) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) estão se controlando para a temperatura não subir. Esforço que tem dado certo na frente dos holofotes, mas que não resiste aos ânimos exaltados nas reuniões sigilosas. Foi assim durante o depoimento do delegado Raul Alexandre Sousa na terça-feira 8. Cunha Lima também provocou o relator Odair Cunha (PT-SP), ao ressaltar que as decisões do colegiado eram um retrato do jogo político que o PT pretende fazer. Transtornado com a iminente convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), o senador da Paraíba não poupou críticas ao relator, a quem acusa de manipular o andamento das investigações. A convocação de Perillo também foi motivo de um bate-boca público entre o senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP) e o deputado Silvio Costa (PTB-PE).
Com tantos parlamentares e partidos constrangidos com as investigações do esquema comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, é natural que os ânimos estejam exaltados. O problema é se esses bate-bocas se transformarem numa grande cortina de fumaça destinada a mascarar a ausência de investigação. Um sms enviado pelo deputado petista Cândido Vaccarezza (SP) ao governador do Rio, Sérgio Cabral, ilustra bem o clima de acordão reinante na Comissão. “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu”. Com tanta discussão, pouco consenso e falta de empenho para apurar o alcance das relações de Cachoeira com políticos e empresários, a CPI corre o risco de perder o foco.
DISTRITO FEDERAL
Tribunal de Contas suspende edital da Caesb de quase R$ 100 milhões
Da redação em 19/05/2012 11:43:16
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou, nesta quinta-feira (17), a suspensão cautelar de um edital de quase R$ 100 milhões lançado pela Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) para a construção de uma estação de tratamento de água em Valparaíso de Goiás. O tribunal determinou prazo de 15 dias para que o órgão apresente justificativas ou promova correções na licitação. A concorrência seria aberta na próxima segunda-feira (21).
A Caesb informou ao G1 que vai analisar os questionamentos técnicos e dar as explicações necessárias ao TCDF dentro do período estabelecido. Segundo a Caesb, o edital poderá passar por alterações, Entre as irregularidades encontradas no edital, o tribunal apontou insconsistências e ausência de detalhamento nos custos da obra, desatualização do orçamento e opção pela alternativa mais cara para a plantação de grama.
O TCDF também informou que a Caesb deve executar estudos geotécnicos na área para rever os cálculos estruturais do empreendimento. O tribunal determinou ainda que a Caesb apresente o detalhamento das fundações de forma compatível com o que determina a Lei de Licitações e promova as respectivas mudanças no orçamento. Informações do G1.
BEM ESTAR
Empresária gaúcha elimina 16 kg para entrar no vestido de noiva
Da redação em 19/05/2012 10:48:26
Mais do que realizar o sonho de subir ao altar, a empresária gaúcha Ana Rúbia Flores, de 29 anos, casou há sete meses com o vestido de noiva no tamanho que queria, após perder 16 kg. “Falavam que eu estava fazendo isso só para casar, para enganar o noivo, que ganharia tudo de novo. Mas depois disso ainda eliminei mais 6 kg”, diz a moradora de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Ana Rúbia passou de 79 kg para 57 kg, em 1,64 m de altura. Saiu, portanto, da faixa de pré-obesidade e entrou na de peso normal.
A reeducação alimentar da empresária começou há um ano, com a ida a uma nutricionista e a inclusão de frutas, verduras, sopas, cereais, adoçantes, sucos e muita água na dieta. A jovem também cortou refrigerante, massas à noite e batata frita. Reduziu, ainda, a quantidade dos pratos e a ansiedade natural dessa época.
“Antes, eu almoçava ao meio-dia e só ia comer de novo às 18h. Agora faço intervalos menores, de 2h ou 3h”, compara Ana Rúbia.
A dieta pré-matrimônio, cuja meta inicial era enxugar 10 kg, fez com que a gaúcha deixasse o vestido por último na lista de pendências. Dois meses antes, gostou de um modelo, provou e serviu. Quando chegou perto da tão esperada data, o tamanho já estava grande e a peça precisou passar por ajustes.
“Foi uma vitória. Todo mundo achou que eu tinha tomado remédio, passado fome”, conta Ana, que no passado chegou a usar sibutramina e baixou 8 kg rapidamente, mas assim que largou o medicamento recuperou tudo e mais um pouco.
“O remédio me fazia sentir nojo da comida. Mas também não conseguia dormir direito, ficava irritada, agitada, com o coração acelerado”, lembra a empresária, que havia chegado a pensar ainda em fazer uma lipoaspiração.
Ana subiu ao altar há sete meses com 16 kg a menos e depois, na foto à direita, aparece com menos 6 kg, eliminados com reeducação alimentar e exercícios 3 vezes por semana na academia (Foto: Arquivo pessoal)
gaúcha, que tem o pai obeso, já fez uma limpeza no guarda-roupa, doou tudo o que tinha para não lembrar mais da antiga fase e substituiu as calças 46 por 36.
O marido Luis, que também tem tendência a engordar, chegou a emagrecer 13 kg nesse processo, sem fazer nada rigoroso. Agora, já recuperou 4 kg – está com 82 kg –, por causa dos excessos de verão em churrascos e cerveja.
“Tudo o que a gente quer, a gente consegue. Basta ter força de vontade e determinação. Faço jantares deliciosos e saudáveis, porque mudamos nosso comportamento à mesa”, destaca AnA. Informações do G1.
EDITORIAL DE O GLOBO
Discurso resgata PT para a História
Da redação em 18/05/2012 14:18:56
Os 27 anos ininterruptos em que o Brasil se mantém na democracia, o mais longo período desde a proclamação da República, longe de serem uma linha reta em ascensão, têm sido um trajeto de percalços, de altos e baixos. Nenhuma novidade, porque os processos históricos são assim mesmo, nada lineares. Importa que a tendência seja positiva — e é este o caso. Em todo este tempo, houve fatos marcantes, emblemáticos do avanço da sociedade no autoaprendizado na vida democrática, no exercício do convívio tolerante com ideias contrárias, na subordinação ao voto popular, no respeito às instituições.
O dia 16 de maio de 2012 contribui para esta já longa viagem com um destes fatos carregados de simbologia. A presidente Dilma Rousseff poderia dar posse à Comissão da Verdade numa cerimônia com a pompa merecida. Teria seguido o manual dos cerimonialistas. Mas optou por algo mais, e terminou revestindo o evento de uma importância para além da própria comissão.
O discurso da presidente foi à altura da cerimônia, da qual participaram, convidados por ela, todos os ex-presidentes vivos. Os registros em foto e vídeo de Sarney, Collor, FH e Lula, juntos, servem de testemunho de que o Brasil subiu um patamar na sedimentação da maturidade política e do regime democrático. Até agora, nas Américas, apenas os Estados Unidos podiam ostentar, em eventos, seus ex-presidentes, lado a lado, adversários ou não. Aconteceu quarta-feira em Brasília.
A presença dos quatro e as citações cerimoniosas e adequadas a Tancredo Neves, Itamar Franco e ao próprio Ulysses Guimarães, o “Senhor Diretas”, ajudaram a destacar o sentido da solenidade: tratava-se de um ato de Estado, não de governo, ressaltou Dilma no discurso, de traje escuro, sem qualquer peça vermelha.
Além de enquadrar o trabalho da Comissão da Verdade na sua melhor dimensão — sem revanchismos —, as referências feitas por Dilma ao contexto que cerca o início do trabalho de exumação de uma fase tenebrosa do país podem ser entendidas como uma reconciliação do seu partido, o PT, com a História. Afinal, o PT se recusou a votar em Tancredo Neves no colégio eleitoral — puniu petistas que o fizeram —, e, num primeiro momento, a assinar a Constituição de 1988. Também não quis participar do governo Itamar, vice de Collor, formado num momento grave em que o impeachment fez ressurgiu o temor de mais um curto-circuito institucional. Foi como se o PT rejeitasse a via da negociação e entendimento políticos para a superação de impasses. O discurso de Dilma reafirma a vertente democrática petista. Confirmam-se, então, como minoritárias as vozes autoritárias dentro da legenda.
A comparação não é perfeita, pelas diferenças históricas, mas, quarta, o Brasil de Dilma lembrou a África do Sul de Nelson Mandela, vítima do regime do apartheid e que soube patrocinar uma transição sem traumas e acertos de contas revanchistas. Na verdade, o Brasil está em estágio de conciliação bem à frente daquele em que se encontrava a África do Sul quando Mandela saiu da prisão para assumir a transição de uma ditadura racista para um regime democrático. A Comissão da Verdade precisa ser o estágio final desta conciliação, consagrada no discurso da presidente.
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A empresária gaúcha Ana Rúbia aumentou as curvas e diminuiu o tamanho do biquíni (Foto: Arquivo pessoal)



